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Marcelo
Carneiro
Veja
também |
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O
fracasso da Seleção Brasileira de Futebol nas Olimpíadas
da Austrália, somado ao péssimo desempenho do time
nas eliminatórias para a Copa de 2002, é apenas um
dos problemas do técnico Wanderley Luxemburgo. E o menor
deles. Documentos até agora inéditos, obtidos por
VEJA na semana passada, mostram que, num período de cinco
anos de 1993 a 1997 , Luxemburgo driblou o Leão
da Receita Federal e conseguiu ocultar uma fortuna calculada em
3 milhões de reais. Mais: acusado por uma ex-secretária
de ganhar comissão na venda de jogadores para os clubes em
que trabalhou, Luxemburgo foi flagrado pelo Fisco recebendo em suas
contas bancárias quantias vultosas. Elas chegaram a receber
depósitos de até 420 000 reais. Todos de origem desconhecida.
Em 1996, o total de dinheiro sonegado que fluiu para a conta de
Luxemburgo chegou a 1,1 milhão de reais. Intimado a dar explicações
ao Fisco, o técnico não respondeu até hoje
à convocação da Receita. Embora a origem da
maior parte dos depósitos seja misteriosa, em pelo menos
dois casos não há margem de dúvida: o dinheiro
partiu de um presidente de clube e de um empresário de jogadores,
conhecido por intermediar a compra e a venda de craques brasileiros
para um time do Japão.
Os
dados das contas de Luxemburgo fazem parte de um processo em curso
na Justiça Federal do Rio de Janeiro. No início de
setembro, o treinador foi denunciado pelo Ministério Público
Federal pelo crime de sonegação fiscal. Se for condenado,
pode pegar até cinco anos de prisão. A Receita Federal
vasculhou a vida fiscal e bancária de Luxemburgo e descobriu
que o treinador tem sido um sonegador contumaz. As investigações
cobrem, por enquanto, um período de cinco anos, entre 1993
e 1997. Não
incluem, portanto, os anos em que ele esteve à frente da
Seleção Brasileira de Futebol. Isso não significa
que de lá para cá ele se tenha emendado a ponto de
ter uma vida fiscal e bancária exemplar. No que diz respeito
ao período investigado até agora, as provas são
inquestionáveis. Em alguns anos, Luxemburgo não se
preocupou sequer em declarar parte do salário que obtinha
legalmente como técnico de futebol. Em 1994, por exemplo,
deixou de informar um ganho de cerca de 40.000
reais, pagos pelo Clube de Regatas Flamengo, e outros 180.000
recebidos da Parmalat Indústria e Comércio de Laticínios,
empresa que comandava o futebol do Palmeiras.
Negócios
obscuros Há evidências tão conclusivas
de sonegação que o próprio Luxemburgo reconhece
ter omitido ganhos em suas declarações de imposto
de renda e parece disposto a assumir a dívida com o Leão.
Essa, no entanto, é apenas uma parte da questão. O
que preocupa na papelada em que se baseia o processo não
é apenas a constatação de que o técnico
sonegou impostos. O maior problema é que até agora
Luxemburgo não conseguiu explicar a origem desse dinheiro,
de maneira a esclarecer definitivamente as suspeitas que pesam sobre
ele envolvendo negócios obscuros na compra e venda de jogadores.
Em
1998, o milionário universo de negócios esportivos
movimentou 3,3% do PIB brasileiro, ou 29 bilhões de reais,
segundo a Fundação Getúlio Vargas. O futebol,
com suas transações, patrocínios e contratos
fabulosos a começar pelo da Nike com a seleção,
no valor de 200 milhões de dólares , é
responsável por 60% desse total. A participação
de presidentes de clubes e técnicos na negociação
de jogadores e de contratos de patrocínio sempre foi um dado
obscuro no mundo do futebol. A ponto de haver em andamento no Congresso
uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) com a
tarefa específica de investigar o assunto, incluindo o milionário
contrato da CBF com a Nike. Entre dirigentes esportivos, jogadores,
técnicos e jornalistas que cobrem a área, sempre circularam
histórias de que determinados cartolas ou treinadores estivessem
usando seu poder para tirar proveitos pessoais num negócio
que envolve tanto dinheiro, enganando os milhões e milhões
de torcedores que ajudam a sustentar financeiramente os times. Essas
suspeitas foram reforçadas pelas declarações
da ex-secretária de Luxemburgo e pelas investigações
nas contas deles feitas no Rio pela Receita Federal.
Antonio Milena
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Cesar Diniz/AE
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| A
indignação do torcedor e a ex-secretária
Renata, que acusou o treinador de sonegar impostos e receber
comissões em compras e vendas de jogadores de futebol
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Desde
o impeachment de um presidente da República, em 1992, o Brasil
passou por uma faxina em suas mais diversas instâncias, públicas
e privadas. No Congresso, escândalos como o dos anões
do Orçamento levaram à cassação de diversos
parlamentares acusados de envolvimento em corrupção
e outras irregularidades. O Judiciário já foi alvo
de uma CPI e teve suas entranhas expostas em casos como o da roubalheira
no Tribunal Regional do Trabalho, de São Paulo, comandado
pelo juiz Lalau. Fora da área pública, os bancos também
já foram objeto de investigação, enquanto as
empresas de forma geral tiveram de mudar sua conduta para respeitar
os direitos do consumidor. Em meio a tudo isso, o futebol restava
como uma ilha intocada desse Brasil antigo e obscuro da era pré-Collor.
Por
essa razão, é sintomático que ninguém
menos que o técnico da Seleção Brasileira de
Futebol esteja sendo alvo de investigações dessa natureza.
Futebol, no Brasil, não é apenas uma forma de entretenimento
e diversão. É ainda uma forma poderosa de expressão
dos valores e da índole nacionais. Basta ver como os símbolos
mais importantes do Brasil, como as cores, o hino e a bandeira,
são usados pelos torcedores nos jogos da seleção.
Também não por outra razão que as vitórias
e as derrotas no futebol afetam de maneira tão aguda a auto-estima
dos brasileiros. A seleção está intimamente
associada à imagem que os brasileiros projetam de si mesmos
e do país em que vivem. Tudo isso faz do técnico da
seleção uma personalidade pública, cuja idoneidade
deve ser observada e preservada. As investigações
da Receita indicam o oposto no caso de Luxemburgo. Escolhido para
liderar e dar o exemplo a seu grupo de dezoito jovens jogadores
com um salário mensal estimado em 160.000
reais , Luxemburgo carrega uma folha corrida que o impediria
de se candidatar a vereador.
Quem
depositou Na semana passada, o advogado Marcos Augusto
Malucelli, que defende Luxemburgo no processo de sonegação
fiscal, forneceu a VEJA uma versão para um fluxo tão
intenso de reais de forma desconhecida na conta bancária
do treinador. "Na verdade, o que houve foi apenas transferências
de aplicações financeiras de uma conta bancária
para outra do próprio Wanderley", explicou o advogado. VEJA
obteve de uma das pessoas que participaram do rastreamento das contas
do treinador a informação de que, em tese, a versão
de Malucelli pode corresponder à verdade. Mas é estranho
que durante todo esse tempo Luxemburgo não tenha se preocupado
em prestar esse tipo de esclarecimento ao Fisco. Além disso,
em pelo menos dois dos depósitos, a Receita obteve o nome
dos responsáveis pelo dinheiro que jorrou na conta do treinador
da seleção. Em 7 de janeiro de 1997, Luxemburgo recebeu
179.000 reais, depositados por Renato
Duprat Filho. Menos de vinte dias depois, outros 50.000
reais pingaram em sua conta, por meio de um depósito registrado
por Eduardo Sakamoto. Duprat é o presidente da Unicór,
empresa que patrocinava o Santos, clube treinado por Luxemburgo
em 1997. Sakamoto intermediou negócios com jogadores de futebol.
Alexandre Battibugli
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AFP
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| Wanderley
Luxemburgo, de terno de grife, o naufrágio da seleção
diante do time de Camarões: sonho de chegar ao degrau
mais alto da carreira de técnico e conquistar uma Copa
do Mundo durou apenas dois anos e terminou com o cargo ameaçado
pelo eterno rival Luiz Felipe Scolari |
O aparecimento
desses dois depósitos ainda não pode ser considerado
uma prova definitiva de que o treinador ganhava comissão
na negociação de atletas, mas mostra que a relação
entre Luxemburgo, cartolas e empresários do futebol é
bem mais intensa do que pretendia fazer crer o técnico. As
explicações de Renato Duprat e Eduardo Sakamoto, em
vez de ajudar Luxemburgo, só contribuem para tornar mais
confusa a ciranda financeira que envolve o técnico. Na quinta-feira
passada, Renato Duprat disse que, em 1997, Wanderley tinha dois
contratos, um com o Santos e outro com a Unicór. No dia seguinte,
o empresário ligou para a redação de VEJA para
esclarecer que o contrato com a Unicór era, na verdade, com
ele, Duprat, como pessoa física. Detalhe: o acordo era verbal.
O contrato oficial, com o Santos, cobria 70% do salário acertado
com Luxemburgo. Os outros 30%, equivalentes a 50 000 reais em valores
da época, eram pagos por ele. Duprat garante que declarou
o depósito em seu imposto de renda, mas não sabe explicar
por que não registrou o contrato como pessoa física
nem por que o cheque foi preenchido no valor de 179.000
reais. "O pagamento ficou atrasado, e acumularam-se vários
salários juntos", afirma ele. Wanderley desmente Duprat:
"Ele não declarou esse pagamento à Receita e meus
advogados entraram na Justiça por isso".
A
história contada por Sakamoto é mais confusa. Ele
foi procurador do Yokohama Flugels, um time japonês pelo qual
passaram jogadores brasileiros como Zinho, César Sampaio
e Evair. Todos os três atuaram pelo Palmeiras à época
em que Luxemburgo foi treinador do time. Os dois primeiros vieram
do Japão, em negociação intermediada, é
claro, por Sakamoto. Sobre os 50.000
reais encontrados na conta do técnico, Sakamoto conta o seguinte.
Ele diz ter encontrado Luxemburgo com um grupo de amigos do Paraná
Clube time em que o técnico já trabalhou
no fim de 1996, mas não sabe direito sequer a cidade onde
aconteceu esse encontro. De acordo com ele, durante esse encontro
Luxemburgo com quem o próprio Sakamoto garante não
ter muita intimidade disse que precisava de um cheque de
50.000 reais. "Não sei bem para
que o dinheiro seria usado, acho que era um rolo dele com uma compra
de carros." Sakamoto, então, sacou o talão de cheques
e entregou 50.000 reais a Luxemburgo,
segundo sua própria versão. "Ele tinha me prometido
que não iria depositar, foi apenas uma troca de gentileza",
ressalta Sakamoto, com ares de indignação. Novamente
Wanderley desmente o amigo: "Não tem nada a ver. Na verdade,
eu emprestei um dinheiro ao Sakamoto e ele me pagou com cheque sem
fundo. Tive de reapresentar o cheque".
Teófilo Pereira
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Eugenio Savio
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| Ricardo
Teixeira, presidente da CBF (à esq.), e os dois
principais candidatos ao cargo de técnico da seleção,
Luiz Felipe Scolari e Carlos Alberto Parreira: Luxemburgo caiu
porque, sob seu comando, o Brasil perdeu para times de segunda
linha e também porque, no julgamento dos torcedores,
o treinador tem um comportamento ético condenável
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O empresário
jura que esse dinheiro não é pagamento de comissão
de jogadores e diz que os atletas negociados à época
pelo Yokohama com clubes brasileiros foram vendidos diretamente
à Parmalat. "No caso do Zinho, não havia nenhuma outra
proposta em jogo, só a da Parmalat." Não é
o que diz o médico Marco Aurélio Cunha, supervisor
do Santos entre 1997 e 1998. Cunha garante que o time da Baixada
Santista tinha interesse em comprar Zinho e o representante do time
japonês sabia disso. "Mas ele fugiu do negócio de uma
forma que eu não entendi até hoje", relata.
Os
rolos do treinador com o Fisco ganharam o noticiário há
cerca de um mês, quando surgiram as primeiras denúncias
da ex-secretária de Luxemburgo, a estudante de direito Renata
Carla Moura Alves. Profissional especializada em leilões,
Renata diz ter sido contratada pelo treinador para arrematar diversos
bens, sempre em seu nome, mas com dinheiro do técnico. Na
lista de Renata tem de tudo: imóveis, carros importados,
jet-ski e elevador. A farra de compras, que durou de 1993 a 1996,
terminou no dia em que a Polícia Federal descobriu que a
estudante nunca teve condições financeiras para adquirir
um patrimônio tão vasto. A polícia, então,
resolveu perguntar a Renata de onde vinha tanto dinheiro. A moça
não vacilou em apontar Wanderley Luxemburgo como o beneficiário
do esquema. Renata foi também a primeira pessoa a afirmar,
categoricamente, que o técnico recebia comissões pela
compra e venda de jogadores.
Em
depoimento à polícia, em abril de 1997, Luxemburgo
declarou que simplesmente emprestava dinheiro a uma amiga e jamais
teve com Renata nenhum vínculo profissional. Há porém
procurações assinadas pelo treinador, dando a Renata
direito de atuar em leilões judiciais. Além disso,
um dos extratos bancários de Luxemburgo, datado de 1994,
traz como endereço do treinador um apartamento que, à
época, era ocupado por Renata.
"Estou
sendo vítima de uma grande injustiça", afirmou Luxemburgo
ao editor executivo de VEJA Carlos Maranhão, ainda em Gold
Coast, na Austrália, às vésperas da eliminação
da seleção brasileira. "Reconheço que cheguei
a emitir cheques sem fundo, mas de tudo o que essa mulher falou
a única coisa correta é minha dívida com o
imposto de renda", continuou, referindo-se a sua ex-secretária
Renata. Ele considera excessivo o valor que lhe está sendo
cobrado pelo Fisco, pois calcula que seu patrimônio não
atinja 5 milhões de reais. "Dentro do futebol, por falta
de informação, as questões fiscais nem sempre
são levadas a sério e a gente acaba fazendo umas bobagens",
acredita. "Mas sou um homem honesto, com a consciência tranqüila.
Tudo o que tenho foi conseguido à custa de meu trabalho,
salários e prêmios."
Luxemburgo
tem um faro apurado para negócios. No começo do ano,
virou sócio de uma empresa que vai fabricar bebidas isotônicas
no Paraná. A idéia é concorrer com a marca
Gatorade. Seu parceiro nessa empreitada é um amigão
de Curitiba, Sérgio Malucelli, dono de uma concessionária
de carros importados na cidade. Juntos, eles montaram o Luxemburgo
Bar Café, que não deu certo. Luxemburgo e Malucelli
se conheceram na época em que o técnico era treinador
do Paraná Clube, em 1995. As famílias passaram juntas
o último réveillon, no Rio de Janeiro. Malucelli é,
igualmente, empresário de jogadores. Entre seus clientes
está o meia Arinélson. Quando foi treinar o Santos,
em 1997, Luxemburgo contratou esse jogador. Foi na ocasião
que começaram a surgir comentários de que o técnico
estaria envolvido em transações entre atletas. Malucelli
também compra carros para Luxemburgo nos leilões da
Receita Federal paranaense. No ano passado, arrematou um Porsche,
um Mercedes e uma perua Cherokee. Os veículos foram depois
revendidos pelo técnico.
Ser
técnico da Seleção Brasileira de Futebol é
como viver entre o céu e o inferno. Em época de Copa
do Mundo ou de Jogos Olímpicos, não há ninguém
no país, exceto talvez o presidente da República,
que viva tão intensamente sob os holofotes e na boca do povo,
dividindo opiniões como o personagem-chave da maior paixão
nacional. Com poderes de monarca absolutista, o treinador convoca
os jogadores que quiser, barra ídolos, lança novos
craques, pode promover pernas-de-pau, escala o time ao seu bel-prazer,
determina o esquema tático, substitui quem bem entender,
ganha, perde, empata e continua fazendo tudo isso ora aplaudido
como mestre estrategista, ora xingado de burro, até o dia
em que, bem mais envelhecido e rico, é sucedido por outro
semideus dos gramados.
Agora
chegou a vez do fluminense Wanderley Luxemburgo da Silva, ex-lateral
medíocre, ex-feirante, ex-vendedor de carros usados, comerciante
esperto, amigo de empresários da bola, bom dançarino
de salão, hábil jogador de pôquer, consumidor
de charutos cubanos, vinhos caros e roupas de grife, vaidoso como
um pavão e, até recentemente, um respeitado técnico
de futebol. Em seus dois anos de trabalho, a seleção
foi batida por rivais de segunda linha Coréia do Sul,
México, Paraguai, Chile, África do Sul, Camarões.
A turma de craques sob o comando de Luxemburgo fez uma campanha
horrorosa nas eliminatórias e se viu excluída das
Olimpíadas de forma vexatória. Luxemburgo está
saindo de cena escorraçado, sob o ódio dos torcedores.
Segundo uma pesquisa realizada pelo instituto Vox Populi, com exclusividade
para VEJA, 61% dos entrevistados acham que ele é um técnico
incompetente para dirigir a seleção.
Pés
pelas mãos Envolvido em tantas trapalhadas, ele
perdeu o pulso da seleção, trocou os pés pelas
mãos na condução do time e cometeu uma série
de desastres que culminaram no dia 23 com a grotesca derrota para
Camarões. De tão pobre, o país africano não
pôde comprar os direitos de transmissão pela TV das
Olimpíadas. Mas conseguiu humilhar os destronados reis da
bola. "Perder para nove jogadores de Camarões, que estavam
grogues e sofreram o gol de empate no último minuto, foi
inconcebível", afirmou a VEJA, em Sydney, o presidente da
CBF, Ricardo Teixeira. "Repito o que disse no vestiário para
os jogadores e para a comissão técnica: foi inconcebível",
enfatizou Teixeira, que nesta segunda-feira deverá anunciar
no Rio de Janeiro a saída de Luxemburgo e sua provável
substituição pelo gaúcho Luiz Felipe Scolari,
o Felipão, treinador do Cruzeiro, tendo possivelmente o carioca
Carlos Alberto Parreira, campeão mundial em 1994, como coordenador
técnico.
Luiz
Felipe Scolari, com seu jeito rude de colono, bigodudo e deselegante,
é o oposto de Luxemburgo. Ao contrário das envolventes
e belas equipes do Palmeiras e do Corinthians que Luxemburgo treinou,
os times de Felipão jogam um futebol feio, duro. Mas são
muito competitivos. Em dezoito anos de carreira, ele ganhou catorze
títulos de campeão, sete dos quais no Grêmio
Porto-Alegrense e quatro no Palmeiras. Sem os hábitos de
novo-rico de Luxemburgo, embora ganhe mais que ele seu salário
no Cruzeiro giraria em torno de 300 000 reais por mês ,
Felipão dirige um Monza 1987 quando vai ao Rio Grande do
Sul e procura acalmar-se depois das derrotas lavando louça
na cozinha.
Os
resultados da pesquisa Vox Populi, que mostram a assombrosa impopularidade
de Luxemburgo, confirmam o que todos os que acompanham futebol pressentiam.
"Se não se dá ao respeito e não trabalha sério,
a possibilidade de o treinador ganhar a confiança dos torcedores
é nula", observa Telê Santana, falando em tese, segundo
ele, para em seguida dar uma cutucada em Luxemburgo. "Nunca fui
de ficar todo bonito perante a torcida. Eu usava moletom e vivia
trabalhando pelos objetivos do time."
Com
reportagem de
Carlos Rydle e Rodrigo Vergara, de São Paulo,
Márcio Pacelli, de Brasília, Liége
Fuentes, de Curitiba,
Neide
Oliveira, de Belo Horizonte, e Sérgio Ruiz Luz, de
Sydney
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