"A ascensão
patrimonial de Renan é invejável.
Vai do Fusca às caminhonetes japonesas num
piscar de olhos." Marco Aurelio Bello Vila Velha, ES
Renangate
Mais uma vez, a
revista VEJA esclareceu minha confusão mental com relação
ao caso Renan Calheiros. Ao ler as reportagens sobre a polêmica
("Hora de partir", "Renan enriqueceu na política" e
"O primo (também) entregou dinheiro", 27 de junho),
cheguei a pensar que estava sofrendo de demência precoce.
Quem deveria dar exemplo de integridade ensina a corromper,
ensina que trabalhar honestamente não leva a nada,
ensina que só se dá bem quem rouba, é
político ou herdeiro. Cinara Medeiros Marinho
de Andrade Montreal, Canadá
Temos de tirar o
chapéu para VEJA. Numa seqüência maravilhosa
de reportagens imparciais, revela toda a trama criada pelo
senador Renan Calheiros, que tenta se justificar e acaba se
enrolando mais e mais. A princípio parecia uma reportagem
sensacionalista, mas, à medida que a teia vai sendo
desenrolada, vê-se claramente a sujeira que permeia
o nosso Congresso. Pedro Cândido
Parreiras Filho São João Nepomuceno,
MG
Abrir a caixa de
cartas no domingo pela manhã nestas últimas
semanas tem sido um prazer indescritível. Hoje, principalmente,
com Renan na capa, foi hilário. VEJA tem sido nossa
única expressão de desabafo. Nossa voz. Enviar
e-mail aos senadores não vale nada. Senadores e assessores
se fazem surdos. Só se tocam nessas oportunidades em
que VEJA vai fundo e torna a vida deles um inferno. Adoniran Judson Pereira Por e-mail
A reportagem sobre
o patrimônio do senador Renan Calheiros me deixou esperançoso.
Com 22 anos, já tenho um VW Gol e conhecimentos agropecuários
(sou aluno finalista de agronomia). Agora só faltam
um partido político e alguns amigos lobistas. Lucas S. Tonello Passo Fundo, RS
Tenho algumas cabeças
de gado para vender e gostaria que o senador Renan Calheiros
me passasse o telefone daqueles frigoríficos que pagam
acima do preço de mercado pela arroba do boi. Luis Fernando Gomes Conselheiro Lafaiete, MG
Agora ficou claro.
Guido Mantega ("É o preço da prosperidade")
e "Martaxa" Suplicy ("Relaxa e goza") não falavam à
sociedade brasileira. Eles falavam ao senador Renan Calheiros.
Paulo Farias São Paulo, SP
A Receita Federal
do Brasil, diante do surpreendente enriquecimento do senador
Renan Calheiros, tem o dever de fiscalizar, autuar e tributar
todo o seu acréscimo patrimonial a descoberto. Quero
ver. Alexandre Maurios Kuhn
Foz do Iguaçu, PR
Impressionante a
evolução patrimonial do senhor Renan Calheiros
em tão curto espaço de tempo. Será que
em suas fazendas existe alguma árvore que produz dinheiro?
Nós, simples mortais, ficamos na malha fina do Leão
por erros infinitamente menores, o que é correto. Mas
é correto a declaração de imposto de
renda desse senhor ser aceita sem restrições?
Com a palavra a Receita Federal. Celso Tavares dos Reis Goiânia, GO
Continuo admirando
a capacidade e a independência com que a revista tem
tratado os escândalos republicados. O senador Renan
Calheiros apresentou sua defesa ao Senado do Brasil como se
ela fosse dirigida aos "bois de seu curral eleitoral", acostumado
que é a desprezar qualquer inteligência que possa
desmascará-lo.
Geraldo Pereira Recife, PE
Na reportagem foi
dito que o estado de Alagoas é "assolado pela febre
aftosa desde 2001". Gostaria de esclarecer que não
existe caso da doença em Alagoas desde 1999. O fato
é que o estado está classificado pelo Ministério
da Agricultura como "zona de risco desconhecido", por não
cumprir as exigências do órgão. A parte
dos pecuaristas é feita, pois atingimos índices
de vacinação superiores ao mínimo exigido
pelo ministério, que é de 80%, desde 2006. André Gama Ramalho Presidente do Sindicato dos Produtores
de Leite de Alagoas Por e-mail
Parabéns
aos nossos senadores; finalmente o Senado brasileiro possui
um presidente a sua altura.
Wilson Moreira dos Santos Poços de Caldas,
MG
Joaquim Roriz
Não é
de hoje que o senhor Joaquim Roriz é suspeito. Quando
era governador do Distrito Federal, ele foi acusado de envolvimento
com grilagem de terras, de superfaturamento em obras, de desvio
de verbas e de crime eleitoral. Como foro privilegiado é
sinônimo de impunidade, Roriz foi absolvido e conseguiu
ser reeleito, graças à falsa e ignorante política
do "rouba, mas faz", argumento usado por seus eleitores. Agora,
Joaquim Roriz volta às páginas da corrupção,
desta vez como senador. E isso com apenas seis meses dentre
os oito anos de mandato a que tem direito ("Conversas milionárias",
27 de junho).
Ricardo Santoro Brasília, DF
Deus é muito
generoso com as coisas do seu reino: 1) absorveu os cavalos
de raça de Marcos Valério; 2) absorveu os bois
de Renan Calheiros; 3) e está perto de absorver a bezerra
do Roriz. Só espero que, em sua infinita bondade, não
deixe nossa vaca ir para o brejo.
Antônio José Milani Mococa, SP
O senador Renan
Calheiros deveria processar o senador Joaquim Roriz por plágio
deslavado na utilização da mesma justificativa
agropecuária para cobrir premiações captadas
de forma suspeita.
Jorge Schweitzer Rio de Janeiro, RJ
Será que
Roriz não teria usado o dinheiro que lhe foi entregue
por Tarcísio para comprar uns boizinhos de Renan? Airto Aravechia Ribeirão Preto, SP
Geraldo Alckmin
Geraldo Alckmin
demonstrou, mais uma vez, sua sobriedade, simplicidade e experiência
ao tratar os atuais problemas que nos afligem. Especialmente
quando falou sobre o desgoverno daquele que, infelizmente
e à custa dos miseráveis e pobres de espírito,
o derrotou nas urnas e vem jogando a auto-estima do brasileiro
na sarjeta (Amarelas, 27 de junho). Paulo Américo
Barreto da Fonseca Teixeira de Freitas, BA
Após ler
a entrevista com Alckmin, eu me sinto confortado. É
sempre um grande aprendizado escutá-lo, ou até
mesmo lê-lo através das mudas letras nas páginas
amarelas. Sinto-me uma criança recebendo os ensinamentos
de um pai sobre a importância de ser correto e um responsável
cidadão. Como me orgulho de ter votado nele na última
eleição! Um político que já teve
tanto poder nas mãos, tantas oportunidades de enriquecer
ilicitamente, tendo de passar a própria roupa num pequeno
apartamento nos Estados Unidos, enquanto estudava. Rafael Freitas Itarumã, GO
Acredito que Geraldo
Alckmin seja um dos poucos políticos brasileiros de
destaque, que realmente possui espírito público
como um dom de nascença. Quando perguntado sobre o
que ocorreu nos vinte estados em que perdeu a eleição,
faltou dizer que ele ganhou no "Brasil que se sustenta" e
perdeu no "Brasil que é sustentado". Parabéns,
Geraldo Alckmin! Sua figura é um alento aos que ainda
acreditam que haja uma luz no fim do túnel na política
brasileira. Frederico d'Avila São Paulo, SP
Se era de maturidade
política que Geraldo Alckmin precisava, digamos que
agora ele está pronto para assumir qualquer cargo político
com postura de estadista. Maria Amélia de Souza
Fustinoni Londrina, PR
Radar
Com referência
à nota "Nahas se acha vítima" (27 de junho),
em que o investidor Naji Nahas alega que foi inocentado em
todas as ações que sofreu, informamos que a
corretora Walpires S/A CCTVM propôs uma ação
de cobrança por saldo devedor decorrente de prejuízos
com operações realizadas por aquele investidor,
no ano de 1989, a qual foi julgada procedente em última
instância e cujo valor atualizado nesta data chega a
5 milhões de reais. Atualmente o processo está
em fase de localização de bens para penhora,
e o meritíssimo juiz da 16ª Vara Cível
já determinou o bloqueio de saldo em suas contas bancárias,
para garantia da execução. Waldemar Pires Walpires S/A CCTVM São Paulo, SP
Roberto Pompeu de
Toledo
O que deveria ser
a regra se torna exceção, e a exceção
é a regra vigente em "nosso" (será que é
ainda nosso?) Senado, nossa vergonha nacional (esta, sim,
mais nossa do que nunca). Vamos torcer para que homens como
os dois senadores mencionados no ensaio "Dois homens bons"
(27 de junho), de Roberto Pompeu de Toledo, não desistam
da política. Caso contrário, somos nós,
brasileiros, que vamos acabar desanimando e não lutando
mais por este país. Leandro Zelesio Adriano Palhoça, SC
Como amazonense
e eleitor, fico radiante com o artigo. Sem dúvida,
Jefferson Péres e Pedro Simon merecem a homenagem.
Lá, em meu entendimento, deveria figurar também
o bravo Antônio Ermírio de Moraes. Este, não
sei o motivo, o paulistano alijou. Infelizmente, a maioria
que integra os nossos poderes (todos os poderes, inclusive
o Judiciário) merece o expurgo. Precisamos mudar, a
partir da Constituição. Muito inflexível.
Amândio Costa Manaus, AM
O filósofo
Diógenes saía em plena luz do dia com uma lanterna
acesa à procura de homens éticos sem ser bem-sucedido.
No entanto, o colunista Roberto Pompeu de Toledo encontrou
dois, os senadores Pedro Simon e Jefferson Péres. Admiramos
a ambos, mas em particular nosso querido conterrâneo
Pedro Simon, que na sua simplicidade e luta contínua
por um país melhor faz jus a todos os elogios do ensaio.
Dilva Conte Caxias do Sul, RS
Caos aéreo
Somos vítimas
da falta de uma política adequada para a infra-estrutura
no país. O governo não investe em alternativas
de transporte, como ferrovias, por exemplo. Também
não investe no transporte aéreo. E do que é
investido, como VEJA tem publicado, boa parte vai para a corrupção.
Quanto aos controladores, não acredito muito em histórias
de perseguição e humilhação. Já
fui militar, e no geral a convivência é harmoniosa,
salvo raríssimas exceções ("Somos vítimas
da baderna", 27 de junho). Almir Sani Moreira São Paulo, SP
Existe, de fato,
uma série de explicações, interdependentes
e complementares, para o caos aéreo. A raiz do problema,
porém, não está na inadequação
dos recursos, dos salários nem das estruturas das organizações
existentes, mas sim na falta de previsão, planejamento,
coordenação, controle de pessoal e de equipamentos,
o que evidencia a total incapacidade gerencial dos órgãos
públicos para acompanhar o crescimento e o desenvolvimento
das atividades da aviação comercial. Ou seja,
o caos aéreo é decorrente do péssimo
gerenciamento das operações da aviação
civil no espaço aéreo brasileiro, com a presença
excessiva do estado, ineficaz por natureza. Flávio Lauria
Ferreira Manaus, AM
Claudio de
Moura Castro
Claudio de Moura
Castro dá uma grande idéia de como as instituições
superiores de ensino particular poderiam contribuir com a
educação brasileira criando uma organização
para que empresários colaborem na gestão de
uma escola pública de ensino fundamental. Muitos dizem
que outros países são melhores, mas poucos fazem
alguma coisa para transformar o Brasil (Ponto de vista, 27
de junho). Gabriel Mário
Rodrigues Presidente da Associação
Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior São Paulo, SP
Mães
de UTI
A maternidade com
filhos saudáveis já não é fácil.
Quando temos de retornar ao hospital, então, em desespero,
carregando aquela criaturinha tão frágil, sem
entender o que deu errado, sem saber direito o que está
acontecendo nem se vamos voltar para casa com ela no colo,
perdemos mais que o chão, perdemos a luz, a vontade
de viver. Só não perdemos a fé e a crença
na medicina e na competência de médicos e pesquisadores
sérios que, felizmente, ainda lutam para realizar seu
trabalho. Felizmente, a história de minha filha teve
um final feliz. Só espero que nossos governantes leiam
essa reportagem ("As mães de UTI", 27 de junho) e deixem
que os pesquisadores e cientistas cumpram seu papel, descobrindo
a cura e dando esperança a milhares de pais que, como
eu, um dia tiveram de lutar com seus filhos pela vida. Isabel C. Goos Damm Rio Claro, SP
Vivi muitas das
dores retratadas na reportagem sobre as mães de UTI.
Há seis anos, durante dezesseis dias, fiquei praticamente
submersa naquele mundo de luz fria, clareza anti-séptica,
tecnologia avançada e dor. Quando não me era
permitido estar ao lado de minha filha, era assombrada pelas
lembranças de seu rosto, das outras crianças
e de suas mães, pelo medo e por uma pesada culpa. Ainda
hoje, mesmo que ela esteja com saúde, às vezes
ouço os sons e sinto o cheiro daquele lugar e chego
a sentir falta de ar. Foram dias de profundo sofrimento, mas
também de descoberta da fé verdadeira, da solidariedade
humana e do poder dos fortes elos da relação
mãe-filha, que transcendem os limites da ciência.
Éden Maria Bahia
de Camargos Pará de Minas, MG
Agnes Nishimura
Como médica
e portadora de forma familiar de esclerose lateral amiotrófica,
foco de estudo da pesquisadora Agnes Nishimura (Auto-retrato,
27 de junho), ressalto a importância de sua descoberta
para nossos familiares e para a medicina, abrindo novos horizontes
para essa doença, até agora, sem cura. Lembro
que a pesquisa foi conduzida por essa jovem brilhante cientista
brasileira, que, infelizmente, teve de deixar o Brasil para
continuar pesquisando porque em nosso país as dificuldades
burocráticas e orçamentárias dificultam
as pesquisas científicas. E acredito que estudos com
células-tronco embrionárias impulsionarão
terapias novas, que salvarão a vida de muitos já
nascidos. Infelizmente, no momento, há enfermos perdendo
a vida devido ao atraso nessas pesquisas, motivado, talvez,
pelo mesmo dilema: o que vem antes, a galinha ou o ovo? Espero
que Deus inspire com sabedoria a mente de nossos governantes,
pela liberação dos estudos com células-tronco
embrionárias. Boa sorte, Agnes, e obrigada. Silvia Beatriz Costa
Valle Brasília, DF
Guia
do Pan 2007
Cumprimento VEJA
por mais uma vez informar seus leitores sobre os Jogos Pan-Americanos.
O Guia do Pan (Veja Rio Especial, julho de 2007) é
muito rico em conteúdo e nos deixa por dentro desse
superevento. Em tempos de sujeira no cenário político,
talvez possamos nos consolar, mesmo por pouco tempo, com a
nossa pátria. E viva o Brasil. Valério Almeida
de Carvalho Vilela Barreiras, BA
Diogo Mainardi
Queria expressar
meu apoio a Diogo Mainardi. Sou fiel leitora de suas colunas.
Apesar de os assuntos não serem nem um pouco agradáveis,
mostrando que a cada semana o país se afunda mais um
pouco, é muito bom saber que ainda existe alguém
que aponta o dedo na direção certa. A situação
está ficando tão ruim que hoje em dia minha
única pretensão é ter com quem compartilhar
as angústias e as frustrações a respeito
deste país. Por esse motivo, muito obrigada, Diogo.
Isadora Terra Por e-mail
CORREÇÕES:a foto publicada nas páginas 120 e 121 da edição
2014 ("Queda-de-braço com Deus", 27 de junho) mostra
muçulmanos rezando diante do Taj Mahal, em Agra, e
não em Nova Délhi. O crédito
correto da foto Árabes ("Descaso milionário",
página 117 ) é Acervo da Fundação
Biblioteca Nacional Brasil.
COTAS PARA BRANCOS
O
pedagogo Michel Serigato Mansano, de Bauru, São
Paulo, está "perplexo e indignado" com a prefeitura
de Cubatão. "Eles estão tratando os negros
como se fossem portadores de necessidades especiais."
O que espanta Mansano é que a prefeitura da cidade
do litoral paulista "está destinando 20% do total
das vagas de concurso público na área
da educação para negros e afrodescendentes
e desenvolveu um método para classificar negros
parecido com o da Universidade de Brasília, descrito
em reportagem de VEJA". O edital da prefeitura de Cubatão
diz quem são os candidatos às vagas reservadas
e como se fará sua seleção: "A
comprovação da afrodescendência
far-se-á mediante a apresentação
de qualquer documento oficial, do candidato ou de parentes
por consangüinidade, ascendentes, no qual constem
a identificação e a indicação
etnorracial, assim entendidas: cútis ou cor preta
(descendência africana), negro (descendência
africana), pardo ou moreno (descendência de pai
negro e mãe branca ou vice-versa), mestiço
(descendência de pai negro, mulato ou pardo e
mãe cabocla ou vice-versa), cabra (descendência
de pai mulato e mãe negra ou vice-versa), cabrocha
(descendência de pai mulato e mãe negra),
afro-ameríndio (descendência africana e
indígena), cabo-verde (descendência de
pai índio e mãe negra), cafuzo (descendência
de pai negro e mãe índia) e similares".
A preocupação do leitor é exagerada.
Na verdade, a variedade de combinação
de tipos amparada pelo edital é tão ampla
que engloba a maioria dos brasileiros. Na prática
significa que o edital privilegia os brancos "puros",
para os quais sobrariam 80% das vagas. Os negros, mais
uma vez, foram discriminados.
CAOS NO PLANO
PILOTO
Juscelino
Kubitschek, criador de Brasília, adorava ressaltar
que o plano piloto da capital federal se assemelha ao
de um avião. Essa analogia andava soterrada pelas
toneladas de más notícias vindas de Brasília.
O leitor de VEJA Silvio Campos Lavras, de São
Paulo, a ressuscitou. "Nas asas (de Brasília)
fica o terceiro escalão; na primeira classe,
os ministérios; e na cabine, o Congresso e o
Palácio do Planalto. Precisamos não só
de líderes pilotos como também de ótimos
controladores de vôo para que o avião tenha
condições de voar."