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Na
fronteira da morte
Liane Neves
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| Uma
sala de UTI: a dramática escolha entre a morte e a luta pela
vida |
O
avanço da tecnologia e das drogas e o refinamento das práticas
médicas permitem hoje manter vivos numa sala de UTI pacientes terminais
que há alguns anos não teriam a mesma oportunidade. O progresso
é formidável quando, além de impedir a morte dos
pacientes, permite que eles saiam da UTI com vida. A história é
muito mais complexa e dramática quando o prolongamento artificial
da vida não tem como resultado a recuperação da saúde,
sendo antes um doloroso calvário de procedimentos médicos
que servem apenas para o retardamento da morte. A reportagem
especial
que VEJA publica nesta edição relata o dilema de parentes
e médicos colocados diante dessa escolha: manter os aparelhos ligados
ou desligá-los quando não há mais esperança
de recuperação para o doente.
Durante um mês, o repórter Diogo Schelp, de 26 anos, há
dois anos em VEJA, passou dias, noites e madrugadas ao lado de filhos,
pais, irmãos, maridos e esposas que enfrentavam esse dilema: decidir
sobre a manutenção ou não da vida precária
de seus parentes nas UTIs dos hospitais. Schelp esteve em uma dezena de
hospitais, entrevistou médicos, religiosos e especialistas em ética.
Enfrentou as situações emocionalmente mais difíceis
de sua carreira. Ele testemunhou parentes desorientados, incapazes de
decidir entre sua fé na recuperação do doente e a
aceitação do diagnóstico dos médicos a favor
de desligar a aparelhagem. A mãe de um paciente de doença
degenerativa disse-lhe que sempre imaginou que perderia o filho um dia,
mas nunca pensara que poderia caber a ela resolver em que momento isso
aconteceria. Ao conversar com o rapaz, Schelp encontrou-o lúcido,
consciente da própria situação e ansioso por uma
única informação: queria saber se o repórter
tinha alguma novidade sobre a possível cura da doença que
o levou a viver entubado numa unidade de terapia intensiva. Diogo teve
de responder que não.
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