Confissões
do assassino
Terrorista
de Oklahoma não se
arrepende da matança e diz que
agiu
para se vingar do governo
Seis
anos depois de protagonizar o maior atentado terrorista da história
dos Estados Unidos, Timothy McVeigh, de 32 anos, está empenhado
numa última tarefa: escrever o próprio epitáfio.
O terrorista, que deverá receber a injeção
letal no próximo mês por ter explodido um prédio
do governo americano na cidade de Oklahoma, matando 168 pessoas,
rompeu o silêncio que impôs desde sua prisão
e admitiu, pela primeira vez, a autoria do atentado. McVeigh não
mostrou remorso sequer por ter causado a morte de dezenove crianças
da creche que funcionava no prédio. Lamentou apenas que esse
"dano colateral" tenha ofuscado sua causa. "Entendo o que eles sentiram
em Oklahoma, mas não tenho simpatia por eles nem os lamento",
disse. As confissões foram feitas aos jornalistas Lou Michel
e Dan Herbeck, numa série de entrevistas na prisão.
O material foi reunido no livro O Terrorista Americano: Timothy
McVeigh e a Explosão em Oklahoma City, que será
lançado nesta semana, para a revolta de familiares das vítimas.
Com a mesma frieza demonstrada na manhã de 19 de abril de
1995 ao estacionar uma caminhonete alugada com 2.000 quilos de explosivos
na garagem do edifício e depois sair caminhando enquanto
o prédio ia pelos ares, McVeigh explicou que o atentado foi
uma vingança contra duas operações do FBI.
Primeiro, em 1992, num cerco que terminou na morte da família
do líder de um movimento racista, Randy Weaver, no Estado
de Idaho. Depois, em 1993, quando oitenta seguidores de uma seita
religiosa de Waco, Texas, preferiram morrer queimados a se entregar
aos agentes federais. "O que o governo fez em Idaho e Waco foi sujeira,
que eu devolvi para eles em Oklahoma", explicou o terrorista, num
raciocínio típico dos fanáticos, que preferem
responsabilizar as vítimas pelos crimes que cometem.
Preso dois dias após o atentado, McVeigh dispensou o pedido
de clemência e negou ter agido em nome de grupos radicais.
Às vésperas da execução, ele não
tem nada a perder com a admissão de culpa. Sua intenção
aparente é se tornar um herói para as organizações
de extrema direita nos Estados Unidos. "O livro dá a esse
assassino o fórum que ele procurava para virar um mártir",
protestou Kathleen Treanor, que perdeu a filha de 4 anos no atentado.
Veterano da Guerra do Golfo, McVeigh teve a ajuda de um ex-colega
do Exército na fabricação da bomba. Mas garante
ter planejado e executado sozinho o atentado. "A verdade é
que eu explodi aquele prédio", disse. "Não é
assustador que apenas um homem tenha causado todo aquele inferno?"
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