Calote
na rede
Stephen
King ameaça deixar livro inacabado
se internautas não pagarem o preço exigido
Os mestres do suspense Stephen King e Frederick Forsyth estão
diante do enigma da internet. A questão colocada é:
como repetir no mundo virtual o sucesso que obtiveram publicando
suas histórias em livros de papel? O projeto de King, o autor
dos best-sellers que serviram de roteiro para os filmes Carrie,
a Estranha e O Iluminado, iniciou bem, com muito barulho,
mas agora começa a definhar. Seu livro A Planta, bolado
para ser vendido exclusivamente pela internet, aos pedaços,
à medida que vai sendo escrito, pode sair da rede antes de
ser concluído. Motivo: grande parte dos leitores está
copiando os capítulos iniciais do livro do site www.stephenking.com
sem pagar o 1 dólar combinado. King, a exemplo de alguns
de seus personagens, pode ser cruel: "Paguem e a história
continua. Roubem e a história acaba. Não se rouba
um jornaleiro cego", escreveu em seu site.
Ninguém pode dizer que não sabia desse risco. Quando
lançou A Planta, King alertou que brecaria o processo
se não houvesse lealdade da parte dos internautas. Desde
a entrega do primeiro episódio, no dia 24 de julho, a porcentagem
de leitores pagantes caiu de 76% para menos de 70%. Agora, a diferença
entre número de downloads e dólares depositados em
sua conta bancária ficou tão gritante que o autor
ameaça não lançar o terceiro capítulo.
Marsha de Filippo, assistente de King, diz que 172.004 pessoas pagaram
pela primeira parte e 74.373 repetiram a dose no segundo capítulo,
até 13 de setembro. King revelou já ter escrito outras
50.000 palavras de A Planta, que só serão publicadas
na web se houver mais de 75% de pagantes. O plano do escritor é
o seguinte: o primeiro, o segundo e o terceiro capítulos
custarão 1 dólar cada um. Os cinco seguintes custarão
2 dólares a unidade. O leitor que cumprir todo o roteiro
de pagamentos desembolsará 13 dólares. O que não
é pouco. O livro Carrie, na Amazon.com, pode ser comprado
por 7,20 dólares.
O escritor britânico Frederick Forsyth, 62 anos, 60 milhões
de livros vendidos e sucessos como O Dia do Chacal e O
Dossiê Odessa, enveredou também pela internet.
Mas, ao colocar cinco novos contos na rede, em outubro, optou por
um sistema conservador. Só leva quem pagar. Cada um custa
6 dólares no site da editora Online Originals (www.onlineoriginals.com).
Uma trava digital impede que o livro seja reproduzido e pirateado.
Para convencer o leitor internauta, o autor desfia argumentos bem
práticos, em lugar de lições de moral. As histórias
de Forsyth têm, em média, 20.000 palavras e, segundo
ele, devem proporcionar cerca de duas horas de distração
ao leitor.
Alguns especialistas, tentando matar a charada do mercado da internet,
sugerem que publicar obras exclusivamente em formato digital pode
não ser um grande negócio. Forsyth vai tentar conferir.
King, por sua vez, garante que dinheiro nunca foi seu objetivo.
De fato, isso não deve ser um problema para quem, como ele,
já recebeu mais de 48 milhões de dólares de
direitos autorais. O desafio, garante, é desbravar a internet.
"Até agora tem sido divertido", escreveu ele. Os leitores
esperam que continue sendo.
|