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Edição 2002

4 de abril de 2007
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Medicina
Até para os pequenos

Médicos americanos recomendam o uso de
estatinas para crianças com colesterol alto


Paula Neiva

Ben Edwards/Getty Images
Cuidado: os comprimidos só são indicados se exercício físico e dieta não resolverem

A Associação Americana do Coração acaba de divulgar a nova cartilha para o controle do colesterol alto infantil. O documento recomenda a prescrição de estatinas como primeira opção de tratamento para as crianças que não conseguem reduzir os níveis de LDL, o colesterol ruim, apenas com exercício físico e dieta. Lançadas no mercado em meados da década de 80, as estatinas revolucionaram o tratamento do colesterol alto. Até então, os únicos recursos disponíveis eram mudanças no estilo de vida – o que só funcionava para, no máximo, 20% dos pacientes. A indicação de estatinas para crianças está baseada nos estudos mais recentes sobre a gênese das doenças cardiovasculares, especialmente o infarto. De acordo com os médicos que elaboraram as novas diretrizes, "agora existem evidências definitivas de que o processo de acúmulo de gordura nas artérias começa na infância e sua progressão e severidade estão diretamente associadas aos níveis de colesterol". Por isso, eles defendem o uso de recursos mais agressivos desde cedo.

O tratamento medicamentoso contra o colesterol alto é indicado para meninos com mais de 10 anos e meninas depois da primeira menstruação cujas taxas de LDL sejam superiores a 190 miligramas por decilitro de sangue ou acima de 160 miligramas por decilitro, associadas a dois outros fatores de risco ou a histórico familiar de doença coronariana precoce. O objetivo é baixar esses níveis para 110 miligramas por decilitro ou menos – o mesmo valor de referência para adultos. "Os estudos realizados com crianças mostram que os efeitos colaterais são raros e que não há riscos de a terapia atrapalhar a maturação sexual desses jovens – uma preocupação pertinente, já que o colesterol é matéria-prima para a produção de hormônios", diz o cardiologista Francisco Fonseca, professor da Universidade Federal de São Paulo.

O documento da Associação Americana do Coração adverte que a opção pelas estatinas só deve ser feita se o colesterol não baixar o suficiente com a prática regular de atividade física e a adoção de uma alimentação equilibrada por, no mínimo, três meses ou quando o problema é causado por um distúrbio genético. "É preciso tomar cuidado para que a prescrição não se torne uma panacéia", diz a cardiologista Tânia Martinez, professora do Instituto do Coração, em São Paulo. "Antes de iniciar um tratamento medicamentoso, deve-se tentar exaustivamente baixar esse índices com mudanças no estilo de vida." O receio é que as estatinas se transformem numa espécie de "ritalina do coração". Ou seja, que elas se tornem, assim como o remédio indicado para a hiperatividade infantil, a primeira – e única – opção de pais pouco propensos a dar mais atenção a seus filhos.





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