BUSCA

Busca avançada      
FALE CONOSCO
Escreva para VEJA
Para anunciar
Abril SAC
ACESSO LIVRE
Conheça as seções e áreas de VEJA.com
com acesso liberado
REVISTAS
VEJA
Edição 2002

4 de abril de 2007
ver capa
NESTA EDIÇÃO
Índice
COLUNAS
Millôr
Stephen Kanitz
André Petry
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo
SEÇÕES
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Datas
Gente
Auto-retrato
Veja essa
VEJA.com
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
Publicidade
 

Brasil
Lambada racista

Atentado na UnB pode se resumir
a uma simples briga de vizinhos


Alexandre Oltramari

Fotos Marcelo Ferreira/CB
Alunas africanas que dormiam num quarto atingido: susto na madrugada


Na semana passada, vândalos atearam fogo às portas de três apartamentos ocupados por estudantes africanos no alojamento da Universidade de Brasília, a UnB. Ninguém ficou ferido. O incêndio criminoso, dada a origem das vítimas, tem sido tratado como um atentado racista. "É um incidente que nos enche de vergonha", disse o ministro Celso Amorim, das Relações Exteriores. O Ministério Público pediu à polícia que investigasse os indícios de que o crime tenha sido um ato racista. Uma comitiva parlamentar também foi à universidade exigir providências. "São nazifascistas que colocaram fogo justamente nos quartos dos setores onde os negros africanos estavam hospedados", afirmou o deputado Doutor Rosinha (PT-PR). Estudantes fizeram manifestações contra o ato e, sem nenhum nexo com o ocorrido, aproveitaram para exigir mais verbas para a universidade. Pressionada, a UnB triplicou a segurança em suas dependências e transferiu para hotéis de Brasília todos os 22 estudantes africanos que vivem no alojamento. O reitor sugeriu que, a partir de agora, a data do incêndio seja lembrada como o dia da luta pela igualdade racial.

A indignação por um ato de conotação racista merece todo o repúdio e indignação. Mas, ao que tudo indica, o crime nada tem a ver com a cor da pele das vítimas. Há indícios de que por trás do incidente esteja apenas uma banal contenda entre vizinhos. Um ano atrás, ao retornar de madrugada para o seu alojamento na UnB, o universitário africano Adilson Fernandes Dias decidiu ouvir zouk, um ritmo musical caribenho, semelhante à lambada, muito popular nos países africanos de língua portuguesa. Um estudante brasileiro, Roosevelt dos Reis, reclamou do volume do som. Os dois brigaram e o brasileiro levou a pior. Ambos foram suspensos pela universidade, mas o clima ficou pesado no alojamento, que abriga 377 universitários brasileiros e 23 estrangeiros. Paredes foram pichadas com insultos generalizados. Um dos dormitórios incendiados era ocupado exatamente por Adilson Fernandes Dias, o africano que trocou agressões com Roosevelt dos Reis.

Estudantes da UnB protestam: racismo ou falta de dinheiro?

Apesar do barulho que se fez, nem as vítimas do ato de vandalismo acreditam que o motivo do incêndio seja racismo. Dos nove apartamentos ocupados por africanos, três foram atingidos. "Foi um conflito individual que se alastrou", diz o estudante africano Nivaldo Domingos Gomes, que pulou de uma altura de 3 metros para escapar das labaredas. "Quiseram atingir um ou dois de nós. Não existe uma ameaça contra negros aqui", conta Lenine da Silva, nascido na Guiné e aluno de ciências sociais. Há, de fato, um desconforto entre alguns estudantes brasileiros em relação à presença de estrangeiros no alojamento universitário. Acham que eles ocupam o lugar de brasileiros carentes. É uma evidência de que a discriminação no Brasil é motivada mais por razões econômicas.

 

  VEJA | Veja São Paulo | Veja Rio | Expediente | Fale conosco | Anuncie | Newsletter |