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DVD
Divulgação
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| Barenboim:
Beethoven digital |
Beethoven:
the Symphonies, Daniel Barenboim e Ópera Estatal de Berlim
(WEA) Os especialistas em música clássica costumam
afirmar que um dos talentos do austríaco Herbert von Karajan, além
de reger com brilhantismo, era acompanhar as revoluções
tecnológicas e de mercado. Karajan gravou as sinfonias de Beethoven
três vezes, em edições que iam do bolachão
de vinil ao CD, passando pelas fitas VHS. O israelense Daniel Barenboim
mostra ter o mesmo faro mercadológico. Ele é o primeiro
regente a lançar a íntegra das sinfonias de Beethoven em
DVD Audio. Esse novo formato proporciona ao ouvinte a sensação
de estar no meio da orquestra, tal a sua precisão e alta fidelidade.
Os seis discos podem ser tocados tanto em um aparelho de DVD comum
acoplado a um bom conjunto de som quanto nos específicos
para DVD Audio. À frente da orquestra da Ópera Estatal de
Berlim, Barenboim mostra seu virtuosismo principalmente nas sinfonias
6 e 9. Os discos trazem uma entrevista com o maestro e dados biográficos
sobre Beethoven.
DISCO
Marcos Hermes
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| Bacharach:
cinqüenta hits do rei da melodia |
The
Look of Love: the Burt Bacharach Collection, vários intérpretes
(WEA) Um dos grandes melodistas surgidos na história da
música americana, Bacharach já foi muito injustiçado
pela crítica. Tacharam suas composições de insossas
e superficiais, o que simplesmente não é verdade. Tanto
assim que Bacharach é hoje reverenciado por artistas de diferentes
tendências a lista vai de Elvis Costello aos rapazes do Oasis.
The Look of Love traz cinqüenta hits do quilate de Raindrops
Keep Fallin' on My Head. Misturando jazz e bossa nova, as canções
são interpretadas pela fina flor da música pop de décadas
passadas como Dusty Springfield, Aretha Franklin, Dionne Warwick
e Karen Carpenter.
TELEVISÃO
Stanley
Kubrick: uma Vida Quadro a Quadro (domingos 8, 15 e 22 de julho,
às 22h, no HBO) Esse documentário em três episódios
é uma biografia à altura do diretor de 2001 Uma
Odisséia no Espaço. Foi realizado por Jan Harlan, cunhado
e ex-colaborador do cineasta, e teve apoio da viúva de Kubrick,
Christiane, que cedeu imagens inéditas do diretor na vida doméstica
e no set de filmagens. Uma Vida Quadro a Quadro vai fundo na tarefa
de entender um criador com fama de perfeccionista, surpreendente a cada
filme e inflexível em suas convicções. Investiga,
sobretudo, como Kubrick morto em 1999, aos 70 anos conseguiu
equilibrar-se tão habilmente entre o sucesso comercial e a excelência
artística. Há depoimentos de celebridades, de Steven Spielberg
a Woody Allen, e curiosidades de bastidores como o modo afável
com que Kubrick convidava quem o desobedecia a se retirar do recinto e
sua mania de repetir uma mesma cena dezenas de vezes. Uma iguaria para
os cinéfilos.
LIVRO
Walter Firmo
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| João
Antônio: contos sobre a marginália |
Abraçado
ao Meu Rancor, de João Antônio (Cosac & Naify,
206 páginas, 24 reais) Assim como Rubem Fonseca, o escritor
e jornalista paulista João Antônio despontou na literatura
nos anos 60 e fez do linguajar das ruas e dos tipos marginais a sua matéria-prima.
As semelhanças, porém, cessam aí. Mais romântico
e nostálgico, João Antônio deixava transparecer o
gosto pela velha boemia em seus textos e morreu meio solitário,
em 1996, aos 59 anos. Essa reedição de um de seus últimos
livros demonstra que sua prosa forte e repleta de gírias continua
afiada. São dez contos em que o escritor, de origem humilde, narra
o cotidiano de mendigos, bêbados e prostitutas. Mas é também
sua obra de maior "abertura", com espaço para personagens da classe
alta e um enredo que se passa na Holanda.
CINEMA
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| Sunshine:
história da Hungria |
Sunshine
O Despertar de um Século (Sunshine, Hungria/Alemanha/Áustria/
Canadá, 1999. A partir de sexta-feira em São Paulo e no
Rio) Desde Mephisto e Coronel Redl, o cineasta húngaro
István Szabó não lançava um trabalho tão
ambicioso e tão bem realizado quanto Sunshine, que conta
a trajetória de sucessivas gerações na família
judia Sonnenschein. Ou, mais propriamente, a história da Hungria
(e do anti-semitismo) desde meados do século XIX, passando pelas
duas grandes guerras mundiais, pela incorporação ao bloco
soviético e pela frustrada revolução anticomunista
de 1956. Seria para aborrecer até o mais dedicado dos espectadores
(ainda mais considerando-se as três horas de duração),
não fosse a invejável habilidade narrativa de Szabó.
O único senão é Ralph Fiennes, que interpreta três
personagens e definitivamente não consegue alcançar a versatilidade
que a tarefa pede.
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LITERATURA
BRASILEIRA
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As
Cinco Estações do
Amor
João Almino;
Record;
204 páginas;
24 reais
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Se
o rock de Brasília foi obra de uma geração,
a ficção de Brasília, até o momento,
é obra de um homem só: o escritor e diplomata João
Almino, de 51 anos. Seu novo romance, As Cinco Estações
do Amor, dá seguimento a Idéias para Onde
Passar o Fim do Mundo (1987) e Samba-Enredo (1994). Nas
palavras do autor, fecha uma trilogia que tem a capital brasileira
como cenário não a cidade monumental, mas aquela
que aspira a ser igual a todas as outras, com seus migrantes, seus
jovens, seus intelectuais, seus ricos e pobres. Os três livros
podem ser lidos de maneira independente, embora temas e personagens
sejam comuns a eles. Temas como as promessas não cumpridas
da modernidade, e personagens como Ana, secundária em Samba-Enredo
e agora alçada à posição de narradora.
Uma linguagem sem floreios simples, embora não seca
também é usada nos três. Mas mudam algumas
coisas.
A
forma de narração é mais linear nesse livro
do que nos outros. E o tom, antes zombeteiro, agora é tingido
de melancolia, o que se torna adequado ao enredo: às vésperas
do ano 2000, um grupo de amigos, que se formou no final dos anos
60, trama um reencontro. Todos vivem a meia-idade. A narradora,
mais que isso, a crise proverbial associada a essa fase. "Minha
juventude está perdida. A Brasília de meu sonho de
futuro está morta. Reconheço-me nas fachadas de seus
prédios precocemente envelhecidos, na sua modernidade precária
e decadente", diz ela. João Almino, porém, reserva
surpresas ao leitor como o surgimento de Norberto, ou Berta,
um dos amigos da turma agora convertido em travesti. Em As Cinco
Estações do Amor, todo o peso das frustrações
e esperanças dos personagens é posto não mais
em grandes projetos e ideologias, mas nas muitas tramas possíveis
do amor, da amizade e do sexo. Se existe revolução
possível, estará ela na intimidade? Essa parece ser
a idéia ou a polêmica por trás
desse belo romance, que só na superfície é
convencional.
Carlos
Graieb
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