Edição 1865 . 4 de agosto de 2004

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Os critérios de VEJA


AP
Candiota e Meirelles se explicam na semana passada

No fim de junho passado, VEJA teve acesso a extratos bancários de uma agência nova-iorquina do MTB Bank nos quais apareciam onze operações em nome de Luiz Augusto Candiota, então diretor de política monetária do Banco Central (BC). Paralelamente, VEJA consultou as cinco últimas declarações de renda que Candiota entregara à Receita Federal. O exame dos extratos bancários e das declarações de Candiota apresentava um quadro intrigante: as onze operações, que somavam pouco mais de 1 milhão de dólares, foram realizadas por meio de contas no exterior que Candiota não declarara à Receita. VEJA julgou que os documentos poderiam indicar uma história financeira incompatível com a que se espera de um alto funcionário do Banco Central e se pôs a investigar o caso.

No fim da apuração, VEJA concluiu que, se Candiota cometera mesmo algum deslize, os documentos a que seus repórteres tiveram acesso não constituíam prova irrefutável disso. Com base nessa constatação, a revista decidiu não publicar a reportagem sobre o caso. Na semana passada, a mesma notícia foi publicada pela revista IstoÉ. A notícia foi discretamente reproduzida pelos jornais, mas acabou motivando a saída de Candiota do Banco Central – desenlace que, aí sim, provocou ampla divulgação do episódio. VEJA mantém sua posição inicial em relação ao caso Candiota.

Na tarde de quinta-feira passada, VEJA recebeu outra batelada de documentos, desta vez envolvendo Henrique Meirelles, presidente do Banco Central. Um primo de Meirelles, Marco Túlio Pereira de Campos, foi detido para averiguação pela Polícia Federal no Aeroporto de Congonhas, depois que a máquina de raios X detectou grande quantia de dinheiro em seu poder. Além do dinheiro, Campos trazia consigo uma série de documentos, entre eles procurações para representar Meirelles em transações de compra e venda de ações e imóveis e a certidão de abertura de uma empresa de administração de bens. Após ouvir especialistas e o próprio Meirelles, VEJA considerou que a reportagem atendia aos critérios jornalísticos da revista. Ela aparece na página 38 da presente edição.

 

 
 
 
 
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