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Edição 2098

4 de fevereiro de 2009
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Aborto (capa) — 103
Cartilhas do MST — 47
Caso Cesare Battisti — 44
Raul Velloso (Entrevista) — 35
Barack Obama — 17

Aborto

Parabéns a VEJA por mais uma vez abordar a questão do aborto ("Aborto – A realidade dos consultórios", 28 de janeiro). Infelizmente, o Brasil progride muito lentamente nesse tema, e a demora vem causando imenso sofrimento a muitas mulheres. Sou médica geneticista e trabalho em instituição de referência para alto risco fetal, atendendo mensalmente dezenas de mulheres com gestação de fetos com anomalias graves, muitas incompatíveis com a vida. A tecnologia disponível hoje possibilita a confirmação de diagnósticos pré-natais com precisão. A todas essas mulheres é oferecida orientação e feito o aconselhamento genético. Quando há desejo de interromper a gravidez, no entanto, decisão esta na maioria das vezes muito sofrida, é necessário recorrer à Justiça. O processo é demorado e extremamente penoso para a gestante, que sofre duplamente: com o diagnóstico em si e pela ilegalidade de seu pleito.
Dafne Dain Gandelman Horovitz
Médica geneticista
Rio de Janeiro, RJ

A questão do aborto envolve não apenas a ética de decidir sobre a continuidade ou não de uma vida, mas a infraestrutura com a qual aquele novo ser chegará. Exige responsabilidade, maturidade e compromisso: gerar, criar e educar uma criança requer equilíbrio emocional e financeiro para que ela seja um ser humano saudável.
Marcela Leon
São Paulo, SP

Com a acelerada deterioração dos valores essenciais à dignidade humana nos últimos anos, não há dúvida de que tem aumentado consideravelmente a quantidade de pessoas que, infelizmente, são a favor do aborto. Mas não há dúvida também de que a grande maioria dos brasileiros ainda não aceita esse crime hediondo contra uma pessoa inocente e indefesa, praticado por quem mais deveria defender filho e paciente.
Marisa Stucchi
São Paulo, SP

Fabiano Accorsi

Redução de risco
Doutor Osmar Ribeiro Colás: "Não faço aborto, mas não deixo de informar sobre os métodos mais seguros"


Como mulher e médica pediatra, sei que a gente tem o direito de decidir sobre o nosso corpo, mas não sobre o ser que está sendo gerado, porque em pleno século XXI todo mundo tem acesso aos contraceptivos e sabe como se engravida. Acho que a medicina deveria valorizar mais a vida; como mulher, abomino o aborto porque, apesar dos meus 50 anos, ainda sonho em ser mãe. Não consegui pelas dificuldades que encontrei para fazer uma fertilização.
Verônica Silveira
Olinda, PE

A sociedade brasileira, em sua maioria, é contra a descriminalização do aborto e não defende a ampliação das situações em que a lei deixa de punir sua realização. Foi por violentarem a consciência e as convicções do nosso povo que tentativas anteriores de mudar tal legislação foram rechaçadas. O argumento pró-liberação, segundo o qual, em sendo inevitável fazê-lo, a regulamentação seria um mal menor, para garantir a segurança de quem o realiza, na realidade é apenas o primeiro passo no caminho que vai da tolerância à organização comercial. Para aproximar o Brasil real do mundo ideal mencionado no início da reportagem, deve-se trabalhar para evitar a realização do aborto, e não para facilitá-la.
Vitor Last Pintarelli
Médico
São Paulo, SP

'Educar e informar evita a gravidez indesejável, e oferecer segurança a quem se decidiu pelo aborto torna a tragédia menor."
Mara Narciso
Montes Claros, MG

 

Cartilhas do MST

Os meus cumprimentos a VEJA pela reportagem "O manual da guerrilha" (28 de janeiro). É sempre bom vermos falsos mitos serem desmascarados. Há muito somos obrigados a conviver com os desmandos de um grupo que presta o maior desserviço ao Brasil. Assassinatos, roubos, furtos e invasões impulsionados pela ideologia são algumas de suas marcas. E seus líderes, onde estão? Soltos. Por quê? Sabe-se lá a quem possa interessar.
Alexandre Peixoto

Manaus, AM

Gosto da VEJA porque a revista não tem medo da verdade. Se é para dizer que parte dos opositores ao regime de 64 queria implantar uma ditadura comunista no Brasil, ela diz; se é para falar sobre as peculiaridades do terrorismo à brasileira, ela fala (vide edição histórica dos 40 anos). Se é para contar toda a verdade sobre o MST, essa gangue apoiada pelo governo, pelo PT, pelos Chávez da vida e pelas Farc, a favor dos comunistas inconformados, mas contra o Brasil, ela faz a reportagem espetacular da semana passada. Parabéns, redação de VEJA, a "revista sem medo".
Galdino Ernesto Santucci
Lauro de Freitas, BA

Está escrito na Constituição da República Federativa do Brasil: "Constitui crime inafiançável e imprescritível a ação de grupos armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional e o Estado Democrático". Também está escrito: "São crimes de responsabilidade os atos do presidente da República que atentem contra a Constituição Federal e, especialmente, contra... a segurança interna do país". Até quando o Brasil permitirá que João Pedro Stedile e Lula sigam impunes desprezando a Constituição?
Iackson Borges
Por e-mail

Está explícito na reportagem de VEJA que tanto os coordenadores como os militantes do MST fazem o que bem entendem e ainda são agraciados com polpudas verbas do governo federal via ONGs disfarçadas. Será que um dia a população que banca tais abusos com seu suor dará um basta nisso tudo? Já passou da hora.
Ronald Albanez
Foz do Iguaçu, PR

 

Caso Cesare Battisti

Sobre a reportagem "O que ainda não se sabia sobre ele" (28 de janeiro), gostaria de esclarecer algumas questões. Compete ao Supremo Tribunal Federal verificar aspectos formais dos processos criminais que solicitam extradição. A mim, como ministro da Justiça encarregado do pedido de refúgio de Cesare Battisti, coube apenas um pronunciamento sobre a existência, no caso concreto, de "fundado temor de perseguição". Na esteira de várias decisões do STF, inclusive sobre ex-integrantes das Brigadas Vermelhas cuja extradição para a Itália foi negada naquela corte, entendo que o senhor Battisti foi um criminoso político. Lembro que o refúgio por motivos políticos deve ser concedido até mesmo quando houver dúvidas. A proteção, nos casos de incerteza, análoga a do direito penal moderno, respeita os princípios do direito humanitário e a tradição brasileira nesse campo. Por outro lado, a Corte Europeia de Direitos Humanos não "justifica a decisão de extraditar" Battisti nem "chancela as decisões das cortes italianas e francesas". A decisão da Corte Europeia limita-se a constatar que não há violação aos direitos humanos em um julgamento de réu ausente. Finalmente, também é importante lembrar que, na minha decisão, não há ataques ao sistema jurídico ou à democracia na Itália. O que manifesto são dúvidas sobre um processo concreto, o processo que condenou o senhor Battisti. Quando o STF, por exemplo, anula ou reverte um processo, ele reporta-se não ao sistema judiciário do país, mas àquele processo que está sob seu exame. Espero que esses esclarecimentos contribuam para a discussão pública do caso, de complexidade ímpar e, por isso mesmo, sujeito a julgamentos precipitados.
Tarso Genro
Ministro da Justiça
Brasília, DF

Tarso Genro foi muito infeliz em sua decisão de conceder asilo político a esse terrorista, pois me parece que seu "estudo cuidadoso" não foi tão cuidadoso assim. O Brasil tem de parar com essa teimosia ridícula, que não nos levará a lugar nenhum. É bem melhor reconhecer o erro do que fazer papel de bobo, insistindo em uma posição política que vai contra a razão.
Pedro Henrique G. Costa
Belo Horizonte, MG

Se a Justiça italiana não é confiável, por que nossos promotores e juízes fizeram intercâmbio para "aprender" como foi rea-lizada a operação "mãos limpas" na Itália, com viagens de cá para lá e vice-versa? Somos uma sociedade de direito ou a ideologia prevalece sobre tudo? Como nosso ministro ignora decisões de todas as instâncias da Justiça italiana e francesa? Não é só o governo italiano que está revoltado, é a sociedade inteira. Eles viveram e combateram o terrorismo, sentiram bombas despedaçarem seus familiares e não querem que isso volte. Que exemplo o governo brasileiro está dando?
Ricardo Gambassi Nonis
São Paulo, SP

 

Raul Velloso

Como seria bom se o nosso presidente não tivesse azia ao ler revistas e jornais. Teria uma grande oportunidade, com os ensinamentos da excelente entrevista com o economista Raul Velloso, de colocar suas recomendações em prática, fugindo do futuro negro aonde pode chegar a economia brasileira nesta crise (Amarelas, 28 de janeiro).
Günther Seifert
Londrina, PR

Enquanto as empresas apertam o cinto e demitem funcionários, o governo eleva os gastos concedendo reajustes de toda sorte e fazendo novas contratações. Se antes o porcentual de investimentos contidos no Orçamento já era ínfimo, imagine daqui para a frente, com a arrecadação reduzida.
Tito Schmitt
União da Vitória, PR

 

Barack Obama

Poucas vezes se viu um momento tão marcante como o da cerimônia de posse do novo presidente americano. O que impressionou não foram os constantes anúncios de números recordes de pessoas presentes em frente ao Capitólio e ao longo do Mall em Washington e dos telespectadores espalhados pelos Estados Unidos ou pelo mundo, mas a emoção no ar, na mente e no coração das pessoas. Obama não é apenas presidente dos Estados Unidos, ele representa uma virada na história do país, tão manchada pela segregação racial. Representa também um sopro, ou melhor, um vendaval de esperança para um país desmoralizado externamente e combalido no plano interno ("Humildade e realismo", 28 de janeiro).
Mauricio Gomm Santos
Miami, Flórida, EUA

VEJA falou a respeito do sóbrio discurso do presidente Obama. De todas as crises que ele tem pela frente, a financeira é considerada a pior. Creio, no entanto, que ela seja um problema que só será resolvido pelo próprio sistema, o velho e bom sistema capitalista. Ele gerou essa crise e apenas ele poderá resolvê-la. Essa é uma crise de todos e todos têm de encontrar uma saída para ela. Está em jogo o sistema que dava as melhores oportunidades, aquele que trazia em seu núcleo o conceito de bem-estar. Estará o velho sistema dando sinais de fadiga? Sem ele, qual será a opção "b"?
Fernando Augusto Rodrigues da Costa
Por e-mail

 

Newton Cardoso

Equilibrar as despesas domésticas com o salário recebido tem sido um malabarismo do servidor público. Meu imposto é retido na fonte, arrebatado pelas presas de um Leão voraz. O caso do ex-governador mineiro Newton Cardoso é apenas uma amostra de que este é um país cítrico, fertilizado pela inércia dos poderes, afugentado por um leão inibido e desdentado ("O sultão de Minas", 28 de janeiro).
Amadeu Robson Machado Cordeiro
João Pessoa, PB

 

Mariana Bridi

Aos leigos pode parecer estranho alguém morrer em decorrência de uma infecção urinária ("Sonho interrompido", 28 de janeiro). Mas, apesar de não ser frequente, isso ocorre muito. Qualquer infecção que acometa o ser humano, por menor que seja, se não for tratada logo poderá evoluir para uma septicemia. Principalmente em pessoas com a imunidade diminuída. Uma das formas mais seguras de prevenir infecção urinária em mulher é a higiene íntima, com a utilização de ducha após cada ida ao sanitário. O uso de roupas de algodão, principalmente as íntimas, também evita o surgimento de infecções do trato geniturinário.
Carlos Fabian Seixas de Oliveira
Médico
Campos dos Goytacazes, RJ

 

Crime no Pará

Estou indignada com a impunidade retratada na reportagem "A infância violada do Pará" (28 de janeiro). Gostaria de fazer um pedido para que a justiça seja feita com relação às denúncias de abuso de crianças citadas pela revista. Eu e minha família residimos fora do Brasil há oito anos e fazemos planos de voltar. Infelizmente, toda vez que deparamos com notícias como essa, temos medo de submeter nossa filha à violência a que as meninas do Pará e do resto do país estão sujeitas.
Cathyanne McNeely
West Lafayette, Indiana, Estados Unidos

 

Aborto 2

Mais uma reportagem que trata do tema aborto do ponto de vista daqueles que o praticaram e cobram a necessidade de liberá-lo. Gostaria de ver uma reportagem que abordasse o porquê de tantas mulheres engravidarem e praticarem o aborto. Acho que a lei brasileira poderia ser ampliada como nos países do grupo 9, mas apoiar mulheres que praticam o sexo de forma irresponsável seria um retrocesso na luta pela vida. A política governamental é de distribuição de preservativos e de pílula do dia seguinte. Não vejo nenhum programa para esclarecimento das famílias e de formação de jovens sexualmente responsáveis. A luta pela igualdade de direitos entre homens e mulheres deveria consagrar também os nossos deveres. Se queremos a prática de sexo com quem quisermos e quando quisermos, temos a obrigação de usar preservativos e anticoncepcionais. Liberar o aborto vai incentivar a prática do sexo irresponsável e causar mais gastos a uma saúde pública que não consegue cuidar de doenças que não podem ser evitadas.
Lourdes Canto
Por e-mail

Não é a religião, a ciência ou a sociedade que devem decidir sobre o aborto. A mulher é dona do seu corpo; portanto, somente ela tem direito sobre ele.
Kleber Montoril Rocha
Manaus, AM

 

Para se corresponder com a redação de VEJA: as cartas para VEJA devem trazer a assinatura, o endereço, o número da cédula de identidade e o telefone do autor. Enviar para: Diretor de Redação, VEJA – Caixa Postal 11079 – CEP 05422-970 – São Paulo – SP;
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Por motivos de espaço ou clareza, as cartas poderão ser publicadas resumidamente. Só poderão ser publicadas na edição imediatamente seguinte as cartas que chegarem à redação até a quarta-feira de cada semana.



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