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Edição 1 805 - 4 de junho de 2003
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FILMES

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Desmundo: o nascimento do Brasil


Desmundo
(Brasil, 2003. Desde sexta-feira em cartaz) – O nascimento de uma nação como uma violação é como se pode descrever a história deste belo filme, baseado no romance de Ana Miranda. Em 1570, Oribela (Simone Spoladore) é tirada de um convento em Portugal e enviada, com outras órfãs, ao Brasil, para se casar e assim afastar os portugueses da tentação das índias. Após cuspir em seu primeiro pretendente, Oribela é vendida a um fazendeiro (Osmar Prado) que vive em estado de selvageria. Não há lugar para sentimentos espirituais ou românticos, como os que Oribela tem pelo cristão-novo Ximeno (Caco Ciocler). O diretor Alain Fresnot evoca de forma quase tátil a sujeira e a precariedade da colônia, e também o pavor de Oribela, que a cada tentativa de fuga se torna mais vítima da subjugação – e mais se corrompe, para sobreviver. O filme é falado em português arcaico e legendado.



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A Festa: o rock de Manchester


A Festa Nunca Termina
(24 Hour Party People; Inglaterra/França/Holanda, 2002. Desde sexta-feira em cartaz em São Paulo e no Rio de Janeiro) – Do fim dos anos 70 até o início dos 90, a cidade de Manchester foi a capital do rock na Inglaterra. Ali surgiram grupos de grande sucesso e influência, como o Joy Division, o New Order e o Happy Mondays. A Festa Nunca Termina é uma divertida reconstituição daquela cena musical, que deixaria uma marca indelével. O ponto de vista é o de Tony Wilson (vivido pelo comediante Steve Coogan), um ex-repórter de TV que se tornou proprietário de duas verdadeiras instituições da época: a gravadora Factory e a boate Hacienda. A fita traz à tona os bastidores da vida dos principais músicos locais, com todos os seus dramas e loucuras.

 

LIVROS

O Engenheiro de Almas, de Josef Skvorecky (tradução de Regina Bhering; Record; 684 páginas; 72 reais) – Ao lado de Milan Kundera, Skvorecky é o mais importante escritor checo da atualidade. Sua obra é fortemente autobiográfica e denuncia de forma cínica, por vezes melancólica, o totalitarismo. O personagem central de O Engenheiro de Almas, Danny Smiricky, é um alter-ego recorrente em seus livros. Assim como Skvorecky, ele é um escritor checo que se exilou no Canadá para fugir da perseguição comunista e lá se tornou professor universitário. Smiricky tem dificuldades para se relacionar com os jovens e, ainda por cima, está na mira do serviço secreto de seu país. Mas esse é só o ponto de partida de uma trama que trata, nas palavras do autor, dos "velhos temas da vida: mulheres, destino, sonhos, classe operária, amor e morte".

Uma Volta com o Cachorro, de Walter Mosley (tradução de Myriam Campello; Record; 224 páginas; 30 reais) – O escritor Mosley se destaca na literatura policial americana por conceber romances que contêm certa dose de crítica social. É o caso de Uma Volta com o Cachorro, cujo protagonista é uma figura tão barra-pesada quanto carismática: Sócrates Fortlow, ex-presidiário negro que leva uma existência pobre na periferia de Los Angeles. Depois de passar 27 anos no xadrez por duplo homicídio, Fortlow tenta reconstruir sua vida – emprega-se num supermercado, arranja namorada e cuida do filho dela. O problema é que ele é um pavio-curto que não pode ver uma injustiça na vizinhança sem resolvê-la no braço – ou a bala. E convites à violência não faltam no pedaço. Leia trechos do livro.

 
Scott Fitzgerald: cronista da era do jazz  

Este Lado do Paraíso, de F. Scott Fitzgerald (tradução de Carlos Eugênio Marcondes de Moura; Cosac & Naify; 336 páginas; 37 reais) – Um dos maiores nomes da literatura americana, o escritor F. Scott Fitzgerald (1896-1940) captou como ninguém a alma de seu país nas primeiras décadas do século XX. Este Lado do Paraíso, seu romance de estréia, é exemplo disso. Lançado em 1920, o livro narra o rito de amadurecimento – intelectual, espiritual e sexual – do jovem Amory Blaine nos fervilhantes Estados Unidos dos tempos áureos do jazz. Por meio de sua trajetória, Fitzgerald fala dos excessos românticos e das desilusões de sua própria geração. A obra, que estava fora de catálogo havia mais de dez anos, finalmente retorna às livrarias brasileiras. E o melhor: numa nova e boa tradução.

 

DISCOS

Blues Singer, Buddy Guy (BMG Brasil) – Figura de primeira grandeza do blues, o cantor e guitarrista americano Buddy Guy devia fazia tempo um grande álbum a seus fãs. Na estrada desde os anos 60, ele passou os últimos anos lançando discos anódinos, que mal serviam de música de fundo para happy hours. Em Blues Singer, Guy felizmente volta à boa forma. Para tanto, ele deixa a guitarra um pouco de lado e interpreta ao violão clássicos do gênero compostos no início do século passado. Boa parte dessas músicas é de autoria de artistas quase desconhecidos, como Jack Owens e Skip James. Com seu vocal lamentoso e sua pegada de craque ao violão, ele transborda emoção em faixas como Can't See Baby e Crawlin' Snakeesta última, com participação de B.B. King e de Eric Clapton.


Rio 65 Trio, A Hora e a Vez da MPM e Intuition, Dom Salvador (Universal e Lua Discos) – O pianista paulista Dom Salvador é um dos mais célebres "exilados" da MPB. Mudou-se para os Estados Unidos nos anos 70 e seu talento nunca teve um tratamento à altura por aqui. Essa injustiça é corrigida com o lançamento de três discos. Rio 65 Trio e A Hora e a Vez da MPM são títulos antigos do selo Phillips, que permaneciam inéditos em CD no Brasil. Em tempo: "MPM" é a sigla para Música Popular Moderna, nome pelo qual ficou conhecido o estilo do pianista, que adiciona a malemolência do samba ao jazz americano. Lançado nos Estados Unidos em 1997 e também inédito no país, Intuition traz suingadas faixas do próprio Salvador, como Toada, e uma versão de Alfie, de Burt Bacharach.

 

DANÇA

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Ballett Frankfurt: impecável


Ballett Frankfurt
(sexta e sábado, no Teatro Municipal de São Paulo; dias 12 e 13, no Municipal do Rio) – O Ballett Frankfurt é referência obrigatória na dança contemporânea. Além de ter um corpo de bailarinos de técnica impecável, a companhia tem à sua frente um dos mais criativos e respeitados coreógrafos da atualidade, o americano William Forsythe. A turnê que se inicia nesta semana chama a atenção não apenas por se tratar de sua primeira passagem pelo país. Pode também ser a última chance de ver o balé em ação, já que ele corre o risco de ser extinto no ano que vem por sua patrocinadora, a prefeitura da cidade alemã de Frankfurt. Nas apresentações brasileiras, seus 35 bailarinos executarão três coreografias criadas por Forsythe: (N.N.N.N.), Enemy in the Figure e Quintett.

Assista a trechos de uma apresentação da companhia
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Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Fnac, Nobel, Siciliano; Rio: Saraiva, Nobel, Laselva, Sodiler, Siciliano, Argumento, Travessa; Porto Alegre: Saraiva, Nobel, Livraria Ed. Porto Alegre, Siciliano; Brasília: Sodiler, Nobel, Siciliano, Saraiva, Leitura; Recife: Sodiler, Nobel, Saraiva, Siciliano; Natal: Nobel, Sodiler; Florianópolis: Siciliano; Goiânia: Siciliano, Nobel; Fortaleza: Siciliano, Laselva, Nobel; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva; Belo Horizonte: Siciliano, Nobel, Leitura; Maceió: Sodiler, Nobel.
   
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