|
|
Diogo
Mainardi
Vamos soltar os bandidos
"Os americanos acreditam que, tirando
os criminosos de circulação, a criminalidade
também diminui. Os lulistas rejeitam a
receita americana. É simplória demais"
Os Estados Unidos garantem que a melhor maneira
de combater o crime é trancar os bandidos na cadeia. A solução
pode parecer extravagante para nós, brasileiros, mas os americanos
acreditam que, tirando os criminosos de circulação,
a criminalidade também diminui. O país acaba de anunciar
um novo recorde no número de detentos: mais de 2,1 milhões.
Entre 1994 e 2004, a população carcerária americana
aumentou 42%. No mesmo período, a taxa de criminalidade caiu
33%. O saldo é surpreendente: mais bandidos na cadeia, menos
crimes. Quem diria?
Os lulistas rejeitam a receita americana.
É simplória demais. O ministro da Justiça,
Márcio Thomaz Bastos, prega exatamente o contrário
para o Brasil: "Não podemos continuar com o crescimento assustador
da quantidade de gente indo para a cadeia, ao mesmo passo que não
temos a condição de alcançar isso com a construção
de novos presídios". O diretor do Departamento Nacional de
Penitenciárias, Clayton Nunes, concorda com o chefe: "O problema
dos presídios brasileiros não está na criação
de novas vagas". O melhor a fazer, segundo Clayton Nunes, é
soltar boa parte dos presos, porque "95% da população
prisional não oferece perigo à sociedade". O presidente
do PT, José Genoíno, defende a mesma idéia:
"A eficácia governamental não se mede pelo número
de presos". A opinião é compartilhada pelo deputado
Geraldo Thadeu, relator da Subcomissão do Sistema Penitenciário.
Ele recomenda a adoção, em escala nacional, do modelo
aplicado na cidade mineira de Itaúna, onde a cadeia é
gerida diretamente pelos detentos, que ficam até com a guarda
das chaves. O deputado Thadeu tem razão. Por que seguir o
exemplo dos últimos trinta anos nos Estados Unidos se podemos
contar com o pioneirismo de Itaúna?
A administração lulista reconhece
que os presídios estão superlotados. Os eficientes
técnicos do governo só parecem perdidos quanto à
real dimensão do problema. Em 14 de maio de 2004, Clayton
Nunes informou no Congresso Nacional que o sistema carcerário
brasileiro tinha um déficit de 110.000 vagas. Em 16 de junho,
Márcio Thomaz Bastos admitiu no mesmo Congresso Nacional
que faltavam 178.000 vagas. Em 23 de junho, Clayton Nunes voltou
ao Congresso Nacional e reduziu o número para 65.000 vagas.
Uma variação de 200 e tantos por cento em apenas quarenta
dias. Márcio Thomaz Bastos revelou aos deputados que, para
suprir a demanda, teríamos de construir sete novas cadeias
por mês. Por via das dúvidas, ele preferiu não
construir nenhuma, em dois anos e meio de governo.
Sempre que os Estados Unidos anunciam um novo
recorde no número de detentos, os lulistas oferecem uma interpretação
negativa para o fato. Uns profetizam o "ocaso do império
americano". Outros denunciam a prática de uma "política
de repressão racista" no país, uma vez que negros
e latinos lotam as prisões. Negros e latinos lotam as prisões
simplesmente porque cometem mais delitos. É duro entender
a mentalidade dos americanos. Eles querem prender os bandidos. A
gente é menos primário. A gente quer soltar.
|