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Esticada a seco

Novidade dermatológica: creme
que age sobre a musculatura ajuda
a dar uma levantadinha geral

Silvia Rogar

 
Courtesy of NY Perricone, MD, Cosmeceuticals

Paciente americana, antes e depois de dezesseis semanas de creme: pálpebras e contorno da boca

Para manter a aparência jovem e adiar o encontro com o bisturi, as mais experientes no assunto já se acostumaram a sacrifícios que vão de injeção na testa – de Botox, claro – a aparições públicas no melhor estilo lagarto descamado, resultado de peelings faciais com ácidos ou raios laser. Perto disso, dá até para desconfiar dos efeitos da última novidade no assunto, que promete uma esticadinha básica quase instantânea: o creme à base de dimetilaminoetanol, ou DMAE, para simplificar. As primeiras pesquisas começaram no fim da década de 90, nos Estados Unidos, e a substância chegou ao Brasil no início deste ano, precedida pela fama de regeneradora da firmeza que a pele perde com o passar do tempo. Ao contrário da maioria dos cosméticos, o creme não age sobre as camadas superficiais ou mais profundas da pele, e sim na contração muscular. Por isso, não é preciso evitar o sol nem temer descamações. A novidade já ganhou adeptos entre celebridades americanas, como Julia Roberts, Michael Douglas e Kim Cattrall (a fogosa quarentona Samantha Jones, do seriado Sex and the City), e começa a se espalhar entre as brasileiras. "Estou usando há vinte dias no pescoço. Tinha um papinho que me incomodava e agora acho que a região ficou mais firme", diz a atriz Luiza Tomé, 39 anos. O pescoço também foi a área em que sua colega Françoise Forton, 46, sentiu mais efeitos. "Tem gente pensando que fiz alguma cirurgia", conta.

Como aconteceu no caso do Botox, produzido com uma toxina usada inicialmente para problemas oftalmológicos, a propriedade estética do DMAE foi descoberta por acaso. O dimetilaminoetanol, substância encontrada principalmente em peixes, como salmão e anchova, foi reproduzido em laboratório com a finalidade de tratar casos de hiperatividade e depressão. Tomado na forma de comprimidos, observou-se que seu efeito adverso era justamente contrair excessivamente os músculos do pescoço dos pacientes. Daí para ter a idéia de tentar transformar o problema em solução não demorou muito. Hoje, o DMAE é empregado principalmente para melhorar o tônus da região das pálpebras, do pescoço e do contorno do rosto. No Brasil, ainda não é possível encontrar o produto na forma de creme industrializado, mas os médicos que aderiram a ele têm prescrito fórmulas executadas em farmácias de manipulação. Não só para o rosto, aliás. Existe o creme à base de DMAE para o corpo, e ainda uma concentração especial para a região ao redor dos lábios. "Dá para sentir a pele mais firme apenas quinze minutos depois do primeiro uso", disse a VEJA o dermatologista Nicholas Perricone, professor da Universidade Yale, nos Estados Unidos, um dos precursores e maiores entusiastas do creme. Perricone escreveu um livro, campeão de vendas, com um título do tipo que faz soar os alarmes de suspeita de picaretagem, The Wrinkle Cure (A Cura das Rugas). A promessa absurda não significa necessariamente que o DMAE seja mais uma enganação cosmética.


Lino Rodrigues
Luiza Tomé entra para o clube do DMAE, que segundo médico americano já tem adeptas do porte de Julia Roberts e Kim Cattrall: "Acho que o pescoço ficou mais firme"


Quem já experimentou o creme diz que a sensação imediata é de uma leve repuxada, como se tivesse passado clara de ovo sobre a pele. De fato, Perricone constatou em suas pesquisas que os efeitos de uma única aplicação são rápidos e não passam de 24 horas – o chamado efeito Cinderela, uma esticada do tipo vapt-vupt que as mulheres estão utilizando quando, por exemplo, vão a uma festa. Em geral, resultados mais evidentes e duradouros só aparecem depois de dois meses de uso contínuo, uma ou duas vezes ao dia. Quem se aventurar também precisa estar preparado para outra característica, uma espécie de "efeito vampiro" (daqueles que envelhecem séculos à simples exposição a um raio de sol): é só parar de aplicar o produto e, em questão de semanas, a pele volta ao que era. "O DMAE não é milagroso. Não atua em todos os casos e só tem efeito em pacientes magros e não muito envelhecidos", alerta o dermatologista carioca Walter Guerra Peixe. "E nunca vai substituir a plástica. Ele é só mais um coadjuvante no combate ao envelhecimento."

Como o produto não evita as rugas nem acaba com elas, os médicos o têm combinado com outras substâncias, principalmente a vitamina C, que previne os danos causados pelo sol, e ácidos, para a renovação celular. As pesquisas feitas até agora indicam que o DMAE estimula a produção de um neurotransmissor chamado acetilcolina, principal responsável pela contração do músculo, que, com o envelhecimento, vai se tornando escasso. Com a musculatura tonificada, a pele recupera algo da firmeza perdida. "Ainda não se sabe quais são os efeitos do DMAE a longo prazo", adverte a dermatologista Ana Lúcia Recio, de São Paulo. A curto prazo, quem está experimentando tem registrado efeitos positivos. "Quem ficou muito tempo sem me ver pensa que a mudança foi feita com bisturi", conta a empresária Elisabeth Martins, 50 anos, usuária do creme desde fevereiro. "Por enquanto, os planos de cirurgia estão suspensos."

   
 
   
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