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O Brasil em 40
anos
Uma análise
das mudanças ocorridas
no país através de 200 entrevistas feitas
por VEJA com formandos em engenharia
nas turmas de 1955 e 1995

Décio
Costa
Fotos acervo pessoal
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| Duas
turmas da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo: a de 1955
(acima), entre os quais aparece Mário Covas, em foto feita
alguns anos atrás, e os formandos de 1995 (abaixo), durante
cerimônia de formatura |
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Veja também |
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Há
várias formas de aferir as transformações sociais
e econômicas ocorridas no Brasil nas últimas décadas.
VEJA decidiu fazer isso entrevistando 200 formandos das turmas de 1955
e 1995 da faculdade de engenharia da Universidade de São Paulo,
a Escola Politécnica, instituição que prepara profissionais
da área desde 1893. O primeiro dado que chama a atenção
na pesquisa é o fenômeno da mobilidade social. Na turma de
engenheiros de 1955, à qual pertencia o ex-governador Mário
Covas, apenas 30% dos alunos tinham pais com superior completo. Em 1995,
o índice era de 66%. Metade dos formandos de 1955 trabalhava durante
o curso. Pouco mais de um quarto dos estudantes da turma de 1995 precisou
fazer a mesma coisa. Nas duas turmas, o efeito do diploma foi altamente
positivo do ponto de vista financeiro. A maioria dos alunos, dos antigos
e dos mais novos, diz que a qualidade de vida deles melhorou em relação
à que tinham seus pais.
Outro dado
interessante que se pode extrair da comparação das turmas
está ligado ao destino dos formandos. Seja na turma de engenheiros
de 1955, seja na de 1995, a maioria dos diplomados decidiu procurar emprego
ao sair da faculdade. Apenas um em cada quatro engenheiros novatos se
arriscou a montar o próprio negócio. Na análise de
alguns especialistas, esse impulso empregatício está relacionado
à orientação profissional passada pelas escolas
hoje e sempre. Não há, nas faculdades brasileiras, preocupação
em estimular nos alunos o chamado espírito empreendedor.
A análise
das transformações ocorridas no Brasil poderia ser feita
por meio do curso de medicina, de direito ou de economia. Renderia comparações
curiosas, sem dúvida. Fazê-la por intermédio do curso
de engenharia, no entanto, tem um componente especial. Ele diz respeito
à área de atuação dos engenheiros. A turma
de 1955 assistiu a um processo de desenvolvimento sem precedentes na história
do Brasil. O plano de metas do presidente Juscelino Kubitschek pretendia
fazer o país crescer cinqüenta anos em cinco. Em razão
disso, houve um boom da engenharia civil. Sobravam vagas em construtoras
e em organismos públicos. A indústria automobilística
também estava em expansão, o que atraiu uma leva de engenheiros
para trabalhar em montadoras. Agora a história é outra.
A crise econômica freou a realização de obras estruturais
e diminuiu drasticamente a produção de carros. Como resultado,
o engenheiro de hoje busca oportunidades em áreas administrativas
ou financeiras, longe de sua área de atuação original.
Na opinião dos especialistas, contudo, a engenharia continua a
ser um curso promissor.
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