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Edição 1976 . 4 de outubro de 2006

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Beleza
Plástica em maçãs

No caso, as do rosto, que vêm
sendo infladas para erguer a pele
e atenuar as marcas da idade


Bel Moherdaui

 

Arquivo pessoal
Oscar Cabral
DOBRA
Beth: os músculos da região malar foram reposicionados, fixados por pontos e recobertos pela pele durante um lifting

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Em profundidade: Beleza e boa forma

Do que é feito um rosto perfeito? Responde Zeca de Abreu, diretor da agência de modelos Marilyn e, nessa condição, especialista no assunto: "Nem todas as modelos são belíssimas. O importante é ter equilíbrio e simetria. Mas, em matéria de beleza perfeita, o destaque vai para a carinha de boneca das eslavas: olhos grandes e azuis, nariz pequeno e afilado, boca vermelha e, detalhe essencial, maçãs do rosto proeminentes. A própria descrição, por exemplo, da russa Natalia Vodianova". Maçãs do rosto altas e definidas, de fato, são um traço comum de mulheres muito bonitas, como comprovam Cameron Diaz, Julia Roberts e Maria Fernanda Cândido, entre algumas das beldades mais bem-dotadas nesse quesito. Ao contrário, porém, de um nariz bem desenhado ou de olhos de gata, a importância dos zigomas, ou malares, na harmonia facial não é tão evidente. Por esse motivo, os consultórios de cirurgia estética nunca foram invadidos por hordas de mulheres pedindo "Doutor, quero melhorar os meus zigomas". Até que alguém acabou percebendo que, além de sua contribuição para a beleza, os malares também têm uma função estrutural na sustentação da pele do rosto. Pronto: nasceu mais um território a ser habilmente explorado no campo dos tratamentos estéticos.

Inflar as maçãs do rosto para atenuar as marcas de idade é um procedimento ainda relativamente pouco disseminado, mas de futuro brilhante. "A proeminência do malar e do queixo representa o chamado triângulo da beleza. O equilíbrio desse triângulo é um dos recursos mais poderosos para a beleza e o rejuvenescimento da face", explica o cirurgião plástico Volney Pitombo, do Rio de Janeiro, que usa a técnica em sua clínica.

 

Arquivo pessoal
Otavio Dias
PREENCHIMENTO
Maria Isabel: ácido de efeito temporário aplicado em seis sessões; ao fundo, "o barulhinho do produto se espalhando"

"Ao longo do tempo, o rosto muda de forma. Em alguns casos, a mudança do contorno facial é tão severa que não é possível reposicioná-lo com técnica não invasiva", diz Alessandra Haddad, coordenadora do setor de cosmiatria e laser do Serviço de Cirurgia Plástica da Unifesp. É nesse ponto que surge a opção de "dar uma levantadinha" nas maçãs do rosto. Aliás, um leque de opções. Dribla-se a ação do tempo com ácidos preenchedores de efeito temporário, como o hialurônico (Restylane ou Perfectha) e o poli-L-láctico (Sculptra), aplicados em algumas sessões em consultório, com próteses de silicone (de consistência mais rígida que as de mama) ou com uma "dobra" na musculatura da região, fixada por pontos. Em geral associada a outras intervenções estéticas, a "levantadinha" nas maçãs confere aquele ar de que algo melhorou mas não dá para dizer exatamente o quê.

A atriz maranhense Beth Soares, 45 muito bem disfarçados anos, aproveitou um minilifting facial para dar volume à região malar. Durante a operação, o cirurgião fez a tal dobra no músculo, prendeu com pontos cirúrgicos e voltou a cobri-lo com a pele. "Saí da cirurgia linda e maravilhosa. Ficou tão natural que nem o taxista que me levou para casa acreditou quando eu contei o que tinha acabado de fazer", comemora ela, que já tinha feito as pálpebras e preenchido os sulcos ao redor da boca. "Comecei a notar uma certa flacidez, a formação de ruguinhas embaixo dos olhos quando eu sorria. Aquilo me incomodava tanto que cheguei a usar óculos sem grau só para disfarçar. O médico achou que não era caso de remoção de pele e optou por aumentar as maçãs", conta ela, remoçada há um mês. A professora Maria Isabel Assumpção, 44 anos, preferiu submeter-se a injeções de ácido poli-L-láctico, conhecido como Sculptra, procedimento temporário de uso mais recente que tem a vantagem de estimular a produção de colágeno pelo próprio organismo. "Dói um pouco, porque só é usada pomada anestésica. Mas é muito rápido. Em dez minutos ele é aplicado, depois é feita uma massagem por mais dez minutos. Dá até para ouvir o barulhinho do produto se espalhando lá dentro", descreve ela, que fez seis aplicações até chegar ao resultado desejado.

A escolha do tratamento depende do nível de flacidez e de perda de tecidos do rosto do paciente. "Procuramos sempre usar uma substância de textura semelhante àquela que o corpo perdeu. Os ácidos em geral são utilizados para reposição de partes moles (por exemplo, quando ocorrem flacidez e perda de colágeno). Já os implantes são empregados quando há perda óssea, principalmente como seqüela de trauma", explica a cirurgiã plástica Bárbara Machado, chefe da equipe médica da Clínica Ivo Pitanguy. Comumente usado para preenchimento de sulcos e rugas superficiais, o ácido hialurônico ganhou recentemente uma versão de maior densidade, o que permite seu emprego em regiões mais profundas. Embora mais barato (cada aplicação sai por volta de 2.000 reais) e menos invasivo que uma cirurgia, tem ação temporária (até um ano) e precisa ser reaplicado. Outro tratamento é a injeção de gordura do próprio paciente. Nesse caso, aproveitam-se, em pequenas quantidades, as sobras de uma lipoaspiração feita, por exemplo, no culote. A gordura removida com cânula é tratada, limpa e depois reaplicada no rosto. Como é originária do próprio organismo, não há risco de rejeição; mas, por ser pouco controlável, pode ser reabsorvida – de forma parcial e desigual. Vale, no caso, a mesma advertência vigente para as plásticas em geral: se mal executada, a intervenção nos zigomas pode deformar o rosto da paciente.

 
 
 
 
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