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FILMES
Divulgação
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| Desmundo:
o nascimento do Brasil |
Desmundo (Brasil, 2003. Desde sexta-feira em cartaz) O
nascimento de uma nação como uma violação
é como se pode descrever a história deste belo filme, baseado
no romance de Ana Miranda. Em 1570, Oribela (Simone Spoladore) é
tirada de um convento em Portugal e enviada, com outras órfãs,
ao Brasil, para se casar e assim afastar os portugueses da tentação
das índias. Após cuspir em seu primeiro pretendente, Oribela
é vendida a um fazendeiro (Osmar Prado) que vive em estado de selvageria.
Não há lugar para sentimentos espirituais ou românticos,
como os que Oribela tem pelo cristão-novo Ximeno (Caco Ciocler).
O diretor Alain Fresnot evoca de forma quase tátil a sujeira e
a precariedade da colônia, e também o pavor de Oribela, que
a cada tentativa de fuga se torna mais vítima da subjugação
e mais se corrompe, para sobreviver. O filme é falado em
português arcaico e legendado.
Divulgação
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| A
Festa: o
rock de Manchester |
A Festa Nunca Termina (24 Hour Party People; Inglaterra/França/Holanda,
2002. Desde sexta-feira em cartaz em São Paulo e no Rio de Janeiro)
Do fim dos anos 70 até o início dos 90, a cidade
de Manchester foi a capital do rock na Inglaterra. Ali surgiram grupos
de grande sucesso e influência, como o Joy Division, o New Order
e o Happy Mondays. A Festa Nunca Termina é uma divertida
reconstituição daquela cena musical, que deixaria uma marca
indelével. O ponto de vista é o de Tony Wilson (vivido pelo
comediante Steve Coogan), um ex-repórter de TV que se tornou proprietário
de duas verdadeiras instituições da época: a gravadora
Factory e a boate Hacienda. A fita traz à tona os bastidores da
vida dos principais músicos locais, com todos os seus dramas e
loucuras.
LIVROS
O
Engenheiro de Almas, de Josef Skvorecky (tradução
de Regina Bhering; Record; 684 páginas; 72 reais) Ao lado
de Milan Kundera, Skvorecky é o mais importante escritor checo
da atualidade. Sua obra é fortemente autobiográfica e denuncia
de forma cínica, por vezes melancólica, o totalitarismo.
O personagem central de O Engenheiro de Almas, Danny Smiricky,
é um alter-ego recorrente em seus livros. Assim como Skvorecky,
ele é um escritor checo que se exilou no Canadá para fugir
da perseguição comunista e lá se tornou professor
universitário. Smiricky tem dificuldades para se relacionar com
os jovens e, ainda por cima, está na mira do serviço secreto
de seu país. Mas esse é só o ponto de partida de
uma trama que trata, nas palavras do autor, dos "velhos temas da vida:
mulheres, destino, sonhos, classe operária, amor e morte".
Uma
Volta com o Cachorro, de Walter Mosley (tradução
de Myriam Campello; Record; 224 páginas; 30 reais) O escritor
Mosley se destaca na literatura policial americana por conceber romances
que contêm certa dose de crítica social. É o caso
de Uma Volta com o Cachorro, cujo protagonista é uma figura
tão barra-pesada quanto carismática: Sócrates Fortlow,
ex-presidiário negro que leva uma existência pobre na periferia
de Los Angeles. Depois de passar 27 anos no xadrez por duplo homicídio,
Fortlow tenta reconstruir sua vida emprega-se num supermercado,
arranja namorada e cuida do filho dela. O problema é que ele é
um pavio-curto que não pode ver uma injustiça na vizinhança
sem resolvê-la no braço ou a bala. E convites à
violência não faltam no pedaço. Leia
trechos do livro.
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| Scott
Fitzgerald: cronista da era do jazz |
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Este
Lado do Paraíso, de F. Scott Fitzgerald (tradução
de Carlos Eugênio Marcondes de Moura; Cosac & Naify; 336 páginas;
37 reais) Um dos maiores nomes da literatura americana, o escritor
F. Scott Fitzgerald (1896-1940) captou como ninguém a alma de seu
país nas primeiras décadas do século XX. Este
Lado do Paraíso, seu romance de estréia, é exemplo
disso. Lançado em 1920, o livro narra o rito de amadurecimento
intelectual, espiritual e sexual do jovem Amory Blaine nos
fervilhantes Estados Unidos dos tempos áureos do jazz. Por meio
de sua trajetória, Fitzgerald fala dos excessos românticos
e das desilusões de sua própria geração. A
obra, que estava fora de catálogo havia mais de dez anos, finalmente
retorna às livrarias brasileiras. E o melhor: numa nova e boa tradução.
DISCOS
Blues
Singer, Buddy Guy (BMG Brasil) Figura de primeira grandeza
do blues, o cantor e guitarrista americano Buddy Guy devia fazia tempo
um grande álbum a seus fãs. Na estrada desde os anos 60,
ele passou os últimos anos lançando discos anódinos,
que mal serviam de música de fundo para happy hours. Em Blues
Singer, Guy felizmente volta à boa forma. Para tanto, ele deixa
a guitarra um pouco de lado e interpreta ao violão clássicos
do gênero compostos no início do século passado. Boa
parte dessas músicas é de autoria de artistas quase desconhecidos,
como Jack Owens e Skip James. Com seu vocal lamentoso e sua pegada de
craque ao violão, ele transborda emoção em faixas
como Can't See Baby e Crawlin'
Snake esta última, com participação
de B.B. King e de Eric Clapton.
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Rio
65 Trio, A Hora e a Vez da MPM e Intuition,
Dom Salvador (Universal e Lua Discos) O pianista paulista Dom Salvador
é um dos mais célebres "exilados" da MPB. Mudou-se para
os Estados Unidos nos anos 70 e seu talento nunca teve um tratamento à
altura por aqui. Essa injustiça é corrigida com o lançamento
de três discos. Rio 65 Trio e A Hora e a Vez da MPM são
títulos antigos do selo Phillips, que permaneciam inéditos
em CD no Brasil. Em tempo: "MPM" é a sigla para Música Popular
Moderna, nome pelo qual ficou conhecido o estilo do pianista, que adiciona
a malemolência do samba ao jazz americano. Lançado nos Estados
Unidos em 1997 e também inédito no país, Intuition
traz suingadas faixas do próprio Salvador, como Toada, e
uma versão de Alfie, de Burt Bacharach.
DANÇA
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Ballett
Frankfurt:
impecável
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Ballett Frankfurt (sexta e sábado, no Teatro Municipal
de São Paulo; dias 12 e 13, no Municipal do Rio) O Ballett
Frankfurt é referência obrigatória na dança
contemporânea. Além de ter um corpo de bailarinos de técnica
impecável, a companhia tem à sua frente um dos mais criativos
e respeitados coreógrafos da atualidade, o americano William Forsythe.
A turnê que se inicia nesta semana chama a atenção
não apenas por se tratar de sua primeira passagem pelo país.
Pode também ser a última chance de ver o balé em
ação, já que ele corre o risco de ser extinto no
ano que vem por sua patrocinadora, a prefeitura da cidade alemã
de Frankfurt. Nas apresentações brasileiras, seus 35 bailarinos
executarão três coreografias criadas por Forsythe: (N.N.N.N.),
Enemy in the Figure e Quintett.
Assista a trechos de uma apresentação da companhia
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