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Edição 1 767 - 4 de setembro de 2002
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Uma lição para os pais

Como ajudar aquele filho que traz
tantas más notícias da escola

O filho tem problemas de desinteresse, baixo rendimento ou mau comportamento na escola e os pais, sentindo-se culpados, metem os pés pelas mãos excedendo-se nas cobranças ou ajudando até mais do que deveriam. Para o psiquiatra Içami Tiba, autor dos livros Ensinar Aprendendo e Disciplina, Limite na Medida Certa, esse é um erro grave. "As broncas desmedidas pioram a auto-estima da criança e causam ainda mais ansiedade", afirma o especialista. "Já os pais que tomam para si a realização de tarefas, achando que colaboram para o bom desempenho do filho, estão ofendendo a dignidade da criança e desacreditando sua capacidade."

O melhor a fazer, segundo ele, é apenas dar apoio à criança nas dificuldades diante das lições, sugerindo, por exemplo, onde encontrar o caminho de uma solução. Além disso, é importante encarar o reforço escolar como uma oportunidade para que o filho melhore seu desempenho. Contratar um professor particular dá ao aluno uma chance de aprender a estudar corretamente.

Um dos parâmetros para os pais acompanharem o rendimento dos filhos ainda é o velho boletim escolar, ensina o professor Wanderley Galvão, diretor do Colégio Bernardino de Campos, de São Paulo. Esse instrumento mudou, resulta de novas formas de avaliação e está mais próximo de espelhar o comportamento, a responsabilidade e a assimilação do conteúdo de cada disciplina.

 

Cães, gatos e uma polêmica
sobre alergias

Estudo americano contraria teses consagradas
sobre a presença de animais em casa

Um estudo publicado na semana passada no Jornal da Associação Médica Americana faz balançar alguns conceitos normalmente aceitos sobre alergias e animais. Crianças que convivem com dois ou mais animais de estimação em seu primeiro ano de vida podem ter até menos probabilidades de desenvolver alergias do que aquelas que não têm bichinhos em casa, afirma o estudo realizado no Instituto de Alergias e Doenças Infecciosas e no Instituto de Ciências da Saúde Ambiental dos Estados Unidos. O coordenador do trabalho, Dennis Ownby, acompanhou 474 crianças desde o nascimento até completarem 7 anos. Ele encontrou evidências de que bactérias presentes nos animais domésticos não deixam que o organismo desenvolva sensibilidade a substâncias que causam alergia, como pêlos de cachorro. Boa parte das crianças estudadas tornou-se imune à alergia a animais e também a alergias comuns, como ao pó e à grama.

"Precisamos de mais estudos que confirmem a tese", afirma Maria de Fátima Marcelos Fernandes, presidente da regional paulista da Sociedade Brasileira de Alergia e Imunopatologia. Ela destaca que o princípio que rege a alergologia é o oposto. "Quanto mais precoce e maior o contato de quem tem tendência a ter alergia com um fator irritante, maior o risco de esse organismo desenvolver a alergia", explica. A peça que falta à teoria de Ownby é determinar exatamente a quantidade certa de exposição da criança aos fatores alérgenos para que o organismo não desenvolva a alergia e se torne imune aos fatores irritantes. Por isso, alertam os médicos, ninguém está autorizado, ainda, a botar o cãozinho junto do bebê para iniciar a imunização.

Veja também
Dos arquivos de VEJA
Reportagem de 31/7/2002: "A guerra contra as alergias"
Infográfico de 31/7/2002: "Na cama com o inimigo"

 

Colaboraram Mônica Nicoletta e Tatiana Schibuola

 
 
   
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