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Festa de 1 milhão

Casamentos dos muito ricos estão cada
vez mais suntuosos – e caros

Daniela Pinheiro

 
Ana Ottoni/Folha Imagem

Isabel e Daniel: convites impressos em Paris e colar para a mãe da noiva

Houve uma época em que os ricos mais antenados chegaram a cogitar que bacana mesmo era não ostentar demais e levar um estilo de vida elegantemente discreto. Já passou. Os excessos voltaram com tudo, como comprova a multiplicação das megafestas de casamento – a ocasião mais que perfeita para uma família abastada exercer largamente seu poder de gastança e reafirmar seu status, numa espécie de disputa milionária pelo requinte mais espetacular. Os 1 000 convites do casamento na quarta-feira passada, em São Paulo, de Isabel, filha do usineiro Rubens Ometto Mello, com o publicitário Daniel Berlinck, foram impressos na Cassegrain Graveur, em Paris, com o nomezinho da gráfica gravado em alto-relevo no envelope. A igreja, decorada com 10 000 rosas colombianas, foi lavada por dentro e por fora antes da cerimônia. Para a recepção, os Mello ergueram um salão (primorosamente decorado: teto de cristal, pista de mármore, paredes de veludo) sobre a piscina e a quadra de tênis.

Construções do gênero são quase obrigatórias nos casamentos dos muito ricos. É um jeitinho de receber em casa, a opção mais chique, sem arranhar a mobília. No casamento em maio passado, em São Paulo, de Gabriella Camargo, neta do empreiteiro Sebastião Camargo, com Cláudio Palaia, ergueu-se praticamente outra casa (desmontável) nos jardins da mansão da família, com pista de dança de granito e o resto do piso coberto com um carpete de sisal. Custo estimado para forrar o chão: 300.000 reais. No dia seguinte, doaram o carpete a uma instituição de caridade, desfizeram a estrutura e a vida da família voltou ao normal. Foi um alívio, depois de dois anos de planejamento e correria, em que a mãe da noiva viajou pela Europa com o arquiteto e decorador Jorge Elias só para "pesquisar tendências" e procurar objetos para a decoração. Quase tudo veio de fora: o vestido de noiva (Oscar de la Renta, 80.000 dólares), as dúzias de muguets, uma flor minúscula, que chegaram de Paris no dia da festa e as lembrancinhas – caixinhas de cristal da joalheria Tiffany com o nome dos noivos gravado.

Pré-fabricados não são do gosto do médico Roger Abdelmassih, que no casamento da filha Mirella, no ano passado, comprou o terreno ao lado de sua mansão em São Paulo, demoliu a casa existente e mandou fazer outra, de tijolo mesmo, só para a festa. A piscina foi salpicada de flores e balões e, coberta de vidro, virou pista de dança. Numa varanda, o coral infantil Canarinhos de Petrópolis entoava música sacra, enquanto 300 garçons serviam as cinqüenta caixas de champanhe Don Pérignon. No dia seguinte, Abdelmassih mandou derrubar tudo. Festa de milionário de verdade é assim – não se economiza nos detalhes.

 
Fotos Ag. Lumiar

Christiane: últimos retoques e, no altar, com o véu de 12 metros

Cada equipe de planejamento de uma recepção dessas quebra a cabeça para achar o perfeito diferencial. O da festa de Isabel e Daniel foi o impressionante colar de brilhantes que a mãe da noiva, Mônica, ganhou do marido bem no meio do salão. Os convidados fizeram oh! Em meados de setembro, Recife tremeu com o casamento de Christiane Baptista e Alexandre Nader, ela enteada de Fernando Pereira Santos, dono de empresa de táxi aéreo, emissoras de TV e fábrica de cimento. O cálculo dos gastos ultrapassou 1,5 milhão de reais e tudo foi, como queria a família, "igual a São Paulo". A limusine seguiu por via terrestre; o buquê de 5 quilos, de avião. A butique Daslu fez um vestido de noiva oficial e outro reserva (total: cerca de 80.000 reais), iguaizinhos no véu de 12 metros e na cauda de 9. Na igreja, refrescada por ar-condicionado especialmente instalado (e removido depois), ladeavam a passarela, a intervalos regulares, um arranjo de flores, um anjo de mármore e um homem de manto, que baixava o capuz e se punha a cantar à medida que a noiva passava. De arrepiar, mesmo no calor recifense.

Gasto quase idêntico – 1,2 milhão de reais –, e performance tão impressionante quanto, exibiu Edvaldo Ulinski, dono do frigorífico Big Frango, um dos maiores do país, no casamento da filha Fernanda, há pouco mais de um ano, em Londrina. Foram consumidas quarenta caixas de uísque Royal Salute – para quem não lembra, aquele que dorme em barris de carvalho por 21 anos, no mínimo, e custa uns 350 reais a garrafa – e 100 caixas de champanhe Veuve Clicquot. A louça, alugada, era Companhia das Índias (cada prato quebrado, multa de 500 reais). Mesmo que a música – Agnaldo Rayol e família Lima, ao vivo – não tenha atendido a todos os gostos, quem esteve lá saiu marcado para sempre. "A sensação de desperdiçar Royal Salute foi inesquecível", garante um dos convidados.

 

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