
Cristiano
Dias

Quadro:
Cristo na Tempestade no Mar da
Galileia
Autor: Rembrandt
Valor estimado: 50 milhões de dólares
Roubado: 1990, em Boston |
Todo ano, 4 bilhões de dólares são movimentados
no mercado de arte roubada. Nas últimas duas décadas,
nenhuma outra forma de comércio ilegal cresceu tanto.
O volume de negócios triplicou e já é
o terceiro mercado negro que mais movimenta dinheiro no mundo
atrás somente do tráfico de armas e de drogas.
Essa rápida expansão aconteceu graças
à própria supervalorização das
obras de arte, muitas vendidas por milhões de dólares
em rápidos lances em leilões. Atualmente, a
Interpol tem catalogadas mais de 15.000 itens de grande importância
que estão desaparecidos. A empresa inglesa The Art
Loss Register, especializada na caça de objetos de
arte, tem em seus arquivos mais de 120.000 desaparecidos
incluindo pequenas peças como jóias, moedas,
estatuetas, selos e cerâmicas e recebe 1.200 novos
itens por mês. O Brasil, por ora, está fora do
circuito. "A parcela brasileira nesse mercado ilegal é
insignificante", diz Emanoel Araújo, diretor da Pinacoteca
do Estado de São Paulo. Só uma pequena parte
desse tesouro roubado é formada por quadros, mas são
eles os responsáveis pelo glamour que envolve a arte
de roubá-los. Hollywood transformou o roubo de pinturas
no mais charmoso dos crimes.
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Quadro:
O Concerto
Autor: Vermeer
Valor estimado: 100 milhões de dólares
Roubado: 1990, em Boston |
Quadro:
Auto-retrato de 1630
Autor: Rembrandt
Valor estimado: 10 milhões de dólares
Roubado: 2000, em Estocolmo |
No
cinema, os requintados larápios usam uma parafernália
tecnológica para invadir um museu famoso e sair com
uma obra-prima debaixo do braço. A realidade é
diferente. Os ladrões de arte são em geral bandidos
comuns, sem sofisticação ou grande conhecimento
sobre as obras que tentam surrupiar. "Na grande maioria, apesar
de craques na arte de roubar uma tela, eles são péssimos
na hora de negociá-la", diz Julian Radcliffe, presidente
do Art Loss Register. É justamente aí, segundo
ele, que os criminosos caem nas mãos da polícia.
Foi desse jeito que se desbaratou uma quadrilha que roubara
o famosíssimo O Grito, de Edvard Munch, em 1994.
Se sobrou habilidade para surrupiá-lo da Galeria Nacional
de Oslo, na Noruega, faltou competência na hora de repassá-lo.
O bando exigiu resgate e acabou preso quando tentava botar
a mão no dinheiro. Muitas vezes, no entanto, o crime
se aproxima da perfeição. No maior roubo de
todos os tempos, dois homens saquearam o Museu Isabella Stewart
Gardner, em Boston, há onze anos. A polícia
americana jamais descobriu quem levou doze quadros avaliados
em 300 milhões de dólares. Entre as obras desaparecidas
estão O Concerto, de Vermeer, e Cristo na
Tempestade no Mar da Galiléia, de Rembrandt, a
única paisagem marinha pintada pelo artista holandês.
O FBI acredita que foi um roubo encomendado, já que
é impossível alguém despejar dois quadros
como esses de volta no mercado. De Vermeer, artista que viveu
no século XVII, hoje só se conhecem cerca de
quarenta obras, a grande maioria nas mãos de museus
como o Louvre e o Metropolitan de Nova York. O valor de O
Concerto é estimado em 100 milhões de dólares,
se um dia fosse a leilão. Essa é uma distorção
curiosa que virou regra número 1 dos bandidos: um quadro
famoso não pode ser vendido sem ser reconhecido. Por
isso, na hora de escolher entre um Van Gogh e uma tela de
um pintor menos conhecido, o bom ladrão opta sempre
pelo menos famoso, que será muito mais fácil
de vender. O primeiro a descobrir essa regra foi o italiano
Vincenzo Perugia. Em 1911, ele roubou nada menos que a Mona
Lisa. Dois anos depois, foi preso ao tentar negociá-la.
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Divulgação/Galeria
Uffizi
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O
GRITO
Roubado: 1994, na Noruega
Recuperado: 1994
Valor: 65 milhões de dólares
Autor: Edvard Munch |
MONA
LISA
Roubado: 1911, na França
Recuperado: 1913
Valor: inestimável
Autor: Leonardo da Vinci |
"A
maioria dos roubos acontece porque um quadro pode ser transformado
com facilidade em dinheiro no mercado negro", diz Radcliffe,
que faz coro com a maior parte dos especialistas que não
acreditam nas histórias de mansões de multimilionários
em ilhas paradisíacas com paredes cheias de telas roubadas.
Na verdade, os quadros são um método perfeito
de evasão de divisas e lavagem de dinheiro. Um fator
que ajuda os roubos é a diversidade das leis de cada
país. Em muitos lugares, uma obra pode reaparecer no
mercado, depois de determinado período, sem que seu
antigo proprietário possa fazer nada. Na Holanda, que
tem legislação branda, se um quadro ressurge
depois de vinte anos, ele pode ser vendido normalmente. Assim,
muitas obras demoram décadas para reaparecer. Em dezembro
de 1999, uma tela de Paul Cézanne foi vendida normalmente
em um leilão em Londres por 27 milhões de dólares,
vinte anos após ter sido roubada de um colecionador
particular.
Diante desse panorama desolador, quem mais sofre são
os museus, que gastam fortunas com segurança. Para
superar a era dos ultrapassados alarmes sonoros, muitos contam
com dispositivos ultra-sônicos e sensores infravermelhos,
que monitoram a temperatura ambiente dos salões. Nada
disso adiantou quando, há três meses, bandidos
armados com metralhadoras entraram no Museu Nacional de Estocolmo
e levaram dois quadros de Auguste Renoir e um auto-retrato
de Rembrandt, cada um estimado em 10 milhões de dólares.
Longe dos roubos românticos recheados de equipamentos
de última geração, a vida real parece
bem menos fascinante.
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Os
mais roubados
(em número de peças
desaparecidas)
| Picasso |
465 |
| Miró |
294 |
| Chagall |
275 |
| Dalí |
222 |
| Renoir |
164 |
| Rembrandt |
156 |
| Fonte:
The Art Loss Register |
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