O
ouro vermelho
Brasil obtém aval de saúde da União
Européia e
pode exportar 38% a mais de carne neste ano
Murilo
Ramos e Márcio Pacelli
Joel Rocha
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de origem animal para exportação: 2,3 bilhões de dólares em
2001 |
Dono
do maior rebanho bovino comercializável do planeta, cerca
de 130 milhões de cabeças, o Brasil pode dar um salto
em suas exportações neste ano. Para um país
que vive anunciando metas positivas de exportação
e nunca sai do déficit na balança comercial, a notícia
é muito boa. No ano passado, apesar de todo o esforço
para aumentar suas exportações, o Brasil amargou um
déficit de quase 700 milhões de dólares por
ter importado mais do que exportou. O ministro da Agricultura, Marcus
Vinicius Pratini de Moraes, anunciou projeções segundo
as quais as exportações de carnes brasileiras deverão
chegar ao patamar de 2,3 bilhões de dólares até
dezembro. Em 2000, o Brasil exportou 1,8 bilhão de dólares.
A idéia, portanto, é que as exportações
aumentem, só em carne bovina, de 778 milhões de dólares
para o primeiro bilhão de dólares, um crescimento
de quase 30%. Em toneladas do produto, o salto será de 38%.
As vendas de carne de frango e porco, puxadas pela rejeição
da carne vermelha, deverão subir, respectivamente, 27% e
58% até o fim do ano. Outros 300 milhões de dólares
serão arrecadados na venda de farelo de soja para a produção
de ração. A maior parte desse efeito, sem dúvida,
deve-se ao banimento do uso da ração animal pelos
europeus e à constatação, em todo o mundo,
de que a carne produzida no Brasil, apesar do ataque especulativo
do Canadá, é sadia. "Saímos fortalecidos da
briga com o Canadá", diz Luiz Hafers, presidente da Sociedade
Rural Brasileira. "Sem querer, o Canadá acabou fazendo uma
grande propaganda para o Brasil", diz Mario Vilalva, diretor do
departamento comercial do Itamaraty.
Na semana passada, o governo brasileiro submeteu a carne nacional
à análise de técnicos do Comitê Científico
da União Européia, que avaliza as importações
dos países europeus. A avaliação do comitê
vai do nível zero ao 4. Quanto mais baixa a nota, melhor
a classificação do país. O Brasil passou na
prova com nota 1, mesmo conceito atribuído à Argentina.
Segundo os técnicos do comitê, portanto, não
há impedimento para a comercialização da carne
dos dois países na Europa. Espera-se, com isso, que os europeus,
que já são responsáveis pela compra de 60%
da carne bovina brasileira exportada, tenham seu apetite aumentado.
A avaliação européia é mais um tento
do Brasil na conquista de um promissor mercado, que tem um déficit
de 600.000 toneladas perdidas nas epidemias da doença da
vaca louca e da febre aftosa. O cenário está positivo
porque o Brasil tem terreno bastante para manter a criação
extensiva de animais. Em países onde falta espaço,
bois, frangos e porcos são mantidos em cubículos e
a aglomeração facilita a contaminação
dos animais por doenças. Governo e empresários pretendem
mostrar que a guinada dos consumidores em busca de produtos chamados
orgânicos, potencialmente mais sadios, pode ser plenamente
atendida pela carne brasileira.
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