O mix de estilos
da casa que Edir Macedo, da Igreja
Universal, está construindo em Campos do Jordão
José Edward, de Campos do Jordão
Fotos Marcos Fernnades/Ag.
Luz
Acima, uma das fachadas do refúgio
do bispo: quatro andares, 35 cômodos e elevador
panorâmico. Abaixo, o jardim inspirado no do Monte
das Oliveiras, em Jerusalém
O
bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de
Deus, está construindo um paraíso na terra.
Trata-se de uma casa de 2.000 metros quadrados, localizada
em Campos do Jordão, o refúgio de inverno dos
paulistas ricos. A casa, que deve ficar pronta dentro de dois
meses, é avaliada em 6 milhões de reais. VEJA
visitou os 35 cômodos do imóvel, distribuídos
em quatro andares. Ao todo, são dezoito suítes,
todas equipadas com banheiras de hidromassagem. A maior delas,
a do bispo, tem 100 metros quadrados, sauna e uma banheira
suficiente para seis pessoas. Por meio de uma escada de seu
quarto, Macedo terá acesso a um mirante do qual se
descortina uma vista aprazível da cidade. De lá,
ele também poderá apreciar uma réplica
do jardim do Monte das Oliveiras, em Jerusalém, onde
Jesus Cristo foi preso pelo Sinédrio judaico. A casa
conta, ainda, com adega, sala de cinema, quadra de squash
e elevador panorâmico.
Cesar
Itiberê/Folha Imagem
Macedo: ele se prepara para
comemorar os trinta anos da Universal
O projeto é um mix de estilos europeus devidamente
tropicalizados. Os arquitetos mesclaram linhas normandas,
típicas das construções de Campos do
Jordão, com elementos neoclássicos e barrocos.
O telhado pontiagudo eleva-se com molduras neoclássicas.
As sacadas têm balaústres barrocos. Colunas gregas,
de capitéis improváveis, ladeiam os portais
da casa. Alguns tetos foram forrados com gesso, em que se
destacam motivos florais. Outros foram enfeitados com detalhes
de madeira. O piso das salas e das áreas de passagem
dos andares superiores é de mármore botticino
600 metros quadrados da pedra foram importados da Itália,
a um custo estimado em 240.000 reais. No andar térreo
e nas calçadas dos jardins optou-se por uma alternativa
mais em conta: o granito brasileiro do tipo capão bonito.
Como o terreno de 8.000 metros quadrados é muito acidentado,
o acesso à rua se dá por duas passarelas suspensas.
Juntos, esses pequenos viadutos têm 200 metros de extensão
e atravessam o jardim do Monte das Oliveiras e se sobrepõem
a um espelho-d'água. Um muro de 5 metros de altura
resguarda a privacidade de Macedo. Ele foi recoberto com pedras-madeira
de cor ocre, semelhantes às das ruínas de Jerusalém.
O material foi transportado por vinte caminhões do
Rio de Janeiro, onde é produzido, até Campos
do Jordão.
O líder
da Universal já era proprietário de um recanto
em Campos do Jordão. Num terreno de 4.000 metros quadrados,
contíguo ao da nova casa, há uma outra de quinze
cômodos e seis suítes, adquirida por 600.000
dólares em 1996. Quando a construção
terminar, a casa mais modesta será usada como ponto
de apoio. Ela dispõe de academia de ginástica
e de um heliponto, que, agora, está sendo ampliado.
No momento, é mais usado por Ester, a mulher do bispo,
que vai de helicóptero supervisionar a obra. Macedo
aparece com menos freqüência. Por vezes, Ester
tem a companhia do senador Marcelo Crivella, sobrinho e herdeiro
do bispo. As visitas do casal Macedo são as únicas
ocasiões em que os 180 operários das cinco empresas
envolvidas na obra param de trabalhar. Só engenheiros
e arquitetos podem continuar no local quando os proprietários
estão lá. O bispo pressiona as empreiteiras
a entregar a casa até o fim de julho, quando serão
comemorados os trinta anos da Igreja Universal. Como o cronograma
está atrasado, eles trabalham doze horas por dia de
segunda a sábado. No aniversário da igreja,
Macedo pretende abrir as portas do seu reino particular aos
bispos mais próximos. Será uma celebração
à riqueza material, que, de acordo com a teologia dessa
corrente evangélica, é uma dádiva de
Deus.