O
Homem que Não Vendeu Sua Alma (A Man for All Seasons, Inglaterra,
1966. Sony) Agora que a dinastia Tudor está na moda, com várias
produções de cinema e TV prestes a estrear, nada melhor do que voltar
a um dos grandes filmes já feitos sobre as maquinações do
mulherengo Henrique VIII. Na década de 1530, o rei quer se divorciar de
Catarina de Aragão para se casar com sua amante, Ana Bolena (que viria
a ser a mãe de Elizabeth I). Ele exige a aprovação de seu
conselheiro Thomas Morus (um soberbo Paul Scofield). Morus, porém, é
um católico devotado e um advogado habilíssimo. Ele não diz
nem sim nem não. Mas, em vez de protegê-lo, seu silêncio o
lança numa crise. Adaptado da peça de Robert Bolt e dirigido por
Fred Zinnemann, de Matar ou Morrer e O Dia do Chacal, o filme reluz
de inteligência e sagacidade.
Look
Filmes
Jerusalém:
em plena paz sueca, o medo do inferno
Jerusalém
(Jerusalem, Suécia/Dinamarca, 1996. Platina) No início
do século XX, um pregador incendeia metade de um vilarejo sueco com o medo
do inferno. E convence boa parte de seus habitantes de que a salvação
está em construir uma "nova Jerusalém" na Palestina, dividindo famílias,
amigos e amantes como Ingmar e Gertrud, que entre atender às necessidades
materiais e as espirituais se verão obrigados a seguir caminhos distintos.
Por que uma gente tão pacífica e trabalhadora se convenceu de que
estava condenada ao fogo e ao enxofre é um mistério. Mas assim foi,
num movimento que o diretor Bille August romantiza nessa boa produção.
O par principal é fraquinho que dói, mas pelo menos está
cercado de ótimos atores.
A
Grande Ilusão (All the King's Men, Estados Unidos/Alemanha, 2006.
Sony) Willie Stark (Sean Penn) é um caipira idealista que, a certa
altura, decide enfrentar a estrutura política do Sul americano e concorrer
ao cargo de governador. Stark ganha e, quanto mais prova do poder, mais
corrompe a si mesmo e aos outros, e mais poder quer ter. Os paralelos com personagens
reais poderiam ser vários, tão arguto é o romance homônimo
do escritor Robert Penn Warren sobre a trajetória clássica dos populistas.
(Ele próprio se inspirou em Huey Long, que governou o estado americano
da Louisiana de 1928 a 1932.) Essa adaptação é inferior à
primeira, de 1949 também disponível em DVD , o que
não quer dizer que careça de interesse nem de boas interpretações,
como as de Penn, Kate Winslet e Jude Law. Veja
cenas.
DISCOS
Claude
Gassian
A
dupla francesa Air: clima etéreo
Pocket
Symphony, Air (EMI) Em doze anos de carreira, a dupla formada pelos
franceses Nicolas Godin e Jean-Benoît Dunckel alterna o mais fino pop francês
com álbuns recheados com os piores cacoetes do rock progressivo. Pocket
Symphony pertence à primeira categoria. As canções têm
o clima etéreo que caracterizou o trabalho do Air nos anos 90 (e que credenciou
a dupla para as trilhas da cineasta Sofia Coppola e os CDs das cantoras Jane Birkin
e Charlotte Gainsbourg). Godin e Dunckel sabem que seus vocais sussurrados não
são para todos os gostos. Recrutaram, então, dois cantores talentosos.
Um deles é Jarvis Cocker, ex-vocalista do grupo inglês Pulp, que
dá um tom dramático a One Hell of a Party. Já Neil
Hannon encarna um crooner de orquestra na bela Somewhere Between Waking and
Sleeping.
Divulgação
Shank
e Donato: reunião de craques
Uma
Tarde com Bud Shank e João Donato (Biscoito Fino) Em 2004,
o saxofonista americano Bud Shank participou de um festival de jazz no Brasil
e decidiu reencontrar o pianista João Donato. Os dois são amigos
de longa data e tinham lançado um disco juntos no fim da década
de 60. Pelo que mostra esse CD, a reunião foi proveitosa. Dois mestres
na arte da improvisação, Donato e Shank apresentam oito faixas,
entre canções de sua própria autoria e standards do jazz.
A sintonia entre os dois é digna de nota, bem como os poucos músicos
de apoio. Robertinho Silva dá um toque de elegância a Gaiolas
Abertas, parceria de Donato com Martinho da Vila, enquanto Ed Motta é
uma grata surpresa o cantor toca baixo, e muito bem em Black
Orchid.
LIVROS
De
Repente, nas Profundezas do Bosque, de Amós Oz (tradução
de Tova Sender; Companhia das Letras; 148 páginas; 31 reais) Mais
importante romancista israelense contemporâneo, Amós Oz registrou
as turbulências políticas e sociais de seu país em romances
como Fima e Meu Michel. Nesse novo livro, ele se distancia da realidade
imediata para produzir uma fábula: numa pequena aldeia, não existe
mais nenhum animal. As crianças são ensinadas a nem mesmo pronunciar
o nome dos bichos que no passado ali viviam, até que um menino e uma menina
resolvem desafiar a proibição de entrar no bosque. Com essa história
singela, Oz desenvolve temas que lhe são caros, como o valor da resistência
à opressão e do pensamento independente. Leia
trecho.