BUSCA

Busca avançada      
FALE CONOSCO
Escreva para VEJA
Para anunciar
Abril SAC
ACESSO LIVRE
Conheça as seções e áreas de VEJA.com
com acesso liberado
REVISTAS
VEJA
Edição 2015

4 de julho de 2007
ver capa
NESTA EDIÇÃO
Índice
COLUNAS
Millôr
Lya Luft
André Petry
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo
SEÇÕES
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
VEJA.com
Holofote
Contexto
Radar
Veja essa
Gente
Datas
Auto-retrato
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
Publicidade
 

Arqueologia
Reconhecida pelo dente

Identificada a múmia de Hatshepsut,
a rainha egípcia que se proclamou faraó

 
Fotos AFP
Hatshepsut: a múmia estava numa tumba modesta e sem luxo

A rainha Hatshepsut, que governou o Egito por mais de vinte anos no século XV a.C., mandou construir um esplêndido templo funerário para abrigar seus restos mortais mumificados e os de sua família. Erguido no Vale dos Reis, onde hoje fica a cidade de Luxor, o templo foi descoberto em 1903, mas, para a frustração dos arqueólogos, a múmia da rainha não repousava na tumba reservada a ela. Durante mais de um século, permaneceu o mistério: onde estará a múmia de Hatshepsut? Na semana passada, um grupo de cientistas liderados pelo arqueólogo egípcio Zahi Hawass anunciou ter desvendado a charada. Uma das seis múmias que vinham sendo estudadas pela equipe foi identificada como a da rainha. Ao realizarem uma tomografia computadorizada de uma caixa que se encontrava no templo, na qual estava escrito o nome da monarca, os cientistas descobriram em seu interior um fígado mumificado e um dente. Aberta a caixa, descobriu-se que o dente se ajustava perfeitamente à arcada dentária de uma das múmias de quem não se conhecia a identidade. Exames primários de DNA sugerem um parentesco entre a mulher mumificada e Ahmose Nefertari, matriarca da 18ª dinastia egípcia e avó de Hatshepsut. Descobriu-se também que a rainha era obesa, diabética e morreu de câncer nos ossos.


Efígie da rainha: ela era obesa, diabética e morreu de câncer nos ossos

Os cientistas avaliam que, caso os estudos posteriores confirmem a identificação da múmia de Hatshepsut, se estará diante do mais importante feito da arqueologia egípcia desde a descoberta da tumba de Tutankhamon, o faraó-menino, em 1922. Hatshepsut foi a única soberana egípcia a se proclamar faraó, um título outorgado na época apenas aos reis. Seu reinado foi uma época de pujança. A riqueza acumulada foi convertida em campanhas militares que ampliaram o domínio do Egito até onde fica hoje o Sudão. Não é surpresa que seus restos mortais tenham sido achados numa tumba modesta do templo, e não naquela enfeitada especialmente para recebê-la. No Egito antigo, as múmias reais freqüentemente eram retiradas das tumbas e escondidas para evitar a ação de saqueadores. No percurso, as identificações de muitas delas se perdiam. Além disso, assim que assumiu o trono, o sucessor de Hatshepsut, seu enteado Tutmés III, tratou de destruir as marcas deixadas pela madrasta em seu reinado. Estátuas e monumentos dedicados a ela foram destruídos e seu nome foi riscado de muitos registros históricos. É possível que a múmia da rainha tenha sido ocultada para abrigá-la da ira do novo rei. A explicação mais provável para a atitude de Tutmés III é que ele tenha tentado apagar da história egípcia o hiato feminino que representou o reinado de Hatshepsut na linhagem masculina dos Tutmés. Para alguns historiadores, o novo rei teria sido movido também por vingança. Na ordem da sucessão real, Tutmés III deveria ter assumido como faraó, e não Hatshepsut, mas ele era muito criança à época. Crescido o príncipe, a rainha negou-se a lhe entregar o trono.

  VEJA | Veja São Paulo | Veja Rio | Expediente | Fale conosco | Anuncie | Newsletter |