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Remédio nele

Coração pode ser tratado sem
cirurgia nem sonda

Fábio de Oliveira

Claudio Rossi
O cardiologista Whady Hueb: apresentação de pesquisa nos Estados Unidos

Abrir o peito para uma cirurgia ou permitir a viagem de sondas pelo organismo pode não ser a melhor solução para alguns dos problemas mais comuns do coração, provocados pela obstrução das artérias. O tratamento com remédios é o caminho apontado pelo cardiologista Whady Hueb, do Instituto do Coração em São Paulo, que acaba de apresentar para uma platéia de médicos de todo o mundo, na abertura do congresso anual do American College of Cardiology, em Orlando (EUA), um estudo comparativo sobre os métodos aplicados, com base em suas pesquisas no Brasil. Quando o sangue encontra barreiras, como placas de gordura ou um coágulo, em seu trajeto pelas artérias, os médicos podem optar entre três alternativas a fim de desobstruir o tráfego. São elas: terapia com medicamentos (betabloqueadores e aspirinas, por exemplo), angioplastia (introdução de um cateter que faz o serviço a longa distância) e a ponte de safena ou a mamária (vasos trazidos de outras partes do corpo que servem como desvio para o sangue).

Whady Hueb avaliou a incidência de infarto, de morte e de uma nova intervenção médica nas três terapias. Para isso, contou com a participação de cerca de 1.100 pessoas que, aleatoriamente, foram divididas em três grupos, cada um recebendo uma das formas de tratamento. O estudo mostrou que, depois de um ano de acompanhamento, a incidência de infarto e de morte foi praticamente semelhante nos três grupos. Ou seja, nenhuma terapia se mostrou superior. "Cerca de 66% dos pacientes não foram operados. Isso prova que a opção terapêutica para a doença coronária não é necessariamente cirúrgica. Há outras alternativas sensatas", diz Hueb.

 

 

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