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Revisão de
genes
O peso
da genética no surgimento
do câncer de mama pode ser menor
do que se imaginava
Paula Neiva

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Em meados
da década de 90, com a descoberta dos genes BRCA1 e BRCA2, foi
comprovada a relação entre câncer de mama e hereditariedade.
Estudos feitos na época mostravam que uma mulher portadora de mutações
nesses genes tinha 80% de possibilidade de desenvolver a doença.
Ao receber o diagnóstico positivo para essas anomalias genéticas,
muitas mulheres optaram por extirpar os seios, numa operação
conhecida como mastectomia preventiva. Uma pesquisa publicada recentemente
no Journal of the National Cancer Institute, revista do Instituto
Nacional do Câncer, dos Estados Unidos, indica que algumas dessas
cirurgias podem ter sido desnecessárias. Coordenado por uma equipe
do Memorial Sloan-Kettering Cancer Center, de Nova York, um dos mais prestigiosos
centros de pesquisa sobre a doença, o estudo não descarta
a relação entre o câncer e os genes defeituosos, mas
sugere que o peso das mutações como fator de risco não
é tão grande quanto se acreditava.
O trabalho
é uma análise acurada de oito pesquisas recentes sobre o
assunto. Foram detectadas falhas importantes nelas. Nenhuma levou em conta
se as pacientes estudadas tinham outros fatores de risco para a doença,
além de defeitos nos genes BRCA1 ou BRCA2. Elas também apresentaram
resultados bastante discrepantes. Numa, os riscos associados às
mutações genéticas são de 26%. Em outra, de
74%. Ou seja, as porcentagens não são confiáveis.
"Devemos
encarar o estudo do Sloan-Kettering com certo otimismo. Ele mostra que,
do ponto de vista genético, o câncer de mama não é
tão inevitável como parecia. Que é possível
preveni-lo sem recorrer a procedimentos radicais", afirma Bernardo Garicochea,
coordenador da unidade de aconselhamento genético e prevenção
de câncer do Hospital Sírio Libanês, em São
Paulo. Esse tipo de tumor está muito associado aos piores aspectos
da modernidade. O sedentarismo, as dietas ricas em gordura e o excesso
de peso funcionam como poderosos gatilhos para o aparecimento da doença
com ou sem risco genético. Evitar um estilo de vida pernicioso
é a melhor arma contra o mais comum e letal câncer feminino.
Só em 2002, 36 100 brasileiras serão vítimas da doença.
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Em 2002, 36 100 brasileiras
receberão o diagnóstico de câncer de mama
Estima-se
que 5% das
pacientes sejam portadoras de mutações nos genes BRCA1
e BRCA2
Até a semana passada, acreditava-se que uma mulher com essas
anomalias genéticas tinha 80%
de possibilidade de sofrer de câncer
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