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Edição 2002

4 de abril de 2007
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DVDs

O Homem que Não Vendeu Sua Alma (A Man for All Seasons, Inglaterra, 1966. Sony) – Agora que a dinastia Tudor está na moda, com várias produções de cinema e TV prestes a estrear, nada melhor do que voltar a um dos grandes filmes já feitos sobre as maquinações do mulherengo Henrique VIII. Na década de 1530, o rei quer se divorciar de Catarina de Aragão para se casar com sua amante, Ana Bolena (que viria a ser a mãe de Elizabeth I). Ele exige a aprovação de seu conselheiro Thomas Morus (um soberbo Paul Scofield). Morus, porém, é um católico devotado e um advogado habilíssimo. Ele não diz nem sim nem não. Mas, em vez de protegê-lo, seu silêncio o lança numa crise. Adaptado da peça de Robert Bolt e dirigido por Fred Zinnemann, de Matar ou Morrer e O Dia do Chacal, o filme reluz de inteligência e sagacidade.

Look Filmes
Jerusalém: em plena paz sueca, o medo do inferno


Jerusalém
(Jerusalem,
Suécia/Dinamarca, 1996. Platina) – No início do século XX, um pregador incendeia metade de um vilarejo sueco com o medo do inferno. E convence boa parte de seus habitantes de que a salvação está em construir uma "nova Jerusalém" na Palestina, dividindo famílias, amigos e amantes – como Ingmar e Gertrud, que entre atender às necessidades materiais e as espirituais se verão obrigados a seguir caminhos distintos. Por que uma gente tão pacífica e trabalhadora se convenceu de que estava condenada ao fogo e ao enxofre é um mistério. Mas assim foi, num movimento que o diretor Bille August romantiza nessa boa produção. O par principal é fraquinho que dói, mas pelo menos está cercado de ótimos atores.

A Grande Ilusão (All the King's Men, Estados Unidos/Alemanha, 2006. Sony) – Willie Stark (Sean Penn) é um caipira idealista que, a certa altura, decide enfrentar a estrutura política do Sul americano e concorrer ao cargo de governador. Stark ganha – e, quanto mais prova do poder, mais corrompe a si mesmo e aos outros, e mais poder quer ter. Os paralelos com personagens reais poderiam ser vários, tão arguto é o romance homônimo do escritor Robert Penn Warren sobre a trajetória clássica dos populistas. (Ele próprio se inspirou em Huey Long, que governou o estado americano da Louisiana de 1928 a 1932.) Essa adaptação é inferior à primeira, de 1949 – também disponível em DVD –, o que não quer dizer que careça de interesse nem de boas interpretações, como as de Penn, Kate Winslet e Jude Law. Veja cenas.

 

DISCOS

 
Claude Gassian
A dupla francesa Air: clima etéreo  

Pocket Symphony, Air (EMI) – Em doze anos de carreira, a dupla formada pelos franceses Nicolas Godin e Jean-Benoît Dunckel alterna o mais fino pop francês com álbuns recheados com os piores cacoetes do rock progressivo. Pocket Symphony pertence à primeira categoria. As canções têm o clima etéreo que caracterizou o trabalho do Air nos anos 90 (e que credenciou a dupla para as trilhas da cineasta Sofia Coppola e os CDs das cantoras Jane Birkin e Charlotte Gainsbourg). Godin e Dunckel sabem que seus vocais sussurrados não são para todos os gostos. Recrutaram, então, dois cantores talentosos. Um deles é Jarvis Cocker, ex-vocalista do grupo inglês Pulp, que dá um tom dramático a One Hell of a Party. Já Neil Hannon encarna um crooner de orquestra na bela Somewhere Between Waking and Sleeping.

 

Divulgação
Shank e Donato: reunião de craques  

Uma Tarde com Bud Shank e João Donato (Biscoito Fino) – Em 2004, o saxofonista americano Bud Shank participou de um festival de jazz no Brasil e decidiu reencontrar o pianista João Donato. Os dois são amigos de longa data e tinham lançado um disco juntos no fim da década de 60. Pelo que mostra esse CD, a reunião foi proveitosa. Dois mestres na arte da improvisação, Donato e Shank apresentam oito faixas, entre canções de sua própria autoria e standards do jazz. A sintonia entre os dois é digna de nota, bem como os poucos músicos de apoio. Robertinho Silva dá um toque de elegância a Gaiolas Abertas, parceria de Donato com Martinho da Vila, enquanto Ed Motta é uma grata surpresa – o cantor toca baixo, e muito bem – em Black Orchid.

 

LIVROS

De Repente, nas Profundezas do Bosque, de Amós Oz (tradução de Tova Sender; Companhia das Letras; 148 páginas; 31 reais) – Mais importante romancista israelense contemporâneo, Amós Oz registrou as turbulências políticas e sociais de seu país em romances como Fima e Meu Michel. Nesse novo livro, ele se distancia da realidade imediata para produzir uma fábula: numa pequena aldeia, não existe mais nenhum animal. As crianças são ensinadas a nem mesmo pronunciar o nome dos bichos que no passado ali viviam, até que um menino e uma menina resolvem desafiar a proibição de entrar no bosque. Com essa história singela, Oz desenvolve temas que lhe são caros, como o valor da resistência à opressão e do pensamento independente. Leia trecho.

 

 

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