
estasemana
colunas
seções
arquivoVEJA
|
|
O
perfil do jovem talento
VEJA
entrevistou 607 pessoas
que se deram bem no mundo
profissional em dezessete áreas
de atuação. E foi descobrir que
características elas têm em comum
Monica Weinberg
Claudio Rossi
 |
|
A
FORMATURA
Próxima etapa, exames de recrutamento ou a tentativa de montar
o próprio negócio
|

Veja também |
|
|
|
Chega
a ser irônico. O jovem estuda cada vez mais, às vezes cursa
a segunda faculdade, faz MBA, fala o terceiro idioma, mas na hora da contratação
o recrutador quer saber se ele possui aquelas mesmas virtudes que a professora
valorizava no jardim-de-infância: criatividade, espírito
de liderança, iniciativa, capacidade de trabalhar em grupo, equilíbrio
para lidar com a adversidade, inclinação para desafiar as
regras e integridade pessoal. Não importa se o recém-formado
é candidato a um emprego ou se tem planos de montar o próprio
negócio. O mercado de trabalho passou a julgar sua probabilidade
de sucesso principalmente por meio das chamadas características
pessoais. Entre elas, o espírito empreendedor é a mais valiosa.
Por empreendedor, entenda-se o camarada que prefere o risco do negócio
próprio ao conforto do emprego seguro. Na empresa, é aquele
que ousa, que funciona como o motor propulsor do departamento onde trabalha
ou da companhia inteira.
O mercado de trabalho atingiu um estágio curioso. Não possuir
uma educação formal adequada e extensa praticamente elimina
as chances de o jovem conseguir uma oportunidade, mas o investimento concentrado
nos estudos já não desempata a corrida como acontecia até
algum tempo atrás. Ironicamente, os jovens bem formados acabam
enfrentando uma dificuldade nova, relacionada ao desenvolvimento do Brasil.
Na última década, o contingente universitário e o
número de mestres e doutores duplicaram. Isso significa que uma
mesma vaga passou a ser disputada por um número maior de pessoas
tecnicamente qualificadas. Essa profusão de currículos assemelhados
obrigou os recrutadores a refinar os critérios para resolver quem
entra e quem sai. Daí por que o mercado começou a analisar
as virtudes individuais.
A inclinação empreendedora ganhou destaque sobre as demais
características porque as empresas mudaram. Há pouco espaço
para aquele profissional altamente especializado, que apenas executa as
ordens recebidas do chefe. O que as empresas querem é que cada
funcionário se comporte como se fosse acionista. "Entre um currículo
brilhante e um profissional que demonstre ter a capacidade de trazer novas
idéias e de adotar o negócio como se fosse dele, o mercado
opta pelo segundo tipo", diz o consultor Simon Franco, presidente para
a América Latina da TMP Worldwide.
Para tentar compreender essa transformação conceitual, na
qual virtudes pessoais se sobrepuseram às virtudes profissionais,
VEJA realizou uma pesquisa de campo em parceria com uma empresa especializada,
a Franceschini Análises de Mercado. Primeiro, identificou as carreiras
mais procuradas no vestibular. Selecionou dezessete. Depois, entrevistou
profissionais consagrados e executivos de recursos humanos pedindo que
apontassem em sua área o nome de alguns talentos jovens. Para ser
considerado jovem era preciso estar formado em média há
dez anos. A reportagem chegou a 607 nomes, e todos foram entrevistados.
Para não restringir o universo ao mundo empresarial, incluíram-se
na amostra jovens que montaram o próprio negócio. O resultado
da pesquisa pode ser conferido no quadro, em que as características
dos talentos foram divididas em três grupos: familiares, profissionais
e pessoais. Muitos jovens que hoje tentam ingressar no mercado de trabalho
podem ter um perfil semelhante a um ou dois desses grupos. Os especialistas
de mercado dizem, no entanto, que só haverá espaço
para quem se pareça com eles nos três grupos.
|
|
 |