
estasemana
colunas
seções
arquivoVEJA
|
|
Ficou mais
difícil
A porta
do mercado de trabalho nunca
foi tão estreita para os jovens. Saiba o
que é preciso para aumentar suas
chances de conquistar um lugar ao sol

José
Eduardo Costa
Edson Silva/Folha Imagem
 |
O
PRÓXIMO DESAFIO
A alegria dos aprovados no vestibular. Agora, é preparar-se
para agarrar as oportunidades |

Acesso rápido |
|
|
|
|

Veja também |
|
|
|
|
Há
um dado especialmente delicado em meio às estatísticas sobre
o desemprego no Brasil. Ele diz respeito à situação
da juventude. Para fins de estudo na área do trabalho, jovem é
aquele que tem entre 16 e 24 anos, massa equivalente a 20% da população
economicamente ativa. O Ministério do Trabalho e Emprego decidiu
aferir o peso do desemprego sobre a juventude. A pesquisa do governo constatou
que os mais jovens significam 44% do total de desocupados. Considera-se
desocupada a pessoa que procurou emprego no mês anterior ao da entrevista.
Perceba a desproporção: os jovens representam um quinto
da força produtiva, mas concentram mais de dois quintos dos desempregados.
Nos outros países, o desemprego entre os mais jovens também
é mais elevado do que entre os mais velhos. "O ingresso de rapazes
e moças no mercado de trabalho enfrenta dificuldades conhecidas",
afirma o sociólogo José Pastore, especialista no assunto.
"As empresas alegam falta de experiência, excesso de encargos sociais
na contratação e exagero de despesas na demissão",
conclui. A novidade no caso brasileiro é que o nível de
desemprego entre os jovens chegou a um patamar elevado demais.
O desemprego
total no Brasil atingiu 9,4% da população economicamente
ativa. Há 7,5 milhões de pessoas querendo trabalhar, sem
conseguir. Em 1994, os desempregados eram menos de 5 milhões. Nenhuma
faixa etária tem sido poupada, mas a situação fica
mais grave quando os jovens se tornam vítimas preferenciais. Desde
o início da década de 80, a economia vem atravessando um
processo de ajustes continuado (leia-se corte de vagas). Há duas
décadas, quando o Brasil mergulhou numa recessão provocada
pela crise da dívida externa, as companhias conduziram um processo
de demissão em massa. Os alvos escolhidos foram os donos de salários
elevados, em geral pessoas mais velhas. Demitia-se o profissional experiente
para contratar em seu lugar um recém-formado, a um custo mais baixo
para a empresa. Ironicamente, o movimento de corte beneficiou os jovens.
No início
dos anos 90, durante o processo de abertura econômica, houve um
segundo movimento de cortes. Nesse ajuste, as fábricas cortaram
postos de trabalho, indiscriminadamente. A tesoura atingiu salários
altos e baixos, mão-de-obra jovem e mais experiente. Na fase atual,
não se pode falar em onda de demissões, mas em represamento.
As empresas preferem manter o quadro funcional reduzido, abrindo vagas
para contratações apenas quando necessário. Esse
comportamento eleva o estoque de desocupados na faixa etária mais
nova. Para os recém-formados, aumentou a concorrência.
A
situação geral do Brasil só vai melhorar quando o
país voltar a crescer. O professor José Pastore reuniu alguns
dados para mostrar que, com crescimento, o Brasil pode se transformar
numa usina de oportunidades de trabalho. Tome-se como exemplo o que há
para ser feito na construção civil. O país pavimentou
apenas 160 000 quilômetros de estradas, um quinto da malha existente
no Japão, país de território minúsculo. No
turismo, observa o professor, empregamos pouco mais de 3% da força
de trabalho, enquanto a média mundial é 10%, chegando a
20% no caso da França e da Espanha. Mas o que devem fazer os mais
jovens enquanto o Brasil não cresce? Mais ainda: como estar apto
a disputar as melhores oportunidades de trabalho? Como se diferenciar?
Como ser especial? Como estar preparado para tocar o próprio negócio?
Para tentar
responder a tais perguntas, VEJA preparou esta reportagem especial, um
serviço útil para quem quer disputar um emprego e também
para aqueles que pretendem tornar-se empreendedores. O trabalho é
resultado de um mergulho profundo no mercado, feito com base em mais de
1 000 entrevistas. Foram ouvidos especialistas de recursos humanos, jovens
considerados bem-sucedidos após cerca de dez anos de formados e
profissionais mais experientes. Conheça nas páginas a seguir
as características profissionais e pessoais mais valorizadas no
mercado e o que esperar do futuro em dezessete profissões, selecionadas
entre as mais disputadas no vestibular. E boa sorte em sua carreira.
|
|
 |