Frango
novo
Diretor da Sadia vira procurador
do Cade
Rudolfo
Lago, de Brasília
Na semana passada, saiu no Diário Oficial da União
o nome do novo procurador-geral do Cade, o órgão federal
que atua na defesa da concorrência e examina as grandes fusões
empresariais. É Fernando de Magalhães Furlan, um advogado
de 32 anos, filho do ex-deputado Vasco Furlan, do PPB de Santa Catarina,
e primo do dono da Sadia, terceira maior empresa do país
no ramo de frangos e alimentos refrigerados. A nomeação
de Fernando Furlan ainda terá de ser aprovada pelo Senado,
em votação prevista para esta semana, mas sua indicação
já está produzindo um salseiro. Pela lei, o procurador-geral
do Cade deve ser escolhido entre os procuradores federais, ou então
entre profissionais de boa reputação e "notório
saber jurídico". Furlan formou-se em direito há sete
anos, e sua passagem pelo Cade resume-se a um estágio ocorrido
no ano passado no âmbito de um programa de intercâmbio.
No estágio, Furlan relatou apenas dois processos. Como procurador-geral,
ele analisará e terá a palavra final sobre todos os
processos sob exame do Cade.
"É
vergonhoso. Os procuradores federais no Cade passarão a se
subordinar a um ex-intercambista e estagiário. A defesa da
concorrência continua indefesa", diz uma nota que os procuradores
farão circular nesta semana. Mas há outro aspecto
que causa desconforto. A Sadia, na qual Furlan atua como diretor
institucional e jurídico, tem seis processos em tramitação
no Cade. Em um deles, foi condenada a pagar multa de 127.000 reais
devido à incorporação de uma empresa menor,
a Miss Daisy. Furlan não vê problemas em sua ascensão
meteórica ou em seus vínculos com uma empresa envolvida
com o Cade. "A grande maioria dos funcionários públicos
trabalhou em algum lugar antes de iniciar sua função
pública", diz ele. "O Alcides Tápias é ministro
do Desenvolvimento e era do Bradesco", diz. Mesmo assim, os procuradores
acham que Furlan, devido às suas ligações com
a Sadia, será o frango cuidando do galinheiro.
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