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Edição 2063

4 de junho de 2008
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Cantores de celular

Por que os aparelhos com tocadores de MP3
estão mudando o hábito de ouvir música

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Quadro: Os artistas mais baixados

A paulista Marisa Molchansky, de 28 anos, é uma cantora de MPB que não faz sucesso nas rádios nem chama atenção pelas vendas de CDs. Mas Brisa – seu nome artístico – é uma estrela em ascensão no mundo da música... para celulares. Em abril, sua versão de Condição, de Lulu Santos, estabeleceu um recorde com a marca de 38.000 downloads em menos de vinte dias. O selo Oi Música, parceria entre a operadora Oi e a gravadora MZA, disponibilizou a canção para o público baixar no celular gratuitamente. "Não esperávamos um resultado tão bom", revela Marco Mazzola, presidente da MZA. Para se ter idéia da façanha, Ivete Sangalo, a cantora que mais vende discos no país, foi a primeira a ganhar o Disco de Ouro do celular, atingindo a marca de 50.000 downloads da canção Berimbau Metalizado. "Se não fosse pelo celular, a Brisa não teria explodido dessa forma", diz Mazzola.

A venda de música por meio dos celulares é o negócio que mais cresce na área de conteúdo digital. Uma comparação ajuda a dimensionar o fenômeno. A Apple demorou cinco anos para vender 100 milhões de iPods, o tocador de música digital mais popular do mundo. Pois bem: no ano passado, apenas a fabricante Nokia vendeu 80 milhões de celulares dotados de tocador de MP3. No Brasil, essa tendência também se alastra com velocidade. Entre 2006 e 2007, o uso de celulares com MP3 quintuplicou no país, segundo estudo realizado pela TNS, empresa especializada em pesquisa de mercado. Hoje são 26 milhões de aparelhos musicais com acesso à internet, contra 8 milhões de PCs conectados à banda larga. O perfil de quem acessa esses serviços vai dos adolescentes aos adultos antenados em novas tecnologias. "Os jovens de 14 a 24 anos costumam trocar seu aparelho por outro mais sofisticado a cada ano", diz Loredana Mariotto, diretora de marketing e varejo da Motorola. "E os aparelhos que entram na mira deles têm a música como atrativo." O marketing em torno dos celulares com MP3 é agressivo: em parceria com gravadoras, fabricantes de celular lançam aparelhos que já carregam em sua memória discos inéditos. Em 2006, o álbum mais recente do Skank foi lançado com duas faixas extras nos celulares da Sony Ericsson – que não demorou a atingir a marca dos 50.000 aparelhos vendidos. Os preços das canções também são cada vez mais atraentes. Por menos de 20 reais, é possível baixar cerca de oitenta músicas.

Preço baixo é algo que vale ouro num país onde 40% dos celulares pertencem às classes média e baixa. "Os maiores consumidores de música no celular são as classes C e D", afirma José Peña, gerente de novas mídias da EMI. Uma explicação para isso é que o celular supre a falta de computadores com banda larga na casa dessas pessoas. O fato de não se necessitar de cartão de crédito para comprar os arquivos com canções – a cobrança é feita pelas operadoras – é outro fator que leva muitos jovens a preferir baixar música no celular, e não no computador.

No momento, é verdade, as vendas de canções digitais representam apenas 6% das receitas gerais de música. A baixa participação no mercado (ainda dominado pelos CDs) não impede que operadoras e gravadoras vejam o negócio com ótimos olhos. "Esperamos um crescimento das vendas de música no celular de 30% neste ano", diz Marcia Elena Almeida, gerente de negócios digitais da Universal Music. A oferta de aparelhos mais sofisticados e o barateamento da tecnologia 3G (a banda larga dos celulares) deverão tornar essas previsões ainda mais otimistas. Baixar uma música de quatro minutos num celular 3G não leva mais que quatro segundos – contra intermináveis dois minutos nos da geração anterior.



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