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Edição 1 805 - 4 de junho de 2003
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O touro tem uma tonelada

Adrenalina, shows musicais e prêmios
atraem profissionais da montaria e
uma platéia de 30 milhões de pessoas
para os rodeios

Sandra Brasil


Andy Watson
Claudio Rossi
Ednei Caminhas (em ação, à esq.) na corrida pelo prêmio de 1 milhão de dólares nos Estados Unidos

O ponto alto de um rodeio é a prova de montaria de touro. Durante oito segundos o competidor precisa ficar agarrado a um animal furioso. Alguns pesam 1 tonelada, o mesmo que um carro como o Corsa. Para deixar o bicho mais bravo, e fazê-lo pular ainda mais, amarra-se uma corda apertada na região da virilha do animal. E, a fim de dar maior emoção à prova, a regra exige que o peão use apenas uma das mãos para segurar a corda e o obriga a cutucar o touro com a espora. As cutucadas valem pontos. O jogo é tão violento que os competidores usam coletes protetores para a coluna e grades de aço para proteger o rosto. Acidentes graves são tão comuns que as companhias de seguro não fazem apólices para esses atletas. Se o peão for derrubado, sai do jogo. Ganha quem faz a apresentação mais bonita, segundo a avaliação dos juízes. A imagem acima mostra uma dessas provas com touro e foi produzida nos Estados Unidos, mas poderia ter sido tirada no Brasil, num dos inúmeros rodeios que acontecem de norte a sul. O último levantamento sobre rodeios no país contabiliza um número impressionante. São 1 500 provas por ano. Dá quase trinta por semana.

Há rodeios em todos os países com tradição de pecuária, como Estados Unidos, México e Austrália. O Brasil já tem alguns dos principais eventos do mundo. Estudos mostram que os rodeios movimentam cerca de 2,5 bilhões de reais por ano no país. Duas semanas atrás, foi realizado um dos mais animados do Brasil, na cidade de Jaguariúna, a cerca de 100 quilômetros de São Paulo. Além dos peões, da música country e dos sons sertanejos, passaram pela arena alguns dos principais grupos de samba e pagode. A festa atraiu 250.000 pessoas. É uma das três maiores do Brasil, ao lado das realizadas em duas cidades paulistas, Americana e Barretos. Em torno do evento principal surgiram dezenas de outros empreendimentos. Há feiras agrícolas, bares country montados nas cidades e muitas confecções. Para vestir um caubói a rigor, gastam-se até 5.000 reais. Estima-se que mais de 5.500 pessoas, de competidores e juízes a vaqueiros e salva-vidas, trabalhem diretamente com a realização dos rodeios. Dois anos atrás, os peões ganharam o direito de ter a profissão regulamentada. Agora, participam dos espetáculos com direito a registro na carteira de trabalho e todos os benefícios previstos em lei.


Claudio Rossi
O empresário Valdomiro Poliselli: festa para público de 250 000 pessoas

Como as festas atraem um grande público, sua organização também se profissionalizou. Até alguns anos atrás, os rodeios eram um tanto improvisados. Agora, oferecem inclusive cotas de patrocínio. Boa parte do dinheiro que movimenta essas festas está sendo trazida por empresas, e não pela venda de ingressos. O empresário Valdomiro Poliselli, organizador do rodeio de Jaguariúna, diz que 80% do custo da festa foi pago por anunciantes, entre os quais empresas como Vivo, Brahma, Embratel e Bradesco, todos de olho nos milhares de pessoas que o rodeio atraiu. Há dez anos, uma cota de patrocínio da maior festa de rodeio do Brasil, a que ocorre em Barretos, custava 30.000 reais, relativamente pouco para um evento que reunia mais gente que o show de uma estrela da música popular. Neste ano, cada cota de patrocínio em Barretos vale 600.000 reais. Os entusiastas costumam fazer uma analogia com o futebol para explicar o sucesso do rodeio. Além da festa e da música, as provas são eletrizantes. "É um gol a cada oito segundos, o tempo que o peão precisa agüentar montado em um touro bravo", diz Emílio Carlos dos Santos, vice-presidente da Confederação Nacional de Rodeio. Segundo ele, outra explicação é que os rodeios se transformaram na única festa de massa que pode ser freqüentada pela família inteira. Ou alguém se sente à vontade para levar o filho ao estádio na partida final do campeonato estadual de futebol?

Há diversas modalidades de rodeio. A montaria de cavalos é a mais conhecida, mas o touro faz mais sucesso, por causa do porte do animal e do risco para o peão. Os fãs do esporte que compareceram ao rodeio de Jaguariúna puderam ver em ação a atual estrela mundial da montaria de touro, o paulista Ednei Caminhas, que já ganhou 105 títulos no Brasil. No ano passado, Caminhas sagrou-se campeão mundial de montaria de touro, em torneio disputado nos Estados Unidos. Participaram das provas atletas brasileiros, americanos, canadenses e australianos. Muitos peões brasileiros tentam a sorte todos os anos nas competições americanas. Há três anos, Caminhas começou a competir nos Estados Unidos. Em suas competições, ele quebrou alguns recordes e muitos ossos do corpo. Antes de se mudar para os Estados Unidos, Caminhas sofreu seu pior acidente ao montar um touro no rodeio de Colorado, no Paraná. Ele bateu com o rosto na cabeça do animal. Resultado: submeteu-se a uma cirurgia para implante de oito parafusos de platina no lado direito do rosto.


Claudio Rossi
Amazonas que fazem a abertura dos rodeios: já são mais de quatro por dia

Existem algumas diferenças entre os rodeios americanos e os realizados no Brasil. Uma delas diz respeito à música. Nos Estados Unidos só vale o country. Nos rodeios brasileiros vale tudo. Outra diferença se refere à posição atingida pelos peões na pirâmide social. Em alguns Estados americanos eles são tratados como estrelas. Os campeões dão entrevistas e vivem cercados de seguranças. Os melhores podem receber até 6 milhões de reais por temporada. No Brasil há poucas premiações em dinheiro, e ninguém conseguiu enriquecer para valer montando em touro bravo. Em geral, os vencedores de rodeios ganham automóveis, motocicletas e passagens aéreas. Existem casos como o do peão Rinaldo da Silva, o "Formiguinha". Ele já ganhou 46 motos, oito carros e duas caminhonetes em rodeios em que competiu no interior. O maior prêmio em dinheiro pago até hoje foi de 100.000 reais, em Barretos, no ano passado. Em conseqüência disso, o Brasil também começou a exportar craques do rodeio. O brasileiro Adriano Moraes já foi bicampeão americano. Caminhas segue este exemplo do campeão. Desde que chegou aos Estados Unidos, já acumulou 700.000 dólares em prêmios, e poderá receber 1 milhão de dólares se conquistar o bicampeonato neste ano.

 

Moda country


Fotos Marcelo Zocchio
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Chapéu de algodão e pêlo de castor. Os preços variam de 1 400 a 5 700 reais Botas de couro de avestruz. Os preços vão de 1 000 a 4 000 reais, as importadas



Fotos Marcelo Zocchio
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Cinto de couro, crina e placas de níquel. Custa 120 reais A fivela de níquel com detalhes de ouro e prata sai por 500 reais


Produtos: loja Cowboys

 

 
 
   
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