Edição 1865 . 4 de agosto de 2004

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Radar

Lauro Jardim (ljardim@abril.com.br)

GOVERNO

Cabeça na forca
Um detalhe que ficou oculto até agora: há três semanas, Henrique Meirelles convidou um alto executivo do mercado financeiro, que trabalha em São Paulo num banco estrangeiro, para integrar a diretoria do Banco Central. Entraria na vaga de Luiz Candiota, que já se sentia com a cabeça na forca. O executivo não aceitou e o resto da história é a que se conhece.

É o tal do aparelhamento...
O.k., o presidente do Banco do Brasil, Cássio Casseb, não tinha conhecimento da liberação dos 70.000 reais que acabariam revertendo para ajudar na compra de uma nova sede para o PT. Mas por que não punir os responsáveis pelo péssimo uso do dinheiro público, se ele mesmo reconheceu que o banco errou? Talvez porque eles sejam justamente petistas de carteirinha, cujas nomeações Casseb foi obrigado a aceitar goela abaixo.

 

• ELEIÇÕES 2004

O valor das pesquisas
O grande efeito das pesquisas eleitorais divulgadas na semana passada não é sobre o eleitor, mas sobre a arrecadação de campanha. Fica difícil levantar fundos com os números mirrados – é o que têm constatado os tesoureiros dos partidos.

O magistrado
O Planalto fez diversas consultas e definiu pela não participação de Lula nos programas eleitorais de rádio e TV.

 

Ele ajuda uns e atrapalha outros

Joedson Alves/AE
Lula: sua popularidade subiu nas capitais


Uma pesquisa do Vox Populi, fechada na semana passada, reforça a idéia de como o desempenho de Lula pode influir na eleição. Em São Paulo, onde Marta Suplicy cresceu, o número dos que consideram o governo Lula "ótimo" ou "bom" subiu de 26% para 30%. No Rio de Janeiro, onde o petista Jorge Bittar amarga magros 3% das intenções de voto, o índice dos que consideram o governo "ótimo" ou "bom" caiu de 28% para 22% entre junho e julho. Aliás, as pesquisas que estão sendo feitas nesta temporada pré-eleitoral detectaram uma boa-nova para Lula. Sua popularidade aumentou na maioria das capitais – onde normalmente a avaliação positiva de seu governo é menor que no interior. A recuperação é pequena ainda, mas pode ser creditada ao início da recuperação econômica e, sobretudo, ao fato de a agenda negativa ter aparentemente ficado para trás.

 

• PFL

Articulação antecipada
Os caciques pefelistas Jorge Bornhausen, Marco Maciel e José Carlos Aleluia aproveitaram a viagem a São Paulo, na semana passada, onde participaram de eventos de campanha de José Serra, para fechar o apoio do PFL a uma eventual candidatura de Geraldo Alckmin à Presidência em 2006. Eles consideram o governador paulista o mais "conservador" dos postulantes tucanos ao cargo e o que mais dará espaço ao PFL se chegar à Presidência.

 

• CONGRESSO

Um Parlamento antiamericano
George W. Bush não precisa de nenhum Michael Moore para piorar a imagem dos EUA no Congresso Nacional – o prestígio do maior parceiro comercial do Brasil já é o pior possível. Um levantamento inédito feito pelo cientista político Murillo Aragão revela que os EUA (e suas políticas externa e comercial) foram tema de 1 519 discursos proferidos por deputados e senadores em 2003. Desse total, 98% eram de críticas. A borduna foi geral – da direita à esquerda. Quem mais bateu foram o petista Eduardo Suplicy e a deputada tucana Zulaiê Cobra.

 

• BRASIL

Jogo sujo 1
Dois bilhões de reais. Essa cifra mágica tem deixado em polvorosa as grandes empreiteiras brasileiras: é o valor de cinco contratos de licitação que a Infraero está realizando para obras nos principais aeroportos do país. A dinheirama despertou a cobiça das construtoras, que se engalfinham em uma guerra de liminares e denúncias de irregularidades na concorrência – a maior do governo Lula. O Tribunal de Contas da União, o Ministério Público Federal e a Controladoria-Geral da União receberam um dossiê recheado de acusações.

Jogo sujo 2
O mais impressionante, porém, é que as denúncias – até elas – têm cheiro de maracutaia. Os dossiês trazem a assinatura de um certo Mário Campanelli, morador da cidade de São Carlos, em São Paulo. Ocorre que Campanelli, um marceneiro de 78 anos, diz que jamais assinou os documentos e não tem a menor idéia de como seu nome foi parar nessa história. A propósito, o marceneiro nunca andou de avião nem pisou em um aeroporto.

Cofre vazio
Uns dizem que é vingança porque o governador José Reinaldo anda enfrentando a família Sarney, aliada do governo Lula. Outros acreditam em coincidência. Mas é fato que a situação financeira do Maranhão anda complicada. Dos quase 200 milhões de reais aprovados pelo governo em 2003, apenas 1 milhão pingou nos cofres do Estado. Neste ano, piorou: até agora, foram aprovados 175 milhões de reais em emendas e nenhum tostão foi liberado.

 

• ECONOMIA

O Citi negocia
O Citibank está se movimentando de novo para crescer no Brasil. Negocia em estágio adiantado o banco Panamericano com Silvio Santos. O Citi está de olho na financeira do banco de SS.

 

• FUTEBOL

Adiós, Madri
Ronaldo está decidido a trocar a Espanha pela Inglaterra. O craque da seleção quer romper com o Real Madrid. Quer jogar no Manchester United já em 2005. Hoje, sua relação com o time espanhol é bem ruim. Aliás, 2005 trará uma novidade e tanto para os cofres de Ronaldo – ele passa a ser dono do próprio passe e dos direitos de exploração de sua imagem, que hoje é rachada meio a meio com o Real Madrid. Ou seja, se for mesmo para o Manchester, Ronaldo alugará seu passe ao clube inglês.

 

Uma audiência nas alturas

João Miguel Junior/Rede Globo/divulgação
Senhora do Destino: o maior ibope desde 1997


O início de Senhora do Destino foi arrasador em termos de ibope. Foi o melhor primeiro mês de uma novela da Globo desde A Indomada, também escrita por Aguinaldo Silva, em 1997. A audiência média dos primeiros 27 capítulos foi de 48 pontos – 5 a mais que Celebridade e 6 a mais que Mulheres Apaixonadas no mesmo período. Na terça-feira passada, a novela das 8 chegou a bater 59 pontos no Ibope.

 

Colaboraram Daniela Pinheiro, Otávio Cabral e Marcelo Carneiro

 

 

Foto Photodisc

 

 
 
 
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