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Edição 1 805 - 4 de junho de 2003
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Ficou mais difícil

A porta do mercado de trabalho nunca
foi tão estreita para os jovens. Saiba o
que é preciso para aumentar suas
chances de conquistar um lugar ao sol

José Eduardo Costa


Edson Silva/Folha Imagem
O PRÓXIMO DESAFIO
A alegria dos aprovados no vestibular. Agora, é preparar-se para agarrar as oportunidades


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Há um dado especialmente delicado em meio às estatísticas sobre o desemprego no Brasil. Ele diz respeito à situação da juventude. Para fins de estudo na área do trabalho, jovem é aquele que tem entre 16 e 24 anos, massa equivalente a 20% da população economicamente ativa. O Ministério do Trabalho e Emprego decidiu aferir o peso do desemprego sobre a juventude. A pesquisa do governo constatou que os mais jovens significam 44% do total de desocupados. Considera-se desocupada a pessoa que procurou emprego no mês anterior ao da entrevista. Perceba a desproporção: os jovens representam um quinto da força produtiva, mas concentram mais de dois quintos dos desempregados. Nos outros países, o desemprego entre os mais jovens também é mais elevado do que entre os mais velhos. "O ingresso de rapazes e moças no mercado de trabalho enfrenta dificuldades conhecidas", afirma o sociólogo José Pastore, especialista no assunto. "As empresas alegam falta de experiência, excesso de encargos sociais na contratação e exagero de despesas na demissão", conclui. A novidade no caso brasileiro é que o nível de desemprego entre os jovens chegou a um patamar elevado demais.

O desemprego total no Brasil atingiu 9,4% da população economicamente ativa. Há 7,5 milhões de pessoas querendo trabalhar, sem conseguir. Em 1994, os desempregados eram menos de 5 milhões. Nenhuma faixa etária tem sido poupada, mas a situação fica mais grave quando os jovens se tornam vítimas preferenciais. Desde o início da década de 80, a economia vem atravessando um processo de ajustes continuado (leia-se corte de vagas). Há duas décadas, quando o Brasil mergulhou numa recessão provocada pela crise da dívida externa, as companhias conduziram um processo de demissão em massa. Os alvos escolhidos foram os donos de salários elevados, em geral pessoas mais velhas. Demitia-se o profissional experiente para contratar em seu lugar um recém-formado, a um custo mais baixo para a empresa. Ironicamente, o movimento de corte beneficiou os jovens.

No início dos anos 90, durante o processo de abertura econômica, houve um segundo movimento de cortes. Nesse ajuste, as fábricas cortaram postos de trabalho, indiscriminadamente. A tesoura atingiu salários altos e baixos, mão-de-obra jovem e mais experiente. Na fase atual, não se pode falar em onda de demissões, mas em represamento. As empresas preferem manter o quadro funcional reduzido, abrindo vagas para contratações apenas quando necessário. Esse comportamento eleva o estoque de desocupados na faixa etária mais nova. Para os recém-formados, aumentou a concorrência.


A situação geral do Brasil só vai melhorar quando o país voltar a crescer. O professor José Pastore reuniu alguns dados para mostrar que, com crescimento, o Brasil pode se transformar numa usina de oportunidades de trabalho. Tome-se como exemplo o que há para ser feito na construção civil. O país pavimentou apenas 160 000 quilômetros de estradas, um quinto da malha existente no Japão, país de território minúsculo. No turismo, observa o professor, empregamos pouco mais de 3% da força de trabalho, enquanto a média mundial é 10%, chegando a 20% no caso da França e da Espanha. Mas o que devem fazer os mais jovens enquanto o Brasil não cresce? Mais ainda: como estar apto a disputar as melhores oportunidades de trabalho? Como se diferenciar? Como ser especial? Como estar preparado para tocar o próprio negócio?

Para tentar responder a tais perguntas, VEJA preparou esta reportagem especial, um serviço útil para quem quer disputar um emprego e também para aqueles que pretendem tornar-se empreendedores. O trabalho é resultado de um mergulho profundo no mercado, feito com base em mais de 1 000 entrevistas. Foram ouvidos especialistas de recursos humanos, jovens considerados bem-sucedidos após cerca de dez anos de formados e profissionais mais experientes. Conheça nas páginas a seguir as características profissionais e pessoais mais valorizadas no mercado e o que esperar do futuro em dezessete profissões, selecionadas entre as mais disputadas no vestibular. E boa sorte em sua carreira.

 
 
   
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