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Edição 1 767 - 4 de setembro de 2002
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Revisão de genes

O peso da genética no surgimento
do câncer de mama pode ser menor
do que se imaginava

Paula Neiva


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Como fazer o auto-exame
Dos arquivos de VEJA
Reportagem da edição especial VEJA Sua Saúde, de 28/3/2001: "O mal das mulheres modernas"
Reportagem de 31/1/2001: "O que funciona contra o câncer"
Da internet
Câncer de mama
Sociedade Brasileira de Cancerologia
Sociedade Brasileira de Mastologia
Memorial Sloan-Kettering Cancer Center (em inglês)

Em meados da década de 90, com a descoberta dos genes BRCA1 e BRCA2, foi comprovada a relação entre câncer de mama e hereditariedade. Estudos feitos na época mostravam que uma mulher portadora de mutações nesses genes tinha 80% de possibilidade de desenvolver a doença. Ao receber o diagnóstico positivo para essas anomalias genéticas, muitas mulheres optaram por extirpar os seios, numa operação conhecida como mastectomia preventiva. Uma pesquisa publicada recentemente no Journal of the National Cancer Institute, revista do Instituto Nacional do Câncer, dos Estados Unidos, indica que algumas dessas cirurgias podem ter sido desnecessárias. Coordenado por uma equipe do Memorial Sloan-Kettering Cancer Center, de Nova York, um dos mais prestigiosos centros de pesquisa sobre a doença, o estudo não descarta a relação entre o câncer e os genes defeituosos, mas sugere que o peso das mutações como fator de risco não é tão grande quanto se acreditava.

O trabalho é uma análise acurada de oito pesquisas recentes sobre o assunto. Foram detectadas falhas importantes nelas. Nenhuma levou em conta se as pacientes estudadas tinham outros fatores de risco para a doença, além de defeitos nos genes BRCA1 ou BRCA2. Elas também apresentaram resultados bastante discrepantes. Numa, os riscos associados às mutações genéticas são de 26%. Em outra, de 74%. Ou seja, as porcentagens não são confiáveis.

"Devemos encarar o estudo do Sloan-Kettering com certo otimismo. Ele mostra que, do ponto de vista genético, o câncer de mama não é tão inevitável como parecia. Que é possível preveni-lo sem recorrer a procedimentos radicais", afirma Bernardo Garicochea, coordenador da unidade de aconselhamento genético e prevenção de câncer do Hospital Sírio Libanês, em São Paulo. Esse tipo de tumor está muito associado aos piores aspectos da modernidade. O sedentarismo, as dietas ricas em gordura e o excesso de peso funcionam como poderosos gatilhos para o aparecimento da doença – com ou sem risco genético. Evitar um estilo de vida pernicioso é a melhor arma contra o mais comum e letal câncer feminino. Só em 2002, 36 100 brasileiras serão vítimas da doença.

 

Em 2002, 36 100 brasileiras receberão o diagnóstico de câncer de mama

Estima-se que 5% das pacientes sejam portadoras de mutações nos genes BRCA1 e BRCA2

Até a semana passada, acreditava-se que uma mulher com essas anomalias genéticas tinha 80% de possibilidade de sofrer de câncer



   
 
   
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