Publicidade
buscas
cidades PROGRAME-SE
Edição 1 805 - 4 de junho de 2003
Brasil Trabalho

estasemana
Índice
Seções
Brasil
Geral
Economia e Negócios
Guia
Artes e Espetáculos

colunas
Stephen Kanitz
Sérgio Abranches
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo

seções
Carta ao leitor
Entrevista

Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Veja essa
Arc
Gente
VEJA on-line
Datas
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos

arquivoVEJA
Arquivo 1997-2003
Reportagens de capa
2000|01|02|03
Entrevistas
2000|01|02|03


 

Cota das companheiras

Esposas de astros do PT mudam-se
para Brasília e já têm até emprego público

Alexandre Oltramari


Dida Sampaio/AE
/AE
Maria Rita Garcia
Cônjuge: José Dirceu, ministro-chefe da Casa Civil
Profissão: socióloga
Cargo: assessora da presidência da Escola Nacional de Administração Pública
Nomeação: março de 2003
Salário: 7 000 reais

Com o governo petista, Brasília começou a registrar um fluxo diferente depois do expediente das sextas-feiras. Em vez de promover tumulto no aeroporto, com pencas de funcionários graduados pegando um avião para passar o fim de semana no Estado de origem, a cúpula do governo tem ficado na capital federal. Os petistas já escolheram restaurantes e bares preferidos – que ficam apinhados de gente nas noites de sexta-feira – e montaram seu cardápio de lazer dominical, com caminhadas pelos parques ou idas ao cinema. A explicação para o fenômeno não se encontra num súbito encanto com as qualidades de Brasília, mas com um lado mais prático da vida – o dinheirinho no fim do mês. Ao contrário da tendência verificada em governos anteriores, as mulheres das autoridades petistas mudaram-se para a cidade de mala e cuia e já conseguiram o fundamental: um emprego – público, de preferência. Entre os dezessete ministros que foram morar em Brasília, treze estão acompanhados de suas respectivas companheiras. Das treze companheiras, seis já estão no batente.


Ag. Brasil
sil
Márcia Milanésio Cunha
Cônjuge: João Paulo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados
Profissão: jornalista
Cargo: assessora da presidência do Serviço Social da Indústria (Sesi)
Nomeação: março de 2003
Salário: 6 000 reais

Margareth, mulher do ministro Antonio Palocci, da Fazenda, uniu o útil ao agradável: está ao lado do maridão, mora numa bela residência às margens do Lago Paranoá, a mesma que era ocupada pelo ministro Pedro Malan, e ainda obteve um tremendo aumento salarial. Em meados do ano passado, Margareth, médica sanitarista, fez concurso para trabalhar na prefeitura de Ribeirão Preto, então comandada pelo marido. Havia só uma vaga. Ela tirou o primeiro lugar. Passou a ganhar 1.120 reais. Agora, contratada como assessora da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), recebe 4.850 reais mensais – um aumentinho de mais de 300%. Precavida, Margareth conseguiu o emprego na capital federal e só depois, ou oito dias depois, é que se desligou da prefeitura de Ribeirão. Maria Rita, mulher do ministro da Casa Civil, José Dirceu, também aumentou a renda. Socióloga, concursada do governo paulista há 27 anos, Maria Rita ganhava 5.189 reais. Agora, como assessora da presidência da Escola Nacional de Administração Pública (Enap), órgão do Ministério do Planejamento, recebe 7.000 reais por mês.


Paulo de Araujo
aujo
Sonia Lourdes Rodrigues Berzoini
Cônjuge: Ricardo Berzoini, ministro da Previdência
Profissão: bancária aposentada
Cargo: assessora no gabinete do deputado Paulo Bernardo (PT-PR)
Nomeação: maio de 2003
Salário: Não informa

Brasília tem sido uma bênção para algumas companheiras. Há quatro anos, Sonia, esposa do ministro da Previdência, Ricardo Berzoini, aposentou-se no Banco do Brasil, aproveitando um plano que estimulava a demissão, o chamado PDV. Morando em São Paulo, tentou a sorte com uma pequena empresa, não teve sucesso e resolveu dedicar-se ao lar, ganhando a aposentadoria do BB. Ao se mudar para a capital federal, as coisas melhoraram. Foi contratada pela deputada Selma Schons, do PT do Paraná, por 3.500 reais, para prestar assessoria. Mas já trocou de emprego. "A companheira Sonia achava que teria tempo disponível para trabalhar aqui, mas descobriu que não tinha", diz a deputada. "Aí, a gente decidiu que ela iria para um gabinete em que não precisasse trabalhar em tempo integral." Sonia, hoje, trabalha no gabinete do deputado Paulo Bernardo, do PT paranaense, que não informa quanto paga à mulher do ministro, nem o tamanho do expediente que ela cumpre.


Ana Araujo
aujo
Margareth Rose Silva Palocci
Cônjuge: Antonio Palocci, ministro da Fazenda
Profissão: médica sanitarista
Cargo: assessora da presidência da Fundação Nacional de Saúde
Nomeação: fevereiro de 2003
Salário: 4 850 reais

A busca por um batente público em Brasília não é só das mulheres de ministros. Há outras autoridades petistas cujas companheiras estiveram nessa batalha. Márcia, esposa do presidente da Câmara dos Deputados, João Paulo Cunha, trocou São Paulo por Brasília há três meses. Jornalista, era assessora da Associação Paulista de Supermercados (Apas) e, agora, auxilia Jair Meneguelli, que preside o Conselho Nacional do Serviço Social da Indústria (Sesi). Embora seja privado, o Sesi é mantido com dinheiro do governo federal, e Meneguelli foi uma indicação do presidente Lula. A mudança de Márcia, porém, trouxe-lhe a proximidade do marido, mas nenhuma vantagem salarial. Ganhava 6.000 reais em São Paulo e mantém a remuneração em Brasília. O notável, no caso das companheiras petistas, é que não há um único caso de nepotismo, situação em que um chefe emprega, sob seu comando, parentes até terceiro grau. Como está tudo dentro da lei, fica difícil entender por que nenhuma dessas companheiras quis falar a VEJA sobre seu emprego na Brasília petista.

 
 
   
  voltar
   
  NOTÍCIAS DIÁRIAS