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Edição 1 707 - 4 de julho de 2001
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Mi nombre es Bond

Um filme de espiões mirins
e com sotaque hispânico

Isabela Boscov

O texano Robert Rodriguez é um sujeito especial. Há nove anos, ele entrou para a crônica cinematográfica por ter gasto apenas 7.000 dólares para fazer o divertido El Mariachi, no qual transformava um gênero que já era híbrido – o faroeste-spaghetti – numa outra "criatura" mutante, o taco-faroeste (o diretor tem imenso orgulho de suas raízes mexicanas). A seguir, aplicou esse mesmo processo ao filme de terror com Um Drink no Inferno, em que George Clooney enfrentava caminhoneiros e prostitutas (a curvilínea Salma Hayek, entre elas) que viravam vampiros durante uma noitada num boteco de beira de estrada. Tudo muito original, só que pouco adequado à criançada. Como é o dedicado pai de três meninos, entretanto, Rodriguez tratou de imaginar um filme ao qual pudesse levar sua própria prole. O resultado é Pequenos Espiões (Spy Kids, Estados Unidos, 2001), que estréia nesta sexta-feira no país. Em apenas dez minutos de filme, já é possível tirar algumas conclusões. A primeira é que, embora Rodriguez seja o rei da bagaceira, não há nada que possa chocar as crianças (ou seus pais). A segunda é que o diretor nunca se mostrou tão criativo, no roteiro e no visual, quanto nessa fita. Rodriguez tem 33 anos, mas pensa como um moleque de 12. Daqueles bem espertos e hiperativos.

Em Pequenos Espiões, Antonio Banderas e Carla Gugino são Gregorio e Ingrid Cortez, um casal de agentes secretos que se aposenta precocemente para dar uma vida normal a seus filhos, Carmen e Juni (Alexa Vega e Daryl Sabara). Na deliciosa seqüência inicial, a mãe conta às crianças como conheceu o marido (ela tinha de matá-lo e ele tinha de matá-la) e ambos se apaixonaram. Só é omitida a identidade dos personagens. Os pequenos, porém, não tardarão em descobri-la. Quando seus pais são raptados por um apresentador de programas infantis, só eles poderão encontrá-los. Tudo dá certo na história. Os protagonistas mirins são ótimos, Banderas e Carla usam sua canastrice com efeitos engraçadíssimos, o ritmo é incessante e Rodriguez planta suas piadas (na maioria, excelentes) a pelo menos cada linha do roteiro. Logo no começo, por exemplo, a espiã Ingrid chama a atenção do rival vivido por Banderas, usando um modelito que a deixa idêntica a Melanie Griffith, a mulher do ator. Danny Trejo, o mais truculento dos vilões hispânicos do cinema, é sensível e tem até uma cena de choro. George Clooney ganha uma hilariante aparição-surpresa, e por aí vai. Está inventado o taco-007.

   
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