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Guia
Prepare o seu coração
Um estudo da Organização
Mundial de Saúde (OMS)
deu novos números àquilo que os cardiologistas
pregam nos consultórios: quem segue uma rotina
regular de exames do coração desde cedo (leia-se:
a partir dos 25 anos) tem cinco vezes mais chance
de chegar aos 75 sem ter sofrido um infarto.

Monica Weinberg
lustração
Sophie Blackall
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O efeito será ainda
maior se a prevenção às doenças
cardiovasculares, as que mais matam no Brasil e no mundo,
vier junto com uma mudança de hábitos. Aderir
à boa alimentação, praticar exercícios
físicos e ficar longe do cigarro são medidas
que fazem despencar os riscos de uma doença cardíaca
e valem para qualquer pessoa. Especialistas ouvidos
por VEJA foram adiante ao formular uma cartilha que separa
as várias faixas etárias e indica um conjunto
de cuidados específicos para cada idade.
Num cenário ideal,
os bons hábitos devem ser cultivados ainda na infância
e os primeiros check-ups, feitos na juventude.
Que isso não sirva
para desestimular quem nunca se preocupou com o assunto. Diz
o cardiologista Daniel Magnoni, do Instituto de Metabolismo
e Nutrição: "Mudanças de hábito
surtem efeito em qualquer fase da vida".
ATÉ OS
30 ANOS
Quantas pessoas
sofrem de doenças cardíacas: menos de 1%
Como prevenir:
Jutta
klee/Getty Images
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Os pais
devem empenhar-se em garantir às crianças uma
dieta saudável, o mais longe possível dos doces
e frituras típicos dessa faixa etária. O excesso
de peso adquirido na infância persiste até a
idade adulta em 70% dos casos e é a principal
causa de doenças cardíacas
Oito em
cada dez pessoas começam a fumar antes dos 18 anos.
Fuja desse vício. Ele chega a quadruplicar os riscos
de uma doença cardiovascular
Cultive
o hábito de praticar esportes desde cedo. Pesquisas
mostram que os sedentários na juventude têm mais
dificuldade em dar início a uma atividade física
depois metade deles permanecerá para sempre
na inércia
Por que procurar
o médico: para o primeiro check-up do coração,
aos 25 anos. O médico fará uma avaliação
clínica e recomendará um conjunto de exames:
colesterol, triglicérides, glicemia e hemograma completo.
Alguns pedem um raio X do tórax, com base no qual é
avaliada a formação do coração,
e testes de ácido úrico e proteína C-reativa,
novos marcadores de inflamação nas artérias.
Dependendo do caso, entram ainda na lista um teste ergométrico
e o ecocardiograma
DOS 30 AOS 40 ANOS
Quantas pessoas
sofrem de doenças cardíacas: menos de 5%
Como prevenir:
40% dos
adultos têm o colesterol (LDL) alto e a maioria
passou a apresentar o problema nessa faixa etária.
Desacelerar no consumo de doces e gorduras saturadas ajudará
a combater o colesterol e fará um bem imediato ao coração:
10% a menos no nível de colesterol reduz em 30% os
riscos cardíacos
Há
uma nova razão para praticar esportes. A partir dos
35 anos, o corpo perde naturalmente massa muscular e ganha
gordura, uma velha inimiga do coração
Mais um
motivo para seguir uma dieta saudável: a partir dessa
fase, as pessoas costumam engordar entre 0,5 e 1 quilo por
ano
Por que procurar
o médico: para fazer um novo check-up do coração
a cada três anos. A suspeita de obstrução
nas artérias pode incluir a indicação
de exames como cintilografia miocárdica e ultra-som
da artéria carótida
Procure logo um pronto-socorro se aparecer no peito
uma dor aguda. Nos casos de infarto, ela costuma vir
junto com a sensação de peso no coração
e falta de
ar e pode estender-se ao pescoço e aos
braços, que
às vezes ficam dormentes
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"Nasci de novo"
Roberto
Setton
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A empresária Sonia Madrid, 55 anos, desprezou
durante duas décadas a palavra de seu cardiologista:
com o diagnóstico de uma lesão na válvula
mitral, ela deveria operar o coração.
Por pavor, Sonia recusou-se a enfrentar a cirurgia:
"Há
três anos, voltei ao cardiologista sem fôlego
para subir um lance de escada. Botava a roupa, e parecia
que tinha corrido uma maratona. O médico explicou
a razão: por causa da válvula defeituosa,
havia anos meu coração fazia um esforço
fora do comum para funcionar. Se continuasse assim,
logo precisaria de um transplante. Com atraso, tomei,
enfim, a decisão de operar. E a minha vida mudou.
Meses depois, retomei as aulas de dança e contratei
um personal trainer. Eu me alimento melhor e nunca mais
perdi um check-up. Aos 30 anos me sentia imortal. Com
50, luto para viver mais."
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