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Edição 1 707 - 4de julho de 2001
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Volta de Montesinos pode levar
muita gente para a prisão


AFP
Montesinos: 30 000 fitas de vídeo com o balanço da corrupção no Peru

Depois de oito meses foragido, Vladimiro Montesinos, antigo braço direito do presidente Alberto Fujimori e o homem mais procurado do Peru, foi preso na Venezuela, no sábado 23, e devolvido a Lima. A prisão desse arquivo vivo da corrupção pode ajudar a esmiuçar as mazelas do fujimorismo e incriminar muita gente ilustre, inclusive o próprio Fujimori, hoje exilado no Japão. Desde que chegou a Lima, Montesinos não desgruda de um colete à prova de bala e não toca na comida sem que ela seja antes provada por um policial. Todo cuidado é pouco depois que ele afirmou ter 30.000 fitas de vídeo em que gravou negociações de suborno de parlamentares, empresários, banqueiros, militares e juízes.

A palavra do vilão número 1 do Peru pode não valer nada nos tribunais, mas se houver um vídeo escondido em sua manga a situação do ex-presidente Fujimori pode se complicar. A saga de Montesinos começou após as eleições de 1990, quando Fujimori o transformou em seu assessor mais influente. Com um currículo medonho – expulso por traição do Exército na década de 70 e advogado de narcotraficantes nos anos 80 –, ele passou a chefiar o serviço de inteligência, de onde montou uma máfia que funcionava como um governo paralelo. Enquanto esteve no poder, Montesinos recebeu 10 milhões de dólares da CIA, o serviço secreto americano, para combater o tráfico de drogas no Peru, mas grande parte desse dinheiro acabou desviada.

Com o apoio militar e o consentimento de Fujimori, a turma de Montesinos colocou as mãos em cerca de 4 bilhões de dólares, dos quais quase 300 milhões já foram encontrados depositados em seu nome. Ao todo, ele responde a 52 processos, que variam entre crimes contra a humanidade, tráfico de armas, lavagem de dinheiro e extorsão. A queda do assessor foi provocada pela divulgação de uma de suas fitas, em setembro de 2000, em que ele aparecia subornando um deputado da oposição. O escândalo levou Montesinos a fugir do Peru – e acabou precipitando a queda de Fujimori. Em Caracas, Montesinos revelou ter usufruído a proteção de militares venezuelanos que ele protegera no Peru, em 1992, depois da fracassada tentativa de golpe liderada pelo atual presidente, Hugo Chávez. Ainda não se sabe se o presidente venezuelano ajudou a esconder Montesinos. Certo é que a operação de captura, iniciada pelo FBI, foi subitamente encampada por Chávez, que reivindicou toda a autoria da prisão.

 
 
   
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