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André
Petry
Vem aí um massacre?
"Avelar comanda a investigação
que
detonou o trambique do dossiê
preparado por dirigentes do PT. Ele
tem dito que está com medo. Medo
de sofrer aquela perseguição sórdida
que vitimou o caseiro. Medo"
Quando se sentiu acuado, o governo
do PT caiu numa implacável perseguição contra
o caseiro que ousou denunciar um ministro. A história é
sabida: violaram seu sigilo bancário e lançaram uma
campanha para desmoralizá-lo. Agora, só a vigilância
da sociedade pode impedir que um massacre parecido aconteça
com o procurador Mário Lúcio Avelar.
Avelar comanda a investigação
que detonou o trambique do dossiê preparado por dirigentes
do PT. Na semana passada, ainda teve a ousadia de pedir a prisão
de seis petistas envolvidos no caso, entre eles o segurança
e o churrasqueiro de Lula. Na quarta-feira, em entrevista à
TV Record, o presidente, questionado sobre o impacto que as prisões
teriam sobre sua campanha, mandou um recado assustadoramente explícito
ao procurador. "Às vezes me pergunto se o estrago será
para o candidato Lula ou para quem está pedindo as prisões
dessas pessoas."
Já havia, àquela
altura, uma operação de estrago em curso. A Polícia
Federal, atolada nos mistérios da burocracia, só recebeu
o pedido de prisão dos petistas na madrugada de terça-feira,
quando a lei eleitoral já proibia prisões que não
fossem em flagrante. Em vez de ficar na muda, a PF vazou os pedidos
de prisão que não poderia cumprir. Fez um serviço
duplo: alertou a companheirada para providenciar habeas corpus e
fez parecer que o procurador era um palhaço, detalhe que
não escapou ao presidente na entrevista. "A pessoa que pediu
a prisão sabe que durante esses dias de eleição
as pessoas não podem ser presas", disse Lula.
Mário Lúcio Avelar,
40 anos, é procurador há dez anos. Já prestou
muito serviço relevante ao país. Comandou a operação
que flagrou 1,3 milhão de reais em dinheiro vivo no bunker
de Roseana Sarney, estilhaçando sua pretensão presidencial.
Também comandou a investigação sobre o desfalque
monumental da Sudam, que acabou colocando um par de algemas em Jader
Barbalho de quem, hoje, Lula beija a mão e ouve conselhos
políticos. Coube ainda ao procurador implodir o esquema dos
sanguessugas cujos desdobramentos o levaram à situação
mais temerária de sua carreira: meter-se com o pessoal do
PT.
Aos amigos, o procurador tem
dito que está com medo. Medo de sofrer uma campanha de desmoralização.
Medo daquela perseguição sórdida que vitimou
o caseiro. Medo de vergar sob o peso do Leviatã inescrupuloso.
Medo de ser atingido pela bala perdida da orgia sindical que os
petistas promovem ao confundir partido e Estado. Medo.
Ele é solteiro, não
tem filhos e trabalha catorze horas por dia. Concentrado no trabalho,
esquece-se da vida pessoal. Nunca sabe onde estão suas chaves,
a carteira, os documentos. Dá ordens a sua empregada doméstica,
esquece o que disse e reclama de algo que não pediu. Sua
penúltima empregada doméstica demitiu-se depois de
uma semana de trabalho. A atual, que está com ele há
um ano, já avisou que vai embora. Ela anda com medo de sair
na rua na companhia do patrão. "Ele tem segurança,
mas nunca se sabe, não é?", diz ela. "É que
tem muita gente que não gosta do doutor Mário."
Santa sabedoria popular.
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