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Edição 1 767 - 4 de setembro de 2002
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Na fronteira da morte


Liane Neves
Uma sala de UTI: a dramática escolha entre a morte e a luta pela vida

O avanço da tecnologia e das drogas e o refinamento das práticas médicas permitem hoje manter vivos numa sala de UTI pacientes terminais que há alguns anos não teriam a mesma oportunidade. O progresso é formidável quando, além de impedir a morte dos pacientes, permite que eles saiam da UTI com vida. A história é muito mais complexa e dramática quando o prolongamento artificial da vida não tem como resultado a recuperação da saúde, sendo antes um doloroso calvário de procedimentos médicos que servem apenas para o retardamento da morte. A reportagem especial que VEJA publica nesta edição relata o dilema de parentes e médicos colocados diante dessa escolha: manter os aparelhos ligados ou desligá-los quando não há mais esperança de recuperação para o doente.

Durante um mês, o repórter Diogo Schelp, de 26 anos, há dois anos em VEJA, passou dias, noites e madrugadas ao lado de filhos, pais, irmãos, maridos e esposas que enfrentavam esse dilema: decidir sobre a manutenção ou não da vida precária de seus parentes nas UTIs dos hospitais. Schelp esteve em uma dezena de hospitais, entrevistou médicos, religiosos e especialistas em ética. Enfrentou as situações emocionalmente mais difíceis de sua carreira. Ele testemunhou parentes desorientados, incapazes de decidir entre sua fé na recuperação do doente e a aceitação do diagnóstico dos médicos a favor de desligar a aparelhagem. A mãe de um paciente de doença degenerativa disse-lhe que sempre imaginou que perderia o filho um dia, mas nunca pensara que poderia caber a ela resolver em que momento isso aconteceria. Ao conversar com o rapaz, Schelp encontrou-o lúcido, consciente da própria situação e ansioso por uma única informação: queria saber se o repórter tinha alguma novidade sobre a possível cura da doença que o levou a viver entubado numa unidade de terapia intensiva. Diogo teve de responder que não.

 
 
   
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