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4 de julho de 2007
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Prepare o seu coração

Um estudo da Organização Mundial de Saúde (OMS)
deu novos números àquilo que os cardiologistas
pregam nos consultórios: quem segue uma rotina
regular de exames do coração desde cedo (leia-se:
a partir dos 25 anos) tem cinco vezes mais chance
de chegar aos 75 sem ter sofrido um infarto.


Monica Weinberg

 
lustração Sophie Blackall

O efeito será ainda maior se a prevenção às doenças cardiovasculares, as que mais matam no Brasil e no mundo, vier junto com uma mudança de hábitos. Aderir à boa alimentação, praticar exercícios físicos e ficar longe do cigarro são medidas que fazem despencar os riscos de uma doença cardíaca – e valem para qualquer pessoa. Especialistas ouvidos por VEJA foram adiante ao formular uma cartilha que separa as várias faixas etárias e indica um conjunto de cuidados específicos para cada idade.

Num cenário ideal, os bons hábitos devem ser cultivados ainda na infância e os primeiros check-ups, feitos na juventude.

Que isso não sirva para desestimular quem nunca se preocupou com o assunto. Diz o cardiologista Daniel Magnoni, do Instituto de Metabolismo e Nutrição: "Mudanças de hábito surtem efeito em qualquer fase da vida".

 

ATÉ OS 30 ANOS

Quantas pessoas sofrem de doenças cardíacas: menos de 1%

Como prevenir:
Jutta klee/Getty Images

• Os pais devem empenhar-se em garantir às crianças uma dieta saudável, o mais longe possível dos doces e frituras típicos dessa faixa etária. O excesso de peso adquirido na infância persiste até a idade adulta em 70% dos casos – e é a principal causa de doenças cardíacas

• Oito em cada dez pessoas começam a fumar antes dos 18 anos. Fuja desse vício. Ele chega a quadruplicar os riscos de uma doença cardiovascular

• Cultive o hábito de praticar esportes desde cedo. Pesquisas mostram que os sedentários na juventude têm mais dificuldade em dar início a uma atividade física depois – metade deles permanecerá para sempre na inércia

Por que procurar o médico: para o primeiro check-up do coração, aos 25 anos. O médico fará uma avaliação clínica e recomendará um conjunto de exames: colesterol, triglicérides, glicemia e hemograma completo. Alguns pedem um raio X do tórax, com base no qual é avaliada a formação do coração, e testes de ácido úrico e proteína C-reativa, novos marcadores de inflamação nas artérias. Dependendo do caso, entram ainda na lista um teste ergométrico e o ecocardiograma


DOS 30 AOS 40 ANOS

Quantas pessoas sofrem de doenças cardíacas: menos de 5%

Como prevenir:

• 40% dos adultos têm o colesterol (LDL) alto – e a maioria passou a apresentar o problema nessa faixa etária. Desacelerar no consumo de doces e gorduras saturadas ajudará a combater o colesterol e fará um bem imediato ao coração: 10% a menos no nível de colesterol reduz em 30% os riscos cardíacos

• Há uma nova razão para praticar esportes. A partir dos 35 anos, o corpo perde naturalmente massa muscular e ganha gordura, uma velha inimiga do coração

• Mais um motivo para seguir uma dieta saudável: a partir dessa fase, as pessoas costumam engordar entre 0,5 e 1 quilo por ano

Por que procurar o médico: para fazer um novo check-up do coração a cada três anos. A suspeita de obstrução nas artérias pode incluir a indicação de exames como cintilografia miocárdica e ultra-som da artéria carótida

 



Procure logo um pronto-socorro se aparecer no peito
uma dor aguda. Nos casos de infarto, ela costuma vir
junto com a sensação de peso no coração e falta de
ar – e pode estender-se ao pescoço e aos braços, que
às vezes ficam dormentes

 

 

"Nasci de novo"

Roberto Setton


A empresária Sonia Madrid, 55 anos, desprezou durante duas décadas a palavra de seu cardiologista: com o diagnóstico de uma lesão na válvula mitral, ela deveria operar o coração. Por pavor, Sonia recusou-se a enfrentar a cirurgia:

"Há três anos, voltei ao cardiologista sem fôlego para subir um lance de escada. Botava a roupa, e parecia que tinha corrido uma maratona. O médico explicou a razão: por causa da válvula defeituosa, havia anos meu coração fazia um esforço fora do comum para funcionar. Se continuasse assim, logo precisaria de um transplante. Com atraso, tomei, enfim, a decisão de operar. E a minha vida mudou. Meses depois, retomei as aulas de dança e contratei um personal trainer. Eu me alimento melhor e nunca mais perdi um check-up. Aos 30 anos me sentia imortal. Com 50, luto para viver mais."

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