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Movido a água

BMW exibe no Brasil carro a hidrogênio
que emite vapor em lugar de poluentes

 
Divulgação




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Dos arquivos de VEJA
Reportagem de 19/6/2002: "Álcool ou gasolina? Tanto faz"

Produzir veículos mais limpos, que não emitam monóxido de carbono – um dos gases responsáveis pelo aquecimento global –, é uma obsessão mundial. O candidato mais forte como substituto dos combustíveis fósseis é o hidrogênio, o elemento químico mais comum na natureza, cuja queima libera vapor de água em lugar de poluentes. Quase todos os grandes fabricantes têm em seus laboratórios um projeto desse tipo. Na maioria deles, o gás é usado para produzir uma reação eletroquímica e gerar a energia elétrica que aciona os motores – princípio chamado de fuel cell, ou célula de combustível. Os brasileiros poderão conferir uma concepção diferente, a do BMW 745h, cujo motor queima hidrogênio como se fosse gasolina. Ele será exibido durante o Congresso Mundial do Petróleo, no Rio de Janeiro, nesta semana. O gás é armazenado em forma líquida num cilindro reforçado. Há outro tanque, de 90 litros, para a gasolina, pois o motor pode funcionar com ambos os combustíveis.

O objetivo do duplo reservatório é resolver a questão da pouca autonomia, um defeito dos motores alternativos. Os dois principais modelos de carro elétrico à venda nos Estados Unidos, o EV1, da GM, e o EV Plus, da Honda, precisam ser recarregados a cada 150 quilômetros. O BMW 745h pode rodar apenas 300 quilômetros com hidrogênio. A gasolina permite viajar outros 600 quilômetros e oferece uma garantia a mais caso o motorista não encontre postos de abastecimento. "Podemos começar a produzir esse modelo em quatro anos", diz Andreas Klugescheid, porta-voz do projeto de energia limpa da fábrica alemã. A tendência é que cada vez mais os países e os consumidores exijam veículos pouco poluentes. O Estado americano da Califórnia, por exemplo, dono de uma frota de 26 milhões de automóveis, estipulou que dentro de dois anos 2% dos carros novos devem ter classificação zero de poluição. O problema para adotar combustíveis alternativos é que a novidade custa caro, e não apenas porque o preço dos automóveis é 30% mais alto, em média. O BMW 745 convencional custa 350 000 reais. Antes de pôr veículos movidos a hidrogênio na rua, é preciso criar uma rede de abastecimento. Na Europa inteira existem apenas dez lugares onde se pode abastecer um carro assim.

   
 
   
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