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Mi
nombre es Bond
Um
filme de espiões mirins
e com sotaque hispânico
Isabela
Boscov
O texano Robert Rodriguez é um sujeito especial. Há nove
anos, ele entrou para a crônica cinematográfica por ter gasto
apenas 7.000 dólares para fazer o divertido El Mariachi,
no qual transformava um gênero que já era híbrido
o faroeste-spaghetti numa outra "criatura" mutante, o taco-faroeste
(o diretor tem imenso orgulho de suas raízes mexicanas). A seguir,
aplicou esse mesmo processo ao filme de terror com Um Drink no Inferno,
em que George Clooney enfrentava caminhoneiros e prostitutas (a curvilínea
Salma Hayek, entre elas) que viravam vampiros durante uma noitada num
boteco de beira de estrada. Tudo muito original, só que pouco adequado
à criançada. Como é o dedicado pai de três
meninos, entretanto, Rodriguez tratou de imaginar um filme ao qual pudesse
levar sua própria prole. O resultado é Pequenos Espiões
(Spy Kids, Estados Unidos, 2001), que estréia nesta
sexta-feira no país. Em apenas dez minutos de filme, já
é possível tirar algumas conclusões. A primeira é
que, embora Rodriguez seja o rei da bagaceira, não há nada
que possa chocar as crianças (ou seus pais). A segunda é
que o diretor nunca se mostrou tão criativo, no roteiro e no visual,
quanto nessa fita. Rodriguez tem 33 anos, mas pensa como um moleque de
12. Daqueles bem espertos e hiperativos.
Em Pequenos Espiões, Antonio Banderas e Carla Gugino são
Gregorio e Ingrid Cortez, um casal de agentes secretos que se aposenta
precocemente para dar uma vida normal a seus filhos, Carmen e Juni (Alexa
Vega e Daryl Sabara). Na deliciosa seqüência inicial, a mãe
conta às crianças como conheceu o marido (ela tinha de matá-lo
e ele tinha de matá-la) e ambos se apaixonaram. Só é
omitida a identidade dos personagens. Os pequenos, porém, não
tardarão em descobri-la. Quando seus pais são raptados por
um apresentador de programas infantis, só eles poderão encontrá-los.
Tudo dá certo na história. Os protagonistas mirins são
ótimos, Banderas e Carla usam sua canastrice com efeitos engraçadíssimos,
o ritmo é incessante e Rodriguez planta suas piadas (na maioria,
excelentes) a pelo menos cada linha do roteiro. Logo no começo,
por exemplo, a espiã Ingrid chama a atenção do rival
vivido por Banderas, usando um modelito que a deixa idêntica a Melanie
Griffith, a mulher do ator. Danny Trejo, o mais truculento dos vilões
hispânicos do cinema, é sensível e tem até
uma cena de choro. George Clooney ganha uma hilariante aparição-surpresa,
e por aí vai. Está inventado o taco-007.
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