Publicidade
buscas
cidades PROGRAME-SE
Edição 1 767 - 4 de setembro de 2002
Diogo Mainardi

estasemana
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Índice
Seções
Brasil
Internacional
Geral
Guia
Artes e Espetáculos

colunas
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Luiz Felipe de Alencastro
Sérgio Abranches
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo

seções
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Carta ao leitor
Entrevista

Cartas
Radar
Holofote
Contexto
VEJA on-line
Veja essa
Arc
Gente
Datas

Para usar
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos

arquivoVEJA
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Arquivo 1997-2002
Reportagens de capa
2000|2001|2002
Entrevistas
2000|2001|2002
Busca somente texto
96|97|98|99|00|01|02


Crie seu grupo




 

Diogo para
presidente (2)

"O Brasil precisa de legalidade.
O problema é que a ilegalidade
é tão difusa que o único jeito de
debelá-la é legalizá-la. Essa é
minha plataforma revolucionária"

Continuando minha campanha para presidente, que avança inexoravelmente rumo à vitória, venho a público para lançar algumas propostas no campo da criminalidade. Os outros candidatos prometem contratar mais policiais e prender mais bandidos? Eu prometo o contrário: minha primeira medida será abrir as cadeias e soltar um monte de gente. Exasperados, os brasileiros vivem comparando a violência urbana a uma guerra civil. Pois é assim que terminam as guerras civis: com uma anistia. Lincoln anistiou os inimigos sulistas na Guerra Civil americana da mesma maneira que, um século e meio depois, a força internacional de paz anistiou os prisioneiros comuns na Bósnia. Em meu governo, os únicos que permaneceriam na cadeia seriam os condenados por crimes graves, com penas superiores a dez anos, que seriam transferidos para as cadeias mais modernas e seguras do país. Isso resultaria numa imediata melhoria do sistema penitenciário brasileiro, com a eliminação do problema da superlotação e a conseqüente diminuição do risco de fugas, rebeliões e abusos entre os presos. O Estado gasta mais de 500 reais mensais para cada preso na cadeia. Eu daria, portanto, 500 reais mensais aos anistiados pelo prazo de um ano, como salário de reintrodução social. Muitos usariam o dinheiro para financiar um retorno ao crime, claro, mas a taxa de reincidência certamente seria mais baixa que a atual, em torno de 85%.

Considere também, caro eleitor, as vantagens que uma anistia traria ao sistema judiciário, com o cancelamento de milhares de processos, que atualmente paralisam os tribunais. Uma Justiça mais eficiente é a melhor garantia contra o crime. Quanto à polícia, devemos tentar tirar proveito de sua notória conivência com os bandidos. Eu instituiria uma comissão semelhante à que atuou na transição política da África do Sul, sob o comando do bispo Desmond Tutu. Em nosso caso, os policiais corruptos que admitissem seus vínculos com o crime seriam plenamente perdoados, desde que denunciassem seus corruptores e ajudassem a capturá-los. Pense na quantidade de informações que nossos policiais corruptos possuem. O suficiente para liquidar o tráfico de drogas e armas no Brasil.

Minha anistia beneficiaria igualmente todos os brasileiros que construíram seus barracos de forma clandestina, dando-lhes títulos de propriedade e cobrando-lhes um simbólico IPTU. Por outro lado, os que sonegaram impostos ou fizeram remessas ilícitas para o exterior teriam o direito de regularizar sua situação fiscal mediante uma multa camarada. Essa gente costuma ser muito malvista pela sociedade, mas eu acho que a sonegação de impostos e a remessa ilícita para o exterior têm um aspecto altamente meritório, como manifestações de protesto cívico e desconfiança em relação aos políticos.

O Brasil precisa de legalidade. O problema é que a ilegalidade é tão difusa que o único jeito de debelá-la é legalizá-la. É com essa plataforma revolucionária que pretendo ganhar as eleições. Vote em mim. Se minhas argumentações não o convencem, não se preocupe, porque prometo que, logo depois de eleito, renuncio, deixando o Brasil nas mãos do vice-presidente. Quanto a mim, nomeio-me adido cultural num país bem distante e desapareço.

 
 
   
  voltar
   
  NOTÍCIAS DIÁRIAS