Edição 1903 . 4 de maio de 2005

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Para não esquecer Ulysses

(Adenda às comemorações por Tancredo Neves)

A oeste 

Há uma concepção do paraíso, não etérea, ou celeste. Terrestre – as Ilhas dos Bem-aventurados. De Homero a Platão e a Santo Ambrósio, esse Paraíso foi posto em locais reconhecíveis – a Itália, as Madeiras, as Canárias. Sempre a Oeste, onde o sol morre – onde Kronos, o tempo, talvez não vá.

Cito Píndaro: "O homem abençoado o busca, nos campos vermelhos de rosas, jardins de frutos dourados, uma planície extasiante, matas verdes se estendendo ao infinito, nem chuva nem granizo, nem hálito de gelo, nem ardor de fogo. Um chão abençoado e pleno".

Cito Partridge: "Na morte o sol poente abre para o homem o portal da quietude e da paz, como quando, ao se pôr todos os dias, lhe proporciona repouso na vida terrena. Liberto, ao morrer, de todo cuidado e angústia, o Homem mergulha na última franja de terra, passando a um mundo eternamente áureo, abaixo do horizonte".

Na Antiguidade clássica essas ilhas do Paraíso eram apenas repouso de homens. Que hoje, humanamente libertos das limitações dos deuses, levam pela mão, no caminho da bem-aventurança, as companheiras da vida.

(A propósito de Ulysses Guimarães e Severo Gomes, dois homens públicos mortos no mar, num acidente de helicóptero, junto com as companheiras.) 14/10/1992.

 


AFINAL! O PT REVELA A SUA IDENTIDADE.

 

 
 
 
 
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