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Leitor
Aborto Parabéns
a VEJA por mais uma vez abordar a questão do aborto
("Aborto A realidade dos consultórios",
28 de janeiro). Infelizmente, o Brasil progride muito lentamente
nesse tema, e a demora vem causando imenso sofrimento a muitas
mulheres. Sou médica geneticista e trabalho em instituição
de referência para alto risco fetal, atendendo mensalmente
dezenas de mulheres com gestação de fetos com
anomalias graves, muitas incompatíveis com a vida.
A tecnologia disponível hoje possibilita a confirmação
de diagnósticos pré-natais com precisão.
A todas essas mulheres é oferecida orientação
e feito o aconselhamento genético. Quando há
desejo de interromper a gravidez, no entanto, decisão
esta na maioria das vezes muito sofrida, é necessário
recorrer à Justiça. O processo é demorado
e extremamente penoso para a gestante, que sofre duplamente:
com o diagnóstico em si e pela ilegalidade de seu pleito.
A questão
do aborto envolve não apenas a ética de decidir
sobre a continuidade ou não de uma vida, mas a infraestrutura
com a qual aquele novo ser chegará. Exige responsabilidade,
maturidade e compromisso: gerar, criar e educar uma criança
requer equilíbrio emocional e financeiro para que ela
seja um ser humano saudável. Com a acelerada
deterioração dos valores essenciais à
dignidade humana nos últimos anos, não há
dúvida de que tem aumentado consideravelmente a quantidade
de pessoas que, infelizmente, são a favor do aborto.
Mas não há dúvida também de que
a grande maioria dos brasileiros ainda não aceita esse
crime hediondo contra uma pessoa inocente e indefesa, praticado
por quem mais deveria defender filho e paciente.
A sociedade brasileira,
em sua maioria, é contra a descriminalização
do aborto e não defende a ampliação das
situações em que a lei deixa de punir sua realização.
Foi por violentarem a consciência e as convicções
do nosso povo que tentativas anteriores de mudar tal legislação
foram rechaçadas. O argumento pró-liberação,
segundo o qual, em sendo inevitável fazê-lo,
a regulamentação seria um mal menor, para garantir
a segurança de quem o realiza, na realidade é
apenas o primeiro passo no caminho que vai da tolerância
à organização comercial. Para aproximar
o Brasil real do mundo ideal mencionado no início da
reportagem, deve-se trabalhar para evitar a realização
do aborto, e não para facilitá-la. 'Educar e informar
evita a gravidez indesejável, e oferecer segurança
a quem se decidiu pelo
aborto torna a tragédia
menor."
Cartilhas do MST Os meus cumprimentos
a VEJA pela reportagem "O manual da guerrilha" (28
de janeiro). É sempre bom vermos falsos mitos serem
desmascarados. Há muito somos obrigados a conviver
com os desmandos de um grupo que presta o maior desserviço
ao Brasil. Assassinatos, roubos, furtos e invasões
impulsionados pela ideologia são algumas de suas marcas.
E seus líderes, onde estão? Soltos. Por quê?
Sabe-se lá a quem possa interessar. Manaus, AM Gosto da VEJA porque
a revista não tem medo da verdade. Se é para
dizer que parte dos opositores ao regime de 64 queria implantar
uma ditadura comunista no Brasil, ela diz; se é para
falar sobre as peculiaridades do terrorismo à brasileira,
ela fala (vide edição histórica dos 40
anos). Se é para contar toda a verdade sobre o MST,
essa gangue apoiada pelo governo, pelo PT, pelos Chávez
da vida e pelas Farc, a favor dos comunistas inconformados,
mas contra o Brasil, ela faz a reportagem espetacular da semana
passada. Parabéns, redação de VEJA, a
"revista sem medo". Está escrito
na Constituição da República Federativa
do Brasil: "Constitui crime inafiançável
e imprescritível a ação de grupos armados,
civis ou militares, contra a ordem constitucional e o Estado
Democrático". Também está escrito:
"São crimes de responsabilidade os atos do presidente
da República que atentem contra a Constituição
Federal e, especialmente, contra... a segurança interna
do país". Até quando o Brasil permitirá
que João Pedro Stedile e Lula sigam impunes desprezando
a Constituição? Está explícito
na reportagem de VEJA que tanto os coordenadores como os militantes
do MST fazem o que bem entendem e ainda são agraciados
com polpudas verbas do governo federal via ONGs disfarçadas.
Será que um dia a população que banca
tais abusos com seu suor dará um basta nisso tudo?
Já passou da hora.
Caso Cesare Battisti Sobre a reportagem
"O que ainda não se sabia sobre ele" (28
de janeiro), gostaria de esclarecer algumas questões.
Compete ao Supremo Tribunal Federal verificar aspectos formais
dos processos criminais que solicitam extradição.
A mim, como ministro da Justiça encarregado do pedido
de refúgio de Cesare Battisti, coube apenas um pronunciamento
sobre a existência, no caso concreto, de "fundado
temor de perseguição". Na esteira de várias
decisões do STF, inclusive sobre ex-integrantes das
Brigadas Vermelhas cuja extradição para a Itália
foi negada naquela corte, entendo que o senhor Battisti foi
um criminoso político. Lembro que o refúgio
por motivos políticos deve ser concedido até
mesmo quando houver dúvidas. A proteção,
nos casos de incerteza, análoga a do direito penal
moderno, respeita os princípios do direito humanitário
e a tradição brasileira nesse campo. Por outro
lado, a Corte Europeia de Direitos Humanos não "justifica
a decisão de extraditar" Battisti nem "chancela
as decisões das cortes italianas e francesas".
A decisão da Corte Europeia limita-se a constatar que
não há violação aos direitos humanos
em um julgamento de réu ausente. Finalmente, também
é importante lembrar que, na minha decisão,
não há ataques ao sistema jurídico ou
à democracia na Itália. O que manifesto são
dúvidas sobre um processo concreto, o processo que
condenou o senhor Battisti. Quando o STF, por exemplo, anula
ou reverte um processo, ele reporta-se não ao sistema
judiciário do país, mas àquele processo
que está sob seu exame. Espero que esses esclarecimentos
contribuam para a discussão pública do caso,
de complexidade ímpar e, por isso mesmo, sujeito a
julgamentos precipitados. Tarso Genro foi
muito infeliz em sua decisão de conceder asilo político
a esse terrorista, pois me parece que seu "estudo cuidadoso"
não foi tão cuidadoso assim. O Brasil tem de
parar com essa teimosia ridícula, que não nos
levará a lugar nenhum. É bem melhor reconhecer
o erro do que fazer papel de bobo, insistindo em uma posição
política que vai contra a razão. Se a Justiça
italiana não é confiável, por que nossos
promotores e juízes fizeram intercâmbio para
"aprender" como foi rea-lizada a operação
"mãos limpas" na Itália, com viagens
de cá para lá e vice-versa? Somos uma sociedade
de direito ou a ideologia prevalece sobre tudo? Como nosso
ministro ignora decisões de todas as instâncias
da Justiça italiana e francesa? Não é
só o governo italiano que está revoltado, é
a sociedade inteira. Eles viveram e combateram o terrorismo,
sentiram bombas despedaçarem seus familiares e não
querem que isso volte. Que exemplo o governo brasileiro está
dando?
Raul Velloso Como seria bom se
o nosso presidente não tivesse azia ao ler revistas
e jornais. Teria uma grande oportunidade, com os ensinamentos
da excelente entrevista com o economista Raul Velloso, de
colocar suas recomendações em prática,
fugindo do futuro negro aonde pode chegar a economia brasileira
nesta crise (Amarelas, 28 de janeiro). Enquanto as empresas
apertam o cinto e demitem funcionários, o governo eleva
os gastos concedendo reajustes de toda sorte e fazendo novas
contratações. Se antes o porcentual de investimentos
contidos no Orçamento já era ínfimo,
imagine daqui para a frente, com a arrecadação
reduzida.
Barack Obama Poucas vezes se
viu um momento tão marcante como o da cerimônia
de posse do novo presidente americano. O que impressionou
não foram os constantes anúncios de números
recordes de pessoas presentes em frente ao Capitólio
e ao longo do Mall em Washington e dos telespectadores espalhados
pelos Estados Unidos ou pelo mundo, mas a emoção
no ar, na mente e no coração das pessoas. Obama
não é apenas presidente dos Estados Unidos,
ele representa uma virada na história do país,
tão manchada pela segregação racial.
Representa também um sopro, ou melhor, um vendaval
de esperança para um país desmoralizado externamente
e combalido no plano interno ("Humildade e realismo",
28 de janeiro). VEJA falou a respeito
do sóbrio discurso do presidente Obama. De todas as
crises que ele tem pela frente, a financeira é considerada
a pior. Creio, no entanto, que ela seja um problema que só
será resolvido pelo próprio sistema, o velho
e bom sistema capitalista. Ele gerou essa crise e apenas ele
poderá resolvê-la. Essa é uma crise de
todos e todos têm de encontrar uma saída para
ela. Está em jogo o sistema que dava as melhores oportunidades,
aquele que trazia em seu núcleo o conceito de bem-estar.
Estará o velho sistema dando sinais de fadiga? Sem
ele, qual será a opção "b"?
Newton Cardoso Equilibrar as despesas
domésticas com o salário recebido tem sido um
malabarismo do servidor público. Meu imposto é
retido na fonte, arrebatado pelas presas de um Leão
voraz. O caso do ex-governador mineiro Newton Cardoso é
apenas uma amostra de que este é um país cítrico,
fertilizado pela inércia dos poderes, afugentado por
um leão inibido e desdentado ("O sultão
de Minas", 28 de janeiro).
Mariana Bridi Aos leigos pode
parecer estranho alguém morrer em decorrência
de uma infecção urinária ("Sonho
interrompido", 28 de janeiro). Mas, apesar de não
ser frequente, isso ocorre muito. Qualquer infecção
que acometa o ser humano, por menor que seja, se não
for tratada logo poderá evoluir para uma septicemia.
Principalmente em pessoas com a imunidade diminuída.
Uma das formas mais seguras de prevenir infecção
urinária em mulher é a higiene íntima,
com a utilização de ducha após cada ida
ao sanitário. O uso de roupas de algodão, principalmente
as íntimas, também evita o surgimento de infecções
do trato geniturinário.
Crime no Pará Estou indignada
com a impunidade retratada na reportagem "A infância
violada do Pará" (28 de janeiro). Gostaria de
fazer um pedido para que a justiça seja feita com relação
às denúncias de abuso de crianças citadas
pela revista. Eu e minha família residimos fora do
Brasil há oito anos e fazemos planos de voltar. Infelizmente,
toda vez que deparamos com notícias como essa, temos
medo de submeter nossa filha à violência a que
as meninas do Pará e do resto do país estão
sujeitas.
Aborto 2 Mais uma reportagem
que trata do tema aborto do ponto de vista daqueles que o
praticaram e cobram a necessidade de liberá-lo. Gostaria
de ver uma reportagem que abordasse o porquê de tantas
mulheres engravidarem e praticarem o aborto. Acho que a lei
brasileira poderia ser ampliada como nos países do
grupo 9, mas apoiar mulheres que praticam o sexo de forma
irresponsável seria um retrocesso na luta pela vida.
A política governamental é de distribuição
de preservativos e de pílula do dia seguinte. Não
vejo nenhum programa para esclarecimento das famílias
e de formação de jovens sexualmente responsáveis.
A luta pela igualdade de direitos entre homens e mulheres
deveria consagrar também os nossos deveres. Se queremos
a prática de sexo com quem quisermos e quando quisermos,
temos a obrigação de usar preservativos e anticoncepcionais.
Liberar o aborto vai incentivar a prática do sexo irresponsável
e causar mais gastos a uma saúde pública que
não consegue cuidar de doenças que não
podem ser evitadas. Não é
a religião, a ciência ou a sociedade que devem
decidir sobre o aborto. A mulher é dona do seu corpo;
portanto, somente ela tem direito sobre ele.
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