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Cota das companheiras
Esposas
de astros do PT mudam-se
para Brasília e já têm até emprego público

Alexandre
Oltramari
Dida Sampaio/AE
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/AE
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Maria
Rita Garcia
Cônjuge: José Dirceu, ministro-chefe da Casa Civil
Profissão: socióloga
Cargo: assessora da presidência da Escola Nacional de
Administração Pública
Nomeação: março de 2003
Salário: 7 000 reais |
Com o governo
petista, Brasília começou a registrar um fluxo diferente
depois do expediente das sextas-feiras. Em vez de promover tumulto no
aeroporto, com pencas de funcionários graduados pegando um avião
para passar o fim de semana no Estado de origem, a cúpula do governo
tem ficado na capital federal. Os petistas já escolheram restaurantes
e bares preferidos que ficam apinhados de gente nas noites de sexta-feira
e montaram seu cardápio de lazer dominical, com caminhadas
pelos parques ou idas ao cinema. A explicação para o fenômeno
não se encontra num súbito encanto com as qualidades de
Brasília, mas com um lado mais prático da vida o
dinheirinho no fim do mês. Ao contrário da tendência
verificada em governos anteriores, as mulheres das autoridades petistas
mudaram-se para a cidade de mala e cuia e já conseguiram o fundamental:
um emprego público, de preferência. Entre os dezessete
ministros que foram morar em Brasília, treze estão acompanhados
de suas respectivas companheiras. Das treze companheiras, seis já
estão no batente.
Ag. Brasil
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sil
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Márcia
Milanésio Cunha
Cônjuge: João Paulo Cunha, presidente da Câmara
dos Deputados
Profissão: jornalista
Cargo: assessora da presidência do Serviço Social
da Indústria (Sesi)
Nomeação: março de 2003
Salário: 6 000 reais |
Margareth,
mulher do ministro Antonio Palocci, da Fazenda, uniu o útil ao
agradável: está ao lado do maridão, mora numa bela
residência às margens do Lago Paranoá, a mesma que
era ocupada pelo ministro Pedro Malan, e ainda obteve um tremendo aumento
salarial. Em meados do ano passado, Margareth, médica sanitarista,
fez concurso para trabalhar na prefeitura de Ribeirão Preto, então
comandada pelo marido. Havia só uma vaga. Ela tirou o primeiro
lugar. Passou a ganhar 1.120 reais. Agora,
contratada como assessora da Fundação Nacional de Saúde
(Funasa), recebe 4.850 reais mensais
um aumentinho de mais de 300%. Precavida, Margareth conseguiu o emprego
na capital federal e só depois, ou oito dias depois, é que
se desligou da prefeitura de Ribeirão. Maria Rita, mulher do ministro
da Casa Civil, José Dirceu, também aumentou a renda. Socióloga,
concursada do governo paulista há 27 anos, Maria Rita ganhava 5.189
reais. Agora, como assessora da presidência da Escola Nacional de
Administração Pública (Enap), órgão
do Ministério do Planejamento, recebe 7.000
reais por mês.
Paulo de Araujo
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aujo
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Sonia
Lourdes Rodrigues Berzoini
Cônjuge: Ricardo Berzoini, ministro da Previdência
Profissão: bancária aposentada
Cargo: assessora no gabinete do deputado Paulo Bernardo (PT-PR)
Nomeação: maio de 2003
Salário: Não informa |
Brasília
tem sido uma bênção para algumas companheiras. Há
quatro anos, Sonia, esposa do ministro da Previdência, Ricardo Berzoini,
aposentou-se no Banco do Brasil, aproveitando um plano que estimulava
a demissão, o chamado PDV. Morando em São Paulo, tentou
a sorte com uma pequena empresa, não teve sucesso e resolveu dedicar-se
ao lar, ganhando a aposentadoria do BB. Ao se mudar para a capital federal,
as coisas melhoraram. Foi contratada pela deputada Selma Schons, do PT
do Paraná, por 3.500 reais, para prestar
assessoria. Mas já trocou de emprego. "A companheira Sonia achava
que teria tempo disponível para trabalhar aqui, mas descobriu que
não tinha", diz a deputada. "Aí, a gente decidiu que ela
iria para um gabinete em que não precisasse trabalhar em tempo
integral." Sonia, hoje, trabalha no gabinete do deputado Paulo Bernardo,
do PT paranaense, que não informa quanto paga à mulher do
ministro, nem o tamanho do expediente que ela cumpre.
Ana Araujo
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aujo
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Margareth
Rose Silva Palocci
Cônjuge: Antonio Palocci, ministro da Fazenda
Profissão: médica sanitarista
Cargo: assessora da presidência da Fundação
Nacional de Saúde
Nomeação: fevereiro de 2003
Salário: 4 850 reais |
A busca
por um batente público em Brasília não é só
das mulheres de ministros. Há outras autoridades petistas cujas
companheiras estiveram nessa batalha. Márcia, esposa do presidente
da Câmara dos Deputados, João Paulo Cunha, trocou São
Paulo por Brasília há três meses. Jornalista, era
assessora da Associação Paulista de Supermercados (Apas)
e, agora, auxilia Jair Meneguelli, que preside o Conselho Nacional do
Serviço Social da Indústria (Sesi). Embora seja privado,
o Sesi é mantido com dinheiro do governo federal, e Meneguelli
foi uma indicação do presidente Lula. A mudança de
Márcia, porém, trouxe-lhe a proximidade do marido, mas nenhuma
vantagem salarial. Ganhava 6.000 reais em São
Paulo e mantém a remuneração em Brasília.
O notável, no caso das companheiras petistas, é que não
há um único caso de nepotismo, situação em
que um chefe emprega, sob seu comando, parentes até terceiro grau.
Como está tudo dentro da lei, fica difícil entender por
que nenhuma dessas companheiras quis falar a VEJA sobre seu emprego na
Brasília petista.
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