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Edição 1 707 - 4 de julho de 2001
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A rede explica

Por essa Freud não esperava:
tem gente
usando a internet
para fazer psicoterapia


Montagem sobre foto Marco Pinto

A lista de serviços disponíveis na internet ganhou um reforço curioso: a terapia on-line. Em vez de discutirem seus problemas deitados num confortável divã, os pacientes trocam e-mails e conversam com os psicólogos através de chats especiais. Nos consultórios cibernéticos mais sofisticados, as sessões ocorrem com sistema de áudio e câmaras de vídeo acoplados aos micros. A prática começou a virar moda nos Estados Unidos em 1995, com pouco mais de uma dezena de profissionais trabalhando dessa forma. Hoje já existem mais de 800 "e-terapeutas", como foram batizados. Recentemente, endereços desse tipo começaram a proliferar em outros países, como Inglaterra e Austrália. Nas páginas não faltam relatos de pessoas elogiando o sistema. "Gostaria de encorajar todos os que sofrem de timidez a tentar a e-terapia", escreveu o usuário de um consultório virtual americano. "Eu sobrevivi durante anos fechado em uma jaula e finalmente sinto que as portas se abriram."

Antes de começar as sessões, o internauta preenche um formulário com dados pessoais, entre os quais figura o mais importante deles. Qual? O cartão de crédito, caro paciente. Em seguida recebe uma senha e passa a se comunicar com um dos especialistas disponíveis no chat. De acordo com os usuários, existem várias vantagens na utilização do sistema. Em primeiro lugar, a psicoterapia on-line custa um pouco mais barato (para padrões americanos, claro). Sai por 60 dólares em média a sessão, metade do custo da terapia tradicional nos Estados Unidos. A vantagem indiscutível é não ter de se expor. Muita gente se sente mais à vontade para falar abertamente sobre sua vida através do computador do que cara a cara com um especialista. A falta de contato pessoal entre os pacientes e os psicólogos, no entanto, tem provocado certa polêmica. Os críticos argumentam que é muito mais difícil perceber se o usuário está mentindo ou ocultando informações importantes. Do outro lado da linha pode estar um suicida em potencial, que não considera seu problema tão sério assim. "Uma relação de confiança é o cerne de uma terapia de primeira qualidade, e não é possível desenvolvê-la olhando para uma tela de computador", diz Sherry Turkle, psicóloga do Instituto de Tecnologia de Massachusetts. No Brasil, desde o fim do ano passado esse tipo de serviço está proibido pelo Conselho Federal de Psicologia, até que um grupo de estudo prepare um relatório completo sobre o assunto.

   
 
   
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