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O touro tem uma tonelada
Adrenalina,
shows musicais e prêmios
atraem profissionais da montaria e
uma platéia de 30 milhões de pessoas
para os rodeios

Sandra Brasil
Andy Watson
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Claudio Rossi
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| Ednei
Caminhas (em ação, à esq.) na corrida pelo prêmio de 1 milhão
de dólares nos Estados Unidos |
O ponto alto
de um rodeio é a prova de montaria de touro. Durante oito segundos
o competidor precisa ficar agarrado a um animal furioso. Alguns pesam
1 tonelada, o mesmo que um carro como o Corsa. Para deixar o bicho mais
bravo, e fazê-lo pular ainda mais, amarra-se uma corda apertada
na região da virilha do animal. E, a fim de dar maior emoção
à prova, a regra exige que o peão use apenas uma das mãos
para segurar a corda e o obriga a cutucar o touro com a espora. As cutucadas
valem pontos. O jogo é tão violento que os competidores
usam coletes protetores para a coluna e grades de aço para proteger
o rosto. Acidentes graves são tão comuns que as companhias
de seguro não fazem apólices para esses atletas. Se o peão
for derrubado, sai do jogo. Ganha quem faz a apresentação
mais bonita, segundo a avaliação dos juízes. A imagem
acima mostra uma dessas provas com touro e foi produzida nos Estados Unidos,
mas poderia ter sido tirada no Brasil, num dos inúmeros rodeios
que acontecem de norte a sul. O último levantamento sobre rodeios
no país contabiliza um número impressionante. São
1 500 provas por ano. Dá quase trinta por semana.
Há
rodeios em todos os países com tradição de pecuária,
como Estados Unidos, México e Austrália. O Brasil já
tem alguns dos principais eventos do mundo. Estudos mostram que os rodeios
movimentam cerca de 2,5 bilhões de reais por ano no país.
Duas semanas atrás, foi realizado um dos mais animados do Brasil,
na cidade de Jaguariúna, a cerca de 100 quilômetros de São
Paulo. Além dos peões, da música country e dos sons
sertanejos, passaram pela arena alguns dos principais grupos de samba
e pagode. A festa atraiu 250.000 pessoas. É
uma das três maiores do Brasil, ao lado das realizadas em duas cidades
paulistas, Americana e Barretos. Em torno do evento principal surgiram
dezenas de outros empreendimentos. Há feiras agrícolas,
bares country montados nas cidades e muitas confecções.
Para vestir um caubói a rigor, gastam-se até 5.000
reais. Estima-se que mais de 5.500 pessoas,
de competidores e juízes a vaqueiros e salva-vidas, trabalhem diretamente
com a realização dos rodeios. Dois anos atrás, os
peões ganharam o direito de ter a profissão regulamentada.
Agora, participam dos espetáculos com direito a registro na carteira
de trabalho e todos os benefícios previstos em lei.
Claudio Rossi
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| O
empresário Valdomiro Poliselli: festa para público de 250 000 pessoas
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Como as
festas atraem um grande público, sua organização
também se profissionalizou. Até alguns anos atrás,
os rodeios eram um tanto improvisados. Agora, oferecem inclusive cotas
de patrocínio. Boa parte do dinheiro que movimenta essas festas
está sendo trazida por empresas, e não pela venda de ingressos.
O empresário Valdomiro Poliselli, organizador do rodeio de Jaguariúna,
diz que 80% do custo da festa foi pago por anunciantes, entre os quais
empresas como Vivo, Brahma, Embratel e Bradesco, todos de olho nos milhares
de pessoas que o rodeio atraiu. Há dez anos, uma cota de patrocínio
da maior festa de rodeio do Brasil, a que ocorre em Barretos, custava
30.000 reais, relativamente pouco para um evento
que reunia mais gente que o show de uma estrela da música popular.
Neste ano, cada cota de patrocínio em Barretos vale 600.000
reais. Os entusiastas costumam fazer uma analogia com o futebol para explicar
o sucesso do rodeio. Além da festa e da música, as provas
são eletrizantes. "É um gol a cada oito segundos, o tempo
que o peão precisa agüentar montado em um touro bravo", diz
Emílio Carlos dos Santos, vice-presidente da Confederação
Nacional de Rodeio. Segundo ele, outra explicação é
que os rodeios se transformaram na única festa de massa que pode
ser freqüentada pela família inteira. Ou alguém se
sente à vontade para levar o filho ao estádio na partida
final do campeonato estadual de futebol?
Há
diversas modalidades de rodeio. A montaria de cavalos é a mais
conhecida, mas o touro faz mais sucesso, por causa do porte do animal
e do risco para o peão. Os fãs do esporte que compareceram
ao rodeio de Jaguariúna puderam ver em ação a atual
estrela mundial da montaria de touro, o paulista Ednei Caminhas, que já
ganhou 105 títulos no Brasil. No ano passado, Caminhas sagrou-se
campeão mundial de montaria de touro, em torneio disputado nos
Estados Unidos. Participaram das provas atletas brasileiros, americanos,
canadenses e australianos. Muitos peões brasileiros tentam a sorte
todos os anos nas competições americanas. Há três
anos, Caminhas começou a competir nos Estados Unidos. Em suas competições,
ele quebrou alguns recordes e muitos ossos do corpo. Antes de se mudar
para os Estados Unidos, Caminhas sofreu seu pior acidente ao montar um
touro no rodeio de Colorado, no Paraná. Ele bateu com o rosto na
cabeça do animal. Resultado: submeteu-se a uma cirurgia para implante
de oito parafusos de platina no lado direito do rosto.
Claudio Rossi
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| Amazonas
que fazem a abertura dos rodeios: já são mais de quatro por dia |
Existem algumas
diferenças entre os rodeios americanos e os realizados no Brasil.
Uma delas diz respeito à música. Nos Estados Unidos só
vale o country. Nos rodeios brasileiros vale tudo. Outra diferença
se refere à posição atingida pelos peões na
pirâmide social. Em alguns Estados americanos eles são tratados
como estrelas. Os campeões dão entrevistas e vivem cercados
de seguranças. Os melhores podem receber até 6 milhões
de reais por temporada. No Brasil há poucas premiações
em dinheiro, e ninguém conseguiu enriquecer para valer montando
em touro bravo. Em geral, os vencedores de rodeios ganham automóveis,
motocicletas e passagens aéreas. Existem casos como o do peão
Rinaldo da Silva, o "Formiguinha". Ele já ganhou 46 motos, oito
carros e duas caminhonetes em rodeios em que competiu no interior. O maior
prêmio em dinheiro pago até hoje foi de 100.000
reais, em Barretos, no ano passado. Em conseqüência disso,
o Brasil também começou a exportar craques do rodeio. O
brasileiro Adriano Moraes já foi bicampeão americano. Caminhas
segue este exemplo do campeão. Desde que chegou aos Estados Unidos,
já acumulou 700.000 dólares em
prêmios, e poderá receber 1 milhão de dólares
se conquistar o bicampeonato neste ano.
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