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Carta ao leitor
Os critérios de VEJA
AP
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| Candiota e Meirelles se explicam na semana
passada |
No fim de junho passado, VEJA teve acesso a
extratos bancários de uma agência nova-iorquina do
MTB Bank nos quais apareciam onze operações em nome
de Luiz Augusto Candiota, então diretor de política
monetária do Banco Central (BC). Paralelamente, VEJA consultou
as cinco últimas declarações de renda que Candiota
entregara à Receita Federal. O exame dos extratos bancários
e das declarações de Candiota apresentava um quadro
intrigante: as onze operações, que somavam pouco mais
de 1 milhão de dólares, foram realizadas por meio
de contas no exterior que Candiota não declarara à
Receita. VEJA julgou que os documentos poderiam indicar uma história
financeira incompatível com a que se espera de um alto funcionário
do Banco Central e se pôs a investigar o caso.
No fim da apuração, VEJA concluiu
que, se Candiota cometera mesmo algum deslize, os documentos a que
seus repórteres tiveram acesso não constituíam
prova irrefutável disso. Com base nessa constatação,
a revista decidiu não publicar a reportagem sobre o caso.
Na semana passada, a mesma notícia foi publicada pela revista
IstoÉ. A notícia foi discretamente reproduzida
pelos jornais, mas acabou motivando a saída de Candiota do
Banco Central desenlace que, aí sim, provocou ampla
divulgação do episódio. VEJA mantém
sua posição inicial em relação ao caso
Candiota.
Na tarde de quinta-feira passada, VEJA recebeu
outra batelada de documentos, desta vez envolvendo Henrique Meirelles,
presidente do Banco Central. Um primo de Meirelles, Marco Túlio
Pereira de Campos, foi detido para averiguação pela
Polícia Federal no Aeroporto de Congonhas, depois que a máquina
de raios X detectou grande quantia de dinheiro em seu poder. Além
do dinheiro, Campos trazia consigo uma série de documentos,
entre eles procurações para representar Meirelles
em transações de compra e venda de ações
e imóveis e a certidão de abertura de uma empresa
de administração de bens. Após ouvir especialistas
e o próprio Meirelles, VEJA considerou que a reportagem atendia
aos critérios jornalísticos da revista. Ela aparece
na página 38 da presente edição.
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