Acredite:
é o ABC
A
região-símbolo da industrialização
troca
fábricas
por parques e hotéis de alto padrão
Ricardo
Mendonça e Tatiana Chiari
Marcelo Zocchio
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Divulgação
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| Parque
e projeto de um quatro-estrelas, em Santo André: revitalização
urbanística |
A
partir de 1990, o panorama do pólo industrial do ABC
paulista mudou radicalmente. Atraídas por vantagens
fiscais de outros Estados, mais de 1.000 empresas deixaram
a região e 120.000 postos de trabalho se evaporaram.
No primeiro momento, as prefeituras procuraram alternativas
econômicas para não ir à bancarrota. O
comércio acabou sendo a salvação. Surgiram
por ali dez hipermercados, nove shoppings e inúmeros
empreendimentos ligados ao setor de serviços. Hoje,
mais de metade da mão-de-obra local está empregada
no setor. O desafio do momento é o que construir nos
espaços antes ocupados por galpões cinzentos
que foram abandonados durante o êxodo. Nos últimos
tempos, as cidades de Santo André, São Bernardo
do Campo e São Caetano do Sul investem na reforma de
parques, espalham sinalizações coloridas pelas
ruas e procuram atrair investimentos como prédios e
hotéis. A transformação urbanística
ainda não foi suficiente para fazer do ABC um exemplo
mundial de revitalização de espaços.
Mas já provocou mudanças visíveis no
cenário da região.
A
via principal que corta a cidade de Santo André é
um retrato dessas transformações. Batizada de
Avenida Industrial, ela reúne um shopping, um hipermercado,
um parque totalmente revitalizado e o canteiro de obras de
dois hotéis, um três e outro quatro estrelas.
Nada disso existia ali há cinco anos. Além de
atrair comércio, as cidades vivem um processo acentuado
de verticalização. Muitos dos prédios
que estão surgindo são de alto padrão,
com apartamentos avaliados em mais de 600.000 reais. O centro
das cidades também foi alvo de reformas. De ações
simples, como a pintura da sacada de escolas, parques e prédios
públicos, até a adoção de novos
sistemas de sinalização coloridos, a região
vai ganhando um ar mais jovem e menos sisudo. Em Santo André,
um parque central que andava descuidado ganhou reforma completa.
Agora tem nova entrada, policiamento em tempo integral e câmaras
espalhadas por todos os cantos. "Há um esforço
das prefeituras e da iniciativa privada em requalificar os
espaços, principalmente os das áreas centrais",
diz a urbanista Raquel Rolnik, da PUC de Campinas.
Embora não tenha concretizado o efeito dramático
que os economistas esperavam, a fuga das indústrias
causou um impacto muito grande na economia local. A renda
média dos trabalhadores praticamente foi reduzida à
metade na última década. "Uma vaga na fábrica
vale mais que dez no setor terciário", diz Irineu Bagnariolli,
secretário de Desenvolvimento Urbano de Santo André.
"Um metalúrgico não começa na firma ganhando
menos de 800 reais e ainda tem benefícios. Já
um vendedor tem uma vida muito mais instável." Mesmo
com a saída das fábricas, a arrecadação
de ICMS dos municípios continua dependendo 80% das
indústrias que lá ficaram. O comércio
e o setor de serviços contribuem com o restante dos
tributos. Recentemente, as prefeituras da região resolveram
contra-atacar, lançando um plano de incentivos fiscais
para atrair novas fábricas para a região. Ironicamente,
ações semelhantes detonadas por outros Estados
é que provocaram a mudança do perfil urbanístico
do ABC.
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