Esclarecida a causa
da morte da ex-coelhinha Anna Nicole: overdose acidental. Falta identificar
o motivo da obsessão dos americanos pelo caso
Kevin
Winter/Getty Images
Aconteceu
de novo: na segunda-feira um médico legista da Flórida convocou
entrevista coletiva para divulgar o resultado da autópsia de Anna Nicole
Smith overdose acidental de remédios e os Estados Unidos
pararam para ouvir, especular, discutir. Ex-dançarina topless, ex-coelhinha
da Playboy, ex-protagonista de reality show, garota-propaganda de produto
para emagrecer, casada e rapidamente viúva de um bilionário nonagenário,
não foi pelo currículo nem pela estatura moral que, na morte mais
do que em vida, Anna Nicole se tornou uma obsessão americana. A atração
vem da vida repleta de homens, drogas e escândalos, encerrada aos 39 anos
com uma certeza unânime só poderia terminar assim e
uma dúvida constrangedora quem é, afinal, o pai de sua filhinha
de 7 meses. Morta em 8 de fevereiro, duas semanas depois Anna Nicole era o assunto
mais comentado em talk-shows de rádio e televisão dos Estados Unidos:
22% do tempo total. Os canais de notícias e de celebridades passaram dias
dedicando tempo integral à cobertura das circunstâncias bizarras
de sua morte e das brigas entre marido, namorado e mãe sobre onde seria
enterrada e quem ficaria com a guarda da criança, Dannielynn. O enterro
nas Bahamas, quase um mês depois, foi exibido em tempo real, da chegada
do caixão enfeitado com plumas e paetês ao aeroporto
à cerimônia final no cemitério, que ato contínuo virou
ponto turístico, com tours organizados por agências. A divulgação
da autópsia, em seus mórbidos detalhes, desencadeou a segunda onda
do frenesi coletivo.
A causa da morte de
Anna Nicole foi ingestão excessiva de um sedativo fora de moda, o hidrato
de cloral. O medicamento foi prescrito pela psiquiatra Khristine Eroshevich no
fim do ano passado porque "Anna tinha pesadelos, alucinações, não
conseguia dormir" e não se dava bem com sedativos modernos. Também
foram encontrados em seu organismo resíduos de pelo menos outros oito medicamentos,
mas todos em "doses terapêuticas" ao contrário do hidrato
de cloral, cuja dose recomendada é de uma a duas colheres de chá
ao dormir, mas que Anna costumava tomar direto do frasco. Tudo misturado, ela
dormiu, entrou em coma, teve insuficiência respiratória e morreu.
Hans
Deryk/Reuters
AP
Os
três candidatos: Stern, o ex-companheiro, Virgie, a mãe, e Birkhead, o ex-namorado,
disputam a guarda de Dannielynn
A autópsia também constatou traços de metadona, substância
usada no tratamento de viciados em heroína, mas sua ingestão ocorreu
"vários dias antes da morte". Os braços apresentavam "sinais de
agulha". Anna, que media 1,80 metro, pesava 81 quilos quando morreu. Estava "bem
nutrida", tinha unhas "compridas e limpas" e "múltiplas extensões
loiras" no cabelo. Apresentava um abscesso infeccionado na nádega, resultado
de injeção de "produtos antienvelhecimento". "Deve ter tomado hidrato
de cloral demais para tentar aliviar sintomas causados pela infecção",
diz o relatório do legista. "Se tivesse ido para um hospital, não
teria morrido." Já o inquérito policial da morte informa que no
dia 5 de fevereiro Anna viajou das Bahamas, onde morava havia um ano, para a Flórida
com a intenção de comprar um iate novo. Estava "animada", depois
de meses de profunda depressão devido à morte do filho Daniel, também
vítima de overdose de medicamentos e metadona, dentro do quarto de hospital
onde, três dias antes, ela havia dado à luz. No avião, começou
a reclamar de dor na nádega esquerda. Chegou ao hotel com febre, "tremendo
e sentindo frio". Howard Stern, o advogado com quem havia se casado não
oficialmente, o segurança Maurice Brighthaupt e a mulher dele, Tasma, que
é enfermeira, iam chamar uma ambulância, mas ela recusou. Ficou três
dias recolhida no quarto, tomando remédios e mascando chicletes de nicotina,
até o começo de tarde em que foram chamá-la e a encontraram
"com o rosto caído no peito, de boca aberta, sem respirar". A investigação
mostrou que três médicos, pelo menos, forneciam receitas de medicamentos
controlados a Anna.
Esclarecida a causa
da morte, falta resolver a encrenca da paternidade de Dannielynn, exacerbada pela
sua condição de potencial herdeira de uma parte dos 500 milhões
de dólares deixados pelo velhinho milionário de quem Anna enviuvou.
A guarda é disputada pelos dois candidatos mais fortes (há outros)
a pai o próprio Stern, que o é na certidão de nascimento,
e o fotógrafo Larry Birkhead, cujo caso com Anna coincide com a época
da concepção e pela mãe de Anna, Virgie Arthur, a
quem ela odiava. Aguarda-se para qualquer momento o resultado do teste de DNA
e, com ele, a terceira onda de delírio público em torno da
loura de seios gigantescos que não sai mais da cabeça e das
TVs dos americanos.
A LISTA DE ANNA
A
autópsia encontrou no corpo de Anna Nicole traços dos seguintes
remédios e substâncias:
hidrato
de cloral (sedativo), Klonopin (ansiolítico), Valium (ansiolítico),
Ativan (ansiolítico), Benadryl (anti-histamínico),
Soma (relaxante muscular), Robaxin (relaxante muscular e sedativo),
Topamax (contra enxaqueca) e Ciprofloxacina (antibiótico)