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Fotos Debby Gram

Da
cabeça aos pés, na forma de short, vestido, calça,
jeans, camiseta, saia e acessórios: seja no visual mais formal
ou no mais esportivo, brilhar é preciso
Gloria
Kalil
Se
os atletas olímpicos não trouxeram o ouro que todo
mundo esperava, não se desespere: a moda do verão
se encarrega de suprir a carência. Toneladas de brilho estão
cintilando tanto nas mais esportivas roupas para o dia quanto nas
mais descaradas e exageradas peças para uso noturno. O dourado,
que vinha se insinuando desde a estação passada, faz
agora uma entrada estrepitosa, como que para tirar o atraso que
a moda minimalista impôs a seus encantos. Amaury Veras, dono
e estilista da Frankie Amaury, do Rio de Janeiro, que sempre teve
no dourado um dos pontos fortes de suas coleções,
comemora. "Felizmente, a fase escura acabou e o ouro voltou. No
fundo, as brasileiras sempre amaram um brilho", diz Veras, que passou
cinco anos sem usar a cor sequer nos botões das jaquetas,
que, por imposição do estilo limpo, substituiu por
prateados. "A moda está menos ditatorial. A mulher pode escolher
entre ser minimalista, japonista ou peruísta", declara, satisfeito.
Peruas
ou não, aberta ou secretamente, as mulheres são fascinadas
pelo dourado desde que o mundo é mundo. As múmias
egípcias eram postas em sossego cobertas e cercadas de ouro.
Nos impérios da Antiguidade, jóias e pesadas correntes
adornavam as senhoras da nobreza, algumas com exageros dignos da
peruagem contemporânea. Na Idade Média, os tecidos
entremeados de fios de ouro eram o supra-sumo do chique. Nos tempos
modernos, manteve-se associado à noite e à formalidade
até 1928, quando Coco Chanel (sempre ela) promoveu sua liberação
para o uso diurno, mais casual, ao plantar botões dourados
em seus tailleurs de tweed e criar as famosas correntes para usar
na cintura e no pescoço, misturadas às muitas voltas
de pérolas. De lá para cá, entrou em uso e
saiu muitas vezes, até topar com a longa abstinência
dos últimos anos embora nunca deixasse de contar com
admiradores fiéis entre os estilistas, como Versace, o rei
dos excessos, e Karl Lagerfeld, há desessete anos no comando
da Chanel.
Na
virada de 2000 o minimalismo enfim chegou ao seu máximo (ou
mínimo) e foi aposentado, dando lugar à vingança
do look perua, com todos os seus excessos. Resultado: roupas que
se cobrem de babados, estampados, peles, cores e brilhos. "No inverno,
o dourado era tendência. Agora, é obrigação",
decreta Caio Gobbi, de São Paulo, o estilista dos modernos.
Ele aponta, inclusive, a pessoa que chancelou o uso do dourado para
os mais avançadinhos: a cantora Madonna, referência
fashion do planeta descolado e informado que, em seu novo clipe,
Music, aparece com roupa branca de caubói coberta
de correntes douradas no decote, no cinto, no chapéu e nos
punhos. A mensagem embutida nessa aparência, propagada antes
de todos pelos rappers americanos, é: somos lindos, somos
ricos, somos poderosos. Com tanta sustentação teórica,
digamos, o jeito é se preparar para brilhar no verão,
dos jeans às camisetas, dos sapatos aos brincos, das saias
curtinhas aos vestidos de noite. "Virou uma grande brincadeira.
Todo mundo quer ser ou parecer rico. É bom, é divertido,
é kitsch", diz Gobbi. Aproveite enquanto dura.
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