Ataque
ao crack
Números mostram que a polícia
pode ter encontrado uma fórmula eficiente de combate
Kristhian
Kaminski
Antonio Milena
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| Vista
aérea do bairro da Luz, em São Paulo: os
hotéis dos traficantes foram fechados |
Existe
um bairro na capital paulista cujo nome oficial é Luz,
mas as pessoas se acostumaram a chamar de "cracolândia".
O apelido surgiu quando a região, localizada na zona
central da cidade, próxima a uma estação
de trem, se transformou no maior reduto de traficantes e consumidores
de crack de todo o país. A droga contaminou o lugar
de tal forma que os imóveis se desvalorizaram e a criminalidade
explodiu. Em diversas ocasiões, a polícia de
São Paulo tentou eliminar a cracolândia, mas
os efeitos jamais puderam ser festejados. Quando os agentes
iam embora, os consumidores e traficantes reassumiam o comando
do local. No final de 1999, no entanto, a polícia modificou
sua forma de agir e iniciou um programa permanente de ataque
à cracolândia. Os últimos números,
divulgados recentemente, mostram que o trabalho é promissor.
O tráfico da droga na região caiu 75%. Os casos
de porte e consumo de crack diminuíram, respectivamente,
70% e 80%.
Egberto Nogueira
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| Jovem
fuma uma pedra de crack: cena comum no passado |
A porção central da capital, especialmente nas
cercanias da estação ferroviária da Luz,
entrou numa fase de degradação no início
dos anos 80. A deterioração misturou aspectos
econômicos próprios da década perdida
a razões de natureza urbanística. Morar ou fazer
compras no centro da cidade já não tinha charme
algum. Contribuiu também o descaso das autoridades.
As ruas da região viviam sujas, os imóveis eram
ocupados de maneira irregular e faltava iluminação
pública. A cracolândia se consolidou com a abertura
de algumas dezenas de pequenos hotéis de alta rotatividade,
onde os "hóspedes" pagavam diárias de 5 reais
e podiam comprar, vender e usar crack longe da polícia.
O consumo da droga explodiu no começo dos anos 90.
Até
1998, a polícia fazia batidas na região ao ritmo
de uma por mês. Em média, sessenta pessoas eram
presas mensalmente. A partir de 1999, em parceria com a prefeitura,
a polícia resolveu fazer uma batida a cada três
dias, tornando um inferno a vida dos viciados e traficantes.
No ano passado, o cerco ao tráfico foi intensificado:
2.100 pessoas foram presas na cracolândia, uma média
de 175 por mês. Do início da operação
até agora, a prefeitura interditou 37 hotéis
e treze bares, além de outros vinte estabelecimentos
que foram fechados pela polícia.
Parece cedo para comemorar os resultados da guerra contra
o tráfico na cracolândia. Na semana passada,
VEJA flagrou usuários consumindo crack à luz
do dia numa rua da região. Os números mostram,
porém, que é possível enfrentar o problema.
A receita para isso existe e funciona. Será que a experiência
bem-sucedida não pode ser repetida nas outras cracolândias,
maconholândias e cocainolândias espalhadas pelo
Brasil?
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