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Edição 2015

4 de julho de 2007
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Cartas

"A ascensão patrimonial de Renan é invejável.
Vai do Fusca às caminhonetes japonesas num
piscar de olhos."

Marco Aurelio Bello
Vila Velha, ES

 

Renangate

Mais uma vez, a revista VEJA esclareceu minha confusão mental com relação ao caso Renan Calheiros. Ao ler as reportagens sobre a polêmica ("Hora de partir", "Renan enriqueceu na política" e "O primo (também) entregou dinheiro", 27 de junho), cheguei a pensar que estava sofrendo de demência precoce. Quem deveria dar exemplo de integridade ensina a corromper, ensina que trabalhar honestamente não leva a nada, ensina que só se dá bem quem rouba, é político ou herdeiro.
Cinara Medeiros Marinho de Andrade
Montreal, Canadá

Temos de tirar o chapéu para VEJA. Numa seqüência maravilhosa de reportagens imparciais, revela toda a trama criada pelo senador Renan Calheiros, que tenta se justificar e acaba se enrolando mais e mais. A princípio parecia uma reportagem sensacionalista, mas, à medida que a teia vai sendo desenrolada, vê-se claramente a sujeira que permeia o nosso Congresso.
Pedro Cândido Parreiras Filho
São João Nepomuceno, MG

Abrir a caixa de cartas no domingo pela manhã nestas últimas semanas tem sido um prazer indescritível. Hoje, principalmente, com Renan na capa, foi hilário. VEJA tem sido nossa única expressão de desabafo. Nossa voz. Enviar e-mail aos senadores não vale nada. Senadores e assessores se fazem surdos. Só se tocam nessas oportunidades em que VEJA vai fundo e torna a vida deles um inferno.
Adoniran Judson Pereira

Por e-mail

A reportagem sobre o patrimônio do senador Renan Calheiros me deixou esperançoso. Com 22 anos, já tenho um VW Gol e conhecimentos agropecuários (sou aluno finalista de agronomia). Agora só faltam um partido político e alguns amigos lobistas.
Lucas S. Tonello
Passo Fundo, RS

Tenho algumas cabeças de gado para vender e gostaria que o senador Renan Calheiros me passasse o telefone daqueles frigoríficos que pagam acima do preço de mercado pela arroba do boi.
Luis Fernando Gomes

Conselheiro Lafaiete, MG

Agora ficou claro. Guido Mantega ("É o preço da prosperidade") e "Martaxa" Suplicy ("Relaxa e goza") não falavam à sociedade brasileira. Eles falavam ao senador Renan Calheiros.
Paulo Farias

São Paulo, SP

A Receita Federal do Brasil, diante do surpreendente enriquecimento do senador Renan Calheiros, tem o dever de fiscalizar, autuar e tributar todo o seu acréscimo patrimonial a descoberto. Quero ver.
Alexandre Maurios Kuhn
Foz do Iguaçu, PR

Impressionante a evolução patrimonial do senhor Renan Calheiros em tão curto espaço de tempo. Será que em suas fazendas existe alguma árvore que produz dinheiro? Nós, simples mortais, ficamos na malha fina do Leão por erros infinitamente menores, o que é correto. Mas é correto a declaração de imposto de renda desse senhor ser aceita sem restrições? Com a palavra a Receita Federal.
Celso Tavares dos Reis
Goiânia, GO

Continuo admirando a capacidade e a independência com que a revista tem tratado os escândalos republicados. O senador Renan Calheiros apresentou sua defesa ao Senado do Brasil como se ela fosse dirigida aos "bois de seu curral eleitoral", acostumado que é a desprezar qualquer inteligência que possa desmascará-lo.
Geraldo Pereira

Recife, PE

Na reportagem foi dito que o estado de Alagoas é "assolado pela febre aftosa desde 2001". Gostaria de esclarecer que não existe caso da doença em Alagoas desde 1999. O fato é que o estado está classificado pelo Ministério da Agricultura como "zona de risco desconhecido", por não cumprir as exigências do órgão. A parte dos pecuaristas é feita, pois atingimos índices de vacinação superiores ao mínimo exigido pelo ministério, que é de 80%, desde 2006.
André Gama Ramalho
Presidente do Sindicato dos Produtores de Leite de Alagoas
Por e-mail

Parabéns aos nossos senadores; finalmente o Senado brasileiro possui um presidente a sua altura.
Wilson Moreira dos Santos

Poços de Caldas, MG

 

Joaquim Roriz

Não é de hoje que o senhor Joaquim Roriz é suspeito. Quando era governador do Distrito Federal, ele foi acusado de envolvimento com grilagem de terras, de superfaturamento em obras, de desvio de verbas e de crime eleitoral. Como foro privilegiado é sinônimo de impunidade, Roriz foi absolvido e conseguiu ser reeleito, graças à falsa e ignorante política do "rouba, mas faz", argumento usado por seus eleitores. Agora, Joaquim Roriz volta às páginas da corrupção, desta vez como senador. E isso com apenas seis meses dentre os oito anos de mandato a que tem direito ("Conversas milionárias", 27 de junho).
Ricardo Santoro

Brasília, DF

Deus é muito generoso com as coisas do seu reino: 1) absorveu os cavalos de raça de Marcos Valério; 2) absorveu os bois de Renan Calheiros; 3) e está perto de absorver a bezerra do Roriz. Só espero que, em sua infinita bondade, não deixe nossa vaca ir para o brejo.
Antônio José Milani

Mococa, SP

O senador Renan Calheiros deveria processar o senador Joaquim Roriz por plágio deslavado na utilização da mesma justificativa agropecuária para cobrir premiações captadas de forma suspeita.
Jorge Schweitzer

Rio de Janeiro, RJ

Será que Roriz não teria usado o dinheiro que lhe foi entregue por Tarcísio para comprar uns boizinhos de Renan?
Airto Aravechia
Ribeirão Preto, SP

 

Geraldo Alckmin

Geraldo Alckmin demonstrou, mais uma vez, sua sobriedade, simplicidade e experiência ao tratar os atuais problemas que nos afligem. Especialmente quando falou sobre o desgoverno daquele que, infelizmente e à custa dos miseráveis e pobres de espírito, o derrotou nas urnas e vem jogando a auto-estima do brasileiro na sarjeta (Amarelas, 27 de junho).
Paulo Américo Barreto da Fonseca
Teixeira de Freitas, BA

Após ler a entrevista com Alckmin, eu me sinto confortado. É sempre um grande aprendizado escutá-lo, ou até mesmo lê-lo através das mudas letras nas páginas amarelas. Sinto-me uma criança recebendo os ensinamentos de um pai sobre a importância de ser correto e um responsável cidadão. Como me orgulho de ter votado nele na última eleição! Um político que já teve tanto poder nas mãos, tantas oportunidades de enriquecer ilicitamente, tendo de passar a própria roupa num pequeno apartamento nos Estados Unidos, enquanto estudava.
Rafael Freitas
Itarumã, GO

Acredito que Geraldo Alckmin seja um dos poucos políticos brasileiros de destaque, que realmente possui espírito público como um dom de nascença. Quando perguntado sobre o que ocorreu nos vinte estados em que perdeu a eleição, faltou dizer que ele ganhou no "Brasil que se sustenta" e perdeu no "Brasil que é sustentado". Parabéns, Geraldo Alckmin! Sua figura é um alento aos que ainda acreditam que haja uma luz no fim do túnel na política brasileira.
Frederico d'Avila
São Paulo, SP

Se era de maturidade política que Geraldo Alckmin precisava, digamos que agora ele está pronto para assumir qualquer cargo político com postura de estadista.
Maria Amélia de Souza Fustinoni
Londrina, PR

 

Radar

Com referência à nota "Nahas se acha vítima" (27 de junho), em que o investidor Naji Nahas alega que foi inocentado em todas as ações que sofreu, informamos que a corretora Walpires S/A CCTVM propôs uma ação de cobrança por saldo devedor decorrente de prejuízos com operações realizadas por aquele investidor, no ano de 1989, a qual foi julgada procedente em última instância e cujo valor atualizado nesta data chega a 5 milhões de reais. Atualmente o processo está em fase de localização de bens para penhora, e o meritíssimo juiz da 16ª Vara Cível já determinou o bloqueio de saldo em suas contas bancárias, para garantia da execução.
Waldemar Pires
Walpires S/A CCTVM
São Paulo, SP

 

Roberto Pompeu de Toledo

O que deveria ser a regra se torna exceção, e a exceção é a regra vigente em "nosso" (será que é ainda nosso?) Senado, nossa vergonha nacional (esta, sim, mais nossa do que nunca). Vamos torcer para que homens como os dois senadores mencionados no ensaio "Dois homens bons" (27 de junho), de Roberto Pompeu de Toledo, não desistam da política. Caso contrário, somos nós, brasileiros, que vamos acabar desanimando e não lutando mais por este país.
Leandro Zelesio Adriano
Palhoça, SC

Como amazonense e eleitor, fico radiante com o artigo. Sem dúvida, Jefferson Péres e Pedro Simon merecem a homenagem. Lá, em meu entendimento, deveria figurar também o bravo Antônio Ermírio de Moraes. Este, não sei o motivo, o paulistano alijou. Infelizmente, a maioria que integra os nossos poderes (todos os poderes, inclusive o Judiciário) merece o expurgo. Precisamos mudar, a partir da Constituição. Muito inflexível.
Amândio Costa
Manaus, AM

O filósofo Diógenes saía em plena luz do dia com uma lanterna acesa à procura de homens éticos sem ser bem-sucedido. No entanto, o colunista Roberto Pompeu de Toledo encontrou dois, os senadores Pedro Simon e Jefferson Péres. Admiramos a ambos, mas em particular nosso querido conterrâneo Pedro Simon, que na sua simplicidade e luta contínua por um país melhor faz jus a todos os elogios do ensaio.
Dilva Conte
Caxias do Sul, RS

 

Caos aéreo

Somos vítimas da falta de uma política adequada para a infra-estrutura no país. O governo não investe em alternativas de transporte, como ferrovias, por exemplo. Também não investe no transporte aéreo. E do que é investido, como VEJA tem publicado, boa parte vai para a corrupção. Quanto aos controladores, não acredito muito em histórias de perseguição e humilhação. Já fui militar, e no geral a convivência é harmoniosa, salvo raríssimas exceções ("Somos vítimas da baderna", 27 de junho).
Almir Sani Moreira
São Paulo, SP

Existe, de fato, uma série de explicações, interdependentes e complementares, para o caos aéreo. A raiz do problema, porém, não está na inadequação dos recursos, dos salários nem das estruturas das organizações existentes, mas sim na falta de previsão, planejamento, coordenação, controle de pessoal e de equipamentos, o que evidencia a total incapacidade gerencial dos órgãos públicos para acompanhar o crescimento e o desenvolvimento das atividades da aviação comercial. Ou seja, o caos aéreo é decorrente do péssimo gerenciamento das operações da aviação civil no espaço aéreo brasileiro, com a presença excessiva do estado, ineficaz por natureza.
Flávio Lauria Ferreira
Manaus, AM

 

Claudio de Moura Castro

Claudio de Moura Castro dá uma grande idéia de como as instituições superiores de ensino particular poderiam contribuir com a educação brasileira criando uma organização para que empresários colaborem na gestão de uma escola pública de ensino fundamental. Muitos dizem que outros países são melhores, mas poucos fazem alguma coisa para transformar o Brasil (Ponto de vista, 27 de junho).
Gabriel Mário Rodrigues
Presidente da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior
São Paulo, SP

 

Mães de UTI

A maternidade com filhos saudáveis já não é fácil. Quando temos de retornar ao hospital, então, em desespero, carregando aquela criaturinha tão frágil, sem entender o que deu errado, sem saber direito o que está acontecendo nem se vamos voltar para casa com ela no colo, perdemos mais que o chão, perdemos a luz, a vontade de viver. Só não perdemos a fé e a crença na medicina e na competência de médicos e pesquisadores sérios que, felizmente, ainda lutam para realizar seu trabalho. Felizmente, a história de minha filha teve um final feliz. Só espero que nossos governantes leiam essa reportagem ("As mães de UTI", 27 de junho) e deixem que os pesquisadores e cientistas cumpram seu papel, descobrindo a cura e dando esperança a milhares de pais que, como eu, um dia tiveram de lutar com seus filhos pela vida.
Isabel C. Goos Damm
Rio Claro, SP

Vivi muitas das dores retratadas na reportagem sobre as mães de UTI. Há seis anos, durante dezesseis dias, fiquei praticamente submersa naquele mundo de luz fria, clareza anti-séptica, tecnologia avançada e dor. Quando não me era permitido estar ao lado de minha filha, era assombrada pelas lembranças de seu rosto, das outras crianças e de suas mães, pelo medo e por uma pesada culpa. Ainda hoje, mesmo que ela esteja com saúde, às vezes ouço os sons e sinto o cheiro daquele lugar e chego a sentir falta de ar. Foram dias de profundo sofrimento, mas também de descoberta da fé verdadeira, da solidariedade humana e do poder dos fortes elos da relação mãe-filha, que transcendem os limites da ciência.
Éden Maria Bahia de Camargos
Pará de Minas, MG

 

Agnes Nishimura

Como médica e portadora de forma familiar de esclerose lateral amiotrófica, foco de estudo da pesquisadora Agnes Nishimura (Auto-retrato, 27 de junho), ressalto a importância de sua descoberta para nossos familiares e para a medicina, abrindo novos horizontes para essa doença, até agora, sem cura. Lembro que a pesquisa foi conduzida por essa jovem brilhante cientista brasileira, que, infelizmente, teve de deixar o Brasil para continuar pesquisando porque em nosso país as dificuldades burocráticas e orçamentárias dificultam as pesquisas científicas. E acredito que estudos com células-tronco embrionárias impulsionarão terapias novas, que salvarão a vida de muitos já nascidos. Infelizmente, no momento, há enfermos perdendo a vida devido ao atraso nessas pesquisas, motivado, talvez, pelo mesmo dilema: o que vem antes, a galinha ou o ovo? Espero que Deus inspire com sabedoria a mente de nossos governantes, pela liberação dos estudos com células-tronco embrionárias. Boa sorte, Agnes, e obrigada.
Silvia Beatriz Costa Valle
Brasília, DF

 

Guia do Pan 2007

Cumprimento VEJA por mais uma vez informar seus leitores sobre os Jogos Pan-Americanos. O Guia do Pan (Veja Rio Especial, julho de 2007) é muito rico em conteúdo e nos deixa por dentro desse superevento. Em tempos de sujeira no cenário político, talvez possamos nos consolar, mesmo por pouco tempo, com a nossa pátria. E viva o Brasil.
Valério Almeida de Carvalho Vilela
Barreiras, BA

 

Diogo Mainardi

Queria expressar meu apoio a Diogo Mainardi. Sou fiel leitora de suas colunas. Apesar de os assuntos não serem nem um pouco agradáveis, mostrando que a cada semana o país se afunda mais um pouco, é muito bom saber que ainda existe alguém que aponta o dedo na direção certa. A situação está ficando tão ruim que hoje em dia minha única pretensão é ter com quem compartilhar as angústias e as frustrações a respeito deste país. Por esse motivo, muito obrigada, Diogo.
Isadora Terra
Por e-mail

 

CORREÇÕES: a foto publicada nas páginas 120 e 121 da edição 2014 ("Queda-de-braço com Deus", 27 de junho) mostra muçulmanos rezando diante do Taj Mahal, em Agra, e não em Nova Délhi. O crédito correto da foto Árabes ("Descaso milionário", página 117 ) é Acervo da Fundação Biblioteca Nacional – Brasil.

 

 

 

COTAS PARA BRANCOS

O pedagogo Michel Serigato Mansano, de Bauru, São Paulo, está "perplexo e indignado" com a prefeitura de Cubatão. "Eles estão tratando os negros como se fossem portadores de necessidades especiais." O que espanta Mansano é que a prefeitura da cidade do litoral paulista "está destinando 20% do total das vagas de concurso público na área da educação para negros e afrodescendentes e desenvolveu um método para classificar negros parecido com o da Universidade de Brasília, descrito em reportagem de VEJA". O edital da prefeitura de Cubatão diz quem são os candidatos às vagas reservadas e como se fará sua seleção: "A comprovação da afrodescendência far-se-á mediante a apresentação de qualquer documento oficial, do candidato ou de parentes por consangüinidade, ascendentes, no qual constem a identificação e a indicação etnorracial, assim entendidas: cútis ou cor preta (descendência africana), negro (descendência africana), pardo ou moreno (descendência de pai negro e mãe branca ou vice-versa), mestiço (descendência de pai negro, mulato ou pardo e mãe cabocla ou vice-versa), cabra (descendência de pai mulato e mãe negra ou vice-versa), cabrocha (descendência de pai mulato e mãe negra), afro-ameríndio (descendência africana e indígena), cabo-verde (descendência de pai índio e mãe negra), cafuzo (descendência de pai negro e mãe índia) e similares". A preocupação do leitor é exagerada. Na verdade, a variedade de combinação de tipos amparada pelo edital é tão ampla que engloba a maioria dos brasileiros. Na prática significa que o edital privilegia os brancos "puros", para os quais sobrariam 80% das vagas. Os negros, mais uma vez, foram discriminados.



CAOS NO PLANO PILOTO

Juscelino Kubitschek, criador de Brasília, adorava ressaltar que o plano piloto da capital federal se assemelha ao de um avião. Essa analogia andava soterrada pelas toneladas de más notícias vindas de Brasília. O leitor de VEJA Silvio Campos Lavras, de São Paulo, a ressuscitou. "Nas asas (de Brasília) fica o terceiro escalão; na primeira classe, os ministérios; e na cabine, o Congresso e o Palácio do Planalto. Precisamos não só de líderes pilotos como também de ótimos controladores de vôo para que o avião tenha condições de voar."

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