NOTÍCIAS DIÁRIAS
 
Guia Filhos

Esta semana

Sumário
Brasil
Internacional
Geral
Economia e Negócios
Guia
Um freio nas crueldades dos pequenos
Invista na melhoria da imagem de sua empresa
Coronária pode ser tratada sem cirurgia
O que estou lendo
Artes e Espetáculos


Colunas
Diogo Mainardi
Claudio de Moura Castro
Sérgio Abranches
Roberto Pompeu de Toledo

Seções
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
VEJA on-line
Radar
Contexto
Holofote
Veja essa
Arc
Notas internacionais
Hipertexto
Gente
Datas
Para usar
VEJA Recomenda
Os mais vendidos

Arquivos VEJA
Para pesquisar nos arquivos da revista, digite uma ou mais palavras

Busca detalhada
Arquivo 1997-2000
Busca somente texto 96|97|98|99
Os mais vendidos
 

Não atire o pau no gato

As pequenas crueldades infantis são inevitáveis,
mas não devem ter a tolerância dos pais,
segundo os psicólogos

Maurício Oliveira


Se você flagrar seu filho puxando o rabo do gato, estapeando o focinho do cachorro, dando uns cascudos no irmão menor, não se apavore a ponto de achar que está criando um delinqüente em sua própria casa. De acordo com os psicólogos, não há como evitar esses pequenos atos de crueldade, corriqueiros até os 7 anos. "Todo bebê nasce com uma dose de maldade que precisa ser aparada para não crescer livremente", define o psiquiatra e psicólogo Haim Grunspun, especializado em infância e ligado à Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Assim, as crianças passam por uma fase de perversidade durante seu desenvolvimento e irão exercitá-la em graus variados. As crueldades que praticam, entretanto, não podem ser comparadas às dos adultos, porque elas não têm discernimento sobre o que é certo e o que é errado. Esse comportamento ocorre mais entre meninos, criados em geral com mais liberdade, sem a mesma vigilância exercida sobre as meninas.

Na educação dos filhos, entretanto, os pais devem deixar claro que a crueldade nunca é tolerável – nem com os animais, nem com parentes e amigos, nem com empregados, nem com garotos pobres ou mendigos. "Nenhum momento pode ser mais apropriado para definir limites do que esses em que a criança expõe sua perversidade", diz o neuropediatra Luiz Celso Vilanova, chefe do setor de neurologia infantil da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). É uma fase em que os filhos ficam o tempo todo testando os limites impostos pelos pais. Situações do gênero podem ser muito proveitosas para a formação da criança – e por isso não devem passar em branco (confira no quadro). Se o garoto sente de verdade que o pai ou a mãe não aprovam as atitudes, tende a não repeti-las. É aí que muitos adultos pecam, ao deixar de repreender. Há quem relegue a responsabilidade à escola, o que certamente não provoca o mesmo efeito, apesar de iniciativas bem-intencionadas. Hoje, já existe até mesmo uma versão politicamente correta para o clássico infantil Atirei o Pau no Gato ("Não atire o pau no gato/ Porque isso não se faz/ O gatinho é nosso amigo/ Nós devemos proteger os animais"), difundida nas escolas.

Um símbolo desse comportamento que beira o diabólico é Angélica, a menina de 3 anos do desenho animado americano Rugrats, exibido no Brasil pelo SBT com o nome de Os Anjinhos e no original pelo canal a cabo Nickelodeon. Típica filha única mimada, ela não hesita em infernizar a vida alheia para se manter no centro das atenções. Aproveitando-se do fato de ser a mais velha da turma, adora amedrontar os colegas. Muito do sucesso do desenho, um dos mais populares do momento tanto nos Estados Unidos como no Brasil, pode ser explicado por um fato simples: a criançada se identifica com o jeito de ser da loirinha de marias-chiquinhas. Espertas, as crianças percebem quando têm espaço para deitar e rolar. Se um dia judiam do gato na frente dos pais e ninguém diz nada, acham que aquela etapa já está superada e podem partir para um desafio maior – quem sabe jogar o bichano do 7º andar. "A diferença entre normalidade e patologia está na gravidade e na freqüência dos atos. Se a criança persiste na conduta, é sinal de que algo está errado em casa", diz o especialista Luiz Celso Vilanova.

A regra, entretanto, é a assimilação de um padrão tolerável. Tanto assim que todo mundo tem uma história do gênero para contar. O sambista carioca Dudu Nobre, por exemplo, sempre colocava a culpa das artes que aprontava na irmã mais nova – e sentia um prazer sádico ao vê-la apanhar pelo que não havia feito. Já o músico e apresentador de TV João Gordo não apenas inventava apelidos para todos os colegas como, aproveitando-se do porte avantajado, chegava a extorquir dinheiro dos mais fracos na hora do recreio. A musa das quadras de vôlei Leila Barros também fez das suas apesar do rosto angelical – vivia pegando no pé de uma colega rica e gordinha, apelidando-a de "Baleia", "Rolha", "Boneco de Neve" e outras designações do gênero. A deputada federal Rita Camata lembra-se de que já foi capaz de fazer picadinho da camisa de um colega da 1ª série só porque ele riu de sua trança. E o escritor Luis Fernando Verissimo teve experiências mais sutis, embora não menos aguerridas: "Uma vez tentei provocar uma luta entre uma formiga vermelha e uma preta, mas não consegui. Acho que elas eram primas", conta.

 
Foto Alvaro Povoa

 

NOTÍCIAS DIÁRIAS
Copyright 2001
Editora Abril S.A.
  VEJA on-line | Veja São Paulo | Veja Rio | Veja Curitiba
Veja BH | Veja Fortaleza | Veja Porto Alegre | Veja Recife
Edições especiais | Especiais on-line | Estação Veja
Arquivos | Próxima VEJA | Fale conosco