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Edição 2002

4 de abril de 2007
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Radar

Lauro Jardim (ljardim@abril.com.br)

GOVERNO

O fator Waldir Pires
Lula repetiu na semana passada a um interlocutor que vai esperar o fim do apagão aéreo para nomear o sucessor de Waldir Pires. Eis uma equação de difícil solução: com Pires no ministério, crise alguma chega ao fim. Entre os mais próximos a Lula, porém, há os que juram que não é nada disso. O presidente estaria apenas ganhando tempo porque ainda não achou um novo ministro da Defesa.

Reunião republicana
Walfrido Mares Guia marcou uma conversa com Michel Temer para quarta-feira. Vai abrir o mapa de nomeações atribuídas ao PMDB. Uma conversa para decidir quem fica, quem sai – e cruzar os dados para checar quem é apadrinhado de quem. Será, não resta dúvida, uma conversa muito republicana.



Se vira sozinho, Carlos Wilson

Ricardo Stuckert/PR
Givaldo Barbosa/Ag. O Globo
Lula e Wilson: o presidente passou a evitá-lo

No primeiro mandato, eram ótimas as relações entre Lula e o deputado Carlos Wilson, então presidente da Infraero. Depois das eleições de outubro, o céu de brigadeiro permanecia. Agora, o tempo fechou: nas últimas semanas, explodiu o festival de irregularidades contra a Infraero de Wilson – embora, para quem conhece o riscado, o que se viu tenha sido só o começo. Na semana passada, Lula evitou receber Carlos Wilson, que lhe pediu uma audiência. A senha está dada: Wilson foi jogado ao mar.



BRASIL

"We love Brazil"
Lula pisa nos EUA num momento em que o Brasil está razoavelmente bem na foto para os americanos. É o que revela uma pesquisa inédita feita em meados de março pela Ipsos Public Affairs com 1.001 americanos adultos. Segundo a pesquisa, 79% dos entrevistados têm uma "imagem positiva" do Brasil.

O etanol é o tal
No tópico etanol, tudo são flores para o Brasil: 57% dos americanos apoiariam a redução da sobretaxa de importação do etanol brasileiro. Mais: 70% concordam que o etanol brasileiro mais barato tornaria os EUA menos dependentes do petróleo do Oriente Médio.



ECONOMIA

Os novos vôos da Gol
Quem se impressionou ao ver a Gol comprar a Varig vai tomar outro susto: a empresa quer estender seus tentáculos para a petroquímica e extração de petróleo. E não só no Brasil.

Vou de táxi
Constantino Junior, cuja família, segundo a Forbes, é dona de um patrimônio de 4,4 bilhões de dólares, desembarcou na quinta-feira passada no Rio de Janeiro para alguns compromissos. Até aí, nada excepcional. O espanto surge quando se sabe que o protagonista do maior negócio da aviação brasileira fez seus percursos pela cidade a bordo de um táxi comum, sem nenhum aparato. Difícil imaginar outro executivo desse porte agindo assim. Ainda bem que o Rio de Janeiro é uma cidade tranqüila.

As barrinhas
De um usuário habitual dos vôos da Gol, quando viu Constantino Junior entrando num desses táxis: "Agora entendo por que só me servem aquelas barrinhas de cereais durante os vôos...".

Mudanças em Sauípe
A Previ decidiu fazer uma reestruturação no modelo de administração dos seus hotéis na Costa do Sauípe. De acordo com uma das propostas em estudo, dos atuais cinco grupos hoteleiros que dividem o local, só um ficaria comandando o megarresort baiano. Os executivos do Sauípe fizeram a reestruturação junto com a Angra Partners, que recebeu 2 milhões de reais pelo trabalho.

Show & business
Os private equities começam a descobrir o mundo do entretenimento no Brasil. Está perto do fim a venda da mexicana CIE no país. Quem está na disputa são os fundos do Gávea (de Armínio Fraga) e do Pactual, entre outros. A CIE é a maior empresa de entretenimento e marketing cultural do Brasil, além de dona de quatro das maiores casas de espetáculos do Rio de Janeiro e de São Paulo.

Um bom sinal
A disputa pela CIE aponta para duas realidades. É sinal de vitalidade do capitalismo quando uma empresa de médio porte vira alvo de interesse de fundos. E também é a reafirmação de que há liquidez em abundância no mercado.



A disputa agora é nas pistas

Vladimir Rys/Getty Images
Fórmula 1: a Globo fatura 215 milhões de reais com ela

O ataque da Record à Globo se dá em todos os campos – e nas pistas também. Agora, o alvo da emissora do bispo Edir Macedo é a Fórmula 1, um dos mais tradicionais eventos esportivos transmitidos com exclusividade pela Globo. Emissários da Record já tiveram conversas iniciais com Bernie Ecclestone, o poderoso chefão da Fórmula 1. Propostas financeiras ainda não foram feitas, mas Ecclestone declarou-se naturalmente aberto a recebê-las. As corridas são um negócio e tanto para a Globo. A temporada deste ano rende à emissora 215 milhões de reais: cada um dos cinco patrocinadores paga 43 milhões de reais pela sua cota. É esse faturamento que a Record quer tentar morder.



• EDUCAÇÃO

Corrida escolar
A FGV/RJ lança na segunda-feira uma radiografia dos problemas da escola brasileira. Na faixa dos jovens de 15 a 17 anos, os estados que saem na frente da corrida educacional são: Rio de Janeiro, que é o líder na freqüência escolar, com 88% dos jovens matriculados; e o Distrito Federal, onde 79% desses jovens ficam mais de quatro horas por dia na escola. Não é à toa que Brasília apresenta as maiores notas no exame do Enem.

 

LIVROS

Obama vem aí
A grande novidade da política americana, o senador Barack Obama, pré-candidato democrata à Presidência dos EUA, vai dar as caras no Brasil em maio. Mais especificamente nas livrarias daqui: a Editora Larousse comprou os direitos de A Audácia da Esperança. O livro está há 23 semanas na lista de best-sellers do The New York Times. Já vendeu mais de 1 milhão de exemplares. Ousado, Obama admitiu no livro já ter cheirado cocaína – e nem por isso o mundo caiu sobre a sua cabeça.

Entre os grandes
A Unilever vai divulgar, pela primeira vez, os números de todos os 150 países em que atua. O resultado é bom para o Brasil: o faturamento de 9,5 bilhões de dólares em 2006 põe o país como o terceiro mercado mais importante da empresa. Fica atrás apenas dos EUA e da Grã-Bretanha.


Com Jan Theophilo.

 



Foto Zeka/Agência A Tarde e Agência O Globo



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