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Edição 1 805 - 4 de junho de 2003
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O perfil do jovem talento

VEJA entrevistou 607 pessoas
que se deram bem no mundo
profissional em dezessete áreas
de atuação. E foi descobrir que
características elas têm em comum

Monica Weinberg

 
Claudio Rossi

A FORMATURA
Próxima etapa, exames de recrutamento ou a tentativa de montar o próprio negócio



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Chega a ser irônico. O jovem estuda cada vez mais, às vezes cursa a segunda faculdade, faz MBA, fala o terceiro idioma, mas na hora da contratação o recrutador quer saber se ele possui aquelas mesmas virtudes que a professora valorizava no jardim-de-infância: criatividade, espírito de liderança, iniciativa, capacidade de trabalhar em grupo, equilíbrio para lidar com a adversidade, inclinação para desafiar as regras e integridade pessoal. Não importa se o recém-formado é candidato a um emprego ou se tem planos de montar o próprio negócio. O mercado de trabalho passou a julgar sua probabilidade de sucesso principalmente por meio das chamadas características pessoais. Entre elas, o espírito empreendedor é a mais valiosa. Por empreendedor, entenda-se o camarada que prefere o risco do negócio próprio ao conforto do emprego seguro. Na empresa, é aquele que ousa, que funciona como o motor propulsor do departamento onde trabalha ou da companhia inteira.

O mercado de trabalho atingiu um estágio curioso. Não possuir uma educação formal adequada e extensa praticamente elimina as chances de o jovem conseguir uma oportunidade, mas o investimento concentrado nos estudos já não desempata a corrida como acontecia até algum tempo atrás. Ironicamente, os jovens bem formados acabam enfrentando uma dificuldade nova, relacionada ao desenvolvimento do Brasil. Na última década, o contingente universitário e o número de mestres e doutores duplicaram. Isso significa que uma mesma vaga passou a ser disputada por um número maior de pessoas tecnicamente qualificadas. Essa profusão de currículos assemelhados obrigou os recrutadores a refinar os critérios para resolver quem entra e quem sai. Daí por que o mercado começou a analisar as virtudes individuais.

A inclinação empreendedora ganhou destaque sobre as demais características porque as empresas mudaram. Há pouco espaço para aquele profissional altamente especializado, que apenas executa as ordens recebidas do chefe. O que as empresas querem é que cada funcionário se comporte como se fosse acionista. "Entre um currículo brilhante e um profissional que demonstre ter a capacidade de trazer novas idéias e de adotar o negócio como se fosse dele, o mercado opta pelo segundo tipo", diz o consultor Simon Franco, presidente para a América Latina da TMP Worldwide.

Para tentar compreender essa transformação conceitual, na qual virtudes pessoais se sobrepuseram às virtudes profissionais, VEJA realizou uma pesquisa de campo em parceria com uma empresa especializada, a Franceschini Análises de Mercado. Primeiro, identificou as carreiras mais procuradas no vestibular. Selecionou dezessete. Depois, entrevistou profissionais consagrados e executivos de recursos humanos pedindo que apontassem em sua área o nome de alguns talentos jovens. Para ser considerado jovem era preciso estar formado em média há dez anos. A reportagem chegou a 607 nomes, e todos foram entrevistados. Para não restringir o universo ao mundo empresarial, incluíram-se na amostra jovens que montaram o próprio negócio. O resultado da pesquisa pode ser conferido no quadro, em que as características dos talentos foram divididas em três grupos: familiares, profissionais e pessoais. Muitos jovens que hoje tentam ingressar no mercado de trabalho podem ter um perfil semelhante a um ou dois desses grupos. Os especialistas de mercado dizem, no entanto, que só haverá espaço para quem se pareça com eles nos três grupos.

 
 
   
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