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Geléia geral

CPI revela a má prática da
oposição e do governo

Há duas semanas, a política brasiliense gira em torno de um assunto só: a CPI da Corrupção. O tema ganhou tal dimensão que o presidente Fernando Henrique está examinando a conveniência de fazer um pronunciamento à nação nesta semana, quando retornar de sua visita aos Estados Unidos. Quer dizer ao povo que a CPI não passa de manobra política, que o governo não é leniente com a corrupção e que todas as denúncias são investigadas. O que impressiona, no caso, é que o debate em torno da criação ou não da CPI virou um auto de descrédito – para o governo e para a própria oposição. A oposição já conseguiu 169 assinaturas, faltando ainda a adesão de outros 29 parlamentares. Mas, para chegar lá, ampliou tanto o leque de assuntos – eram 27, até a semana passada – que transformou a CPI numa geléia geral. A oposição acabou caindo no conto-do-vigário: alguns parlamentares, em troca de suas assinaturas, exigiam a inclusão deste ou daquele assunto, até que a CPI, de tão vasta, virasse essa tremenda impossibilidade prática.

O comportamento da oposição, de batalhar por uma CPI, seja ela viável ou inviável, causou a impressão de que se quer apenas usar o debate da ética como forma de azucrinar o governo – e não com a sinceridade de quem pretende, mesmo, desinfetar o pedaço. Mas, na semana passada, os governistas fizeram questão de não deixar a oposição sozinha no auto do descrédito. Para barrar a criação da CPI, protagonizaram aqueles espetáculos feios de Brasília: promessas arreganhadas de liberação de verbas orçamentárias, ameaças terrestres de retaliação e ofertas sibilinas de cargos. Os vinte deputados do bloco PL-PSL, conduzidos pelos deputados Luiz Antonio de Medeiros e Valdemar Costa Neto, mostraram uma voracidade ímpar. Saíram até com a promessa de, quem sabe, levar um ministeriozinho mais adiante.

Os evangélicos, como de praxe, tentaram arrancar um novo perdão de dívidas junto à Receita, onde têm uma pendura de 300 milhões de reais. Nada ficou acertado, mas o governo não demonstrou um fiapo de constrangimento em ouvir a proposta. Na quarta-feira passada, o PMDB decidiu que seus parlamentares não assinarão o pedido de CPI, o que praticamente enterra as chances de sua criação. Resta saber se a população ficará indiferente ao escancarado oportunismo da oposição e ao deslavado fisiologismo dos governistas.

 

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