É possível
ver de perto
Protegidas,
as baleias jubarte e franca
multiplicam-se e já podem ser vistas
por turistas no litoral
Rachel
Verano
Enrico Marcovaldi
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| Baleias
jubarte em Salvador: sem
medo da aproximação
dos
barcos |
Todo
ano, no início do inverno, centenas de baleias começam
a chegar às águas brasileiras, vindas da Antártica,
para aqui se reproduzirem. Durante seis meses, determinados trechos
de nosso litoral se transformam em verdadeiras maternidades desses
mamíferos gigantes. Estamos agora no auge da temporada das
baleias no Brasil e há pelo menos dois bons motivos para
comemorar. O primeiro é que as baleias jubarte não
estão mais restritas ao parque nacional do Arquipélago
de Abrolhos, no sul da Bahia. Um claro sinal de recuperação
da espécie, que, aos poucos, começa a repovoar as
áreas ocupadas antes da matança indiscriminada que
quase fez desaparecer esses animais no início do século
XX. O número de avistamentos desses mamíferos no litoral
norte da Bahia foi tão surpreendente nos últimos dois
anos que o Instituto Baleia Jubarte, que trabalha pela preservação
da espécie no Brasil, está instalando uma filial de
pesquisas na Praia do Forte, a 87 quilômetros de Salvador.
O segundo motivo é a criação do primeiro santuário
oficial destinado às baleias no Brasil. Trata-se da Área
de Proteção Ambiental da Baleia Franca, que ocupa
156.000 hectares do litoral catarinense,
com 120 quilômetros de extensão.
Paulo Flores
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| Baleia
franca em Santa Catarina: o animal se exibe para os turistas
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As duas novidades mostram que a incansável luta entre conservacionistas
e predadores finalmente teve uma trégua. Protegidas, as baleias
franca e jubarte estão se recuperando, aumentando sua população
e ganhando mais espaço no litoral brasileiro. Como resultado,
são vistas cada vez mais freqüentemente, protagonizando
um verdadeiro show de exibições bem perto da costa.
Era o que faltava para colocar o Brasil no mapa de um dos ramos
do ecoturismo que mais crescem no mundo: o da observação
de baleias. Apenas no ano passado 8 milhões de pessoas em
87 países viajaram para ver esses animais, movimentando cerca
de 1 bilhão de dólares. O Brasil ainda está
engatinhando, mas já mostra sinais de enorme potencial. Quando
migram para as águas rasas e claras de Abrolhos, as cerca
de 1.600 jubartes arrastam consigo um
grupo de turistas quase cinco vezes maior. Mansos, esses enormes
animais, que chegam a medir 16 metros de comprimento e pesar 40
toneladas, costumam aproximar-se dos barcos de observação
e presentear os passageiros com seu canto melancólico e imagens
surpreendentes. Muitas vezes aparecem acompanhadas dos filhotes
recém-nascidos.
Tudo
indica que o sucesso das baleias jubarte em Abrolhos vai repetir-se
no litoral norte da Bahia. Ali já é possível
vê-las da praia. Pela característica da espécie,
elas ficam a partir de 3 quilômetros de distância da
areia o suficiente para ser vistas as acrobacias e os borrifos
de água, que chegam a atingir 3 metros de altura. Apenas
em agosto, o primeiro mês de atuação da base
do Instituto Baleia Jubarte na Praia do Forte, catalogaram-se dezessete
baleias e 76 avistamentos no litoral norte do Estado. "Os números
superaram todas as nossas expectativas, que já eram enormes",
diz Enrico Marcovaldi, coordenador da nova base do instituto. "Já
existe um grande interesse no desenvolvimento de uma estrutura para
o turismo consciente de observação das baleias também
aqui na Praia do Forte." Tanto entusiasmo tem uma razão.
Esta é uma modalidade de turismo que, por acontecer em áreas
protegidas, se desenvolve sob o controle dos próprios grupos
de conservação das espécies. E os fundos arrecadados
com a atividade unem os ecologistas e a comunidade da região
em torno do único propósito de proteger os animais.
Todos saem ganhando.
Cara
a cara Quando iniciou suas atividades de preservação
no litoral de Santa Catarina, há dezoito anos, o Projeto
Baleia Franca encontrou um quadro delicado. A espécie tinha
praticamente desaparecido das águas brasileiras. No primeiro
ano, elas simplesmente não vieram. No ano seguinte, foi visto
apenas um animal com seu filhote. Hoje, o Brasil recebe cerca de
200 baleias por ano, quantidade significativa, pois se estima que
existam apenas 7.000 exemplares da espécie
em todo o mundo. O espetáculo apresentado pelas baleias é
fascinante. Enormes, com seus 18 metros de comprimento e 60 toneladas
de peso, elas ficam muito próximas da praia, logo depois
da arrebentação, a cerca de 30 metros de distância
da areia. Neste ano, está sendo testado um barco de turismo
para ver as baleias de perto. As primeiras experiências foram
surpreendentes. Num dos passeios no município de Imbituba,
uma baleia chegou a encostar no barco e ficou cara a cara com os
turistas. "É uma experiência indescritível",
resume José Truda Palazzo Júnior, coordenador do projeto.

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