Edição 1839 . 4 de fevereiro de 2004

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CINEMA

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Keisha Castle-Hugues: a mais jovem candidata ao Oscar de melhor atriz


Encantadora de Baleias
(Whale Rider, Nova Zelândia/Alemanha, 2002. Censura livre. Estréia em circuito nacional nesta sexta-feira) – Foram várias as surpresas nas indicações ao Oscar deste ano. Uma delas atende pelo nome de Keisha Castle-Hugues, uma garota neozelandesa de 13 anos que, em seu primeiro papel no cinema, recebeu indicação de melhor atriz. A menina tem poucas chances no confronto com Charlize Theron (Monster) e Diane Keaton (Alguém Tem que Ceder), ambas premiadas com o Globo de Ouro, mas conseguiu um feito: é a mais jovem candidata nessa categoria. Graciosa, Keisha interpreta Pai, a pequena maori que trava conflituoso relacionamento com o avô (Rawiri Paratene). Chefe de um vilarejo na costa da Nova Zelândia, o velho busca obsessivamente um substituto. A neta tenta provar que é capaz de assumir o posto, mas só recebe dele indiferença e até desprezo. É uma diretora, Niki Caro, quem comanda o drama familiar que, aos poucos, assume o tom de fábula – Pai seria a descendente do "cavaleiro de baleias" de uma lenda milenar. Na vila de pescadores de Whangara, palco das filmagens, a cineasta recrutou moradores para interpretar personagens secundários. Eles conferem autenticidade aos costumes do povo maori abordados pelo roteiro.
Veja o trailer.

 

LIVROS

Marcas Marinhas, de Saint-John Perse (tradução de Bruno Palma; Ateliê Editorial; 333 páginas; 68 reais) – Nascido nas Antilhas, numa família de origem francesa, Saint-John Perse foi um "poeta dos poetas", uma figura a quem os colegas prestavam reverência. Com impecáveis credenciais políticas – ele teve de fugir da França quando um governo fascista tomou o poder, durante a II Guerra – e um renome artístico ainda maior, ele foi agraciado com o Prêmio Nobel de 1960. Gestado entre 1948 e 1957, esse longo poema em prosa sobre "a busca errante do espírito moderno" é considerado sua obra-prima e um dos grandes textos em língua francesa do século XX. A tradução inspiradíssima é trabalho de três décadas de Bruno Palma, que já vertera para o português, do mesmo autor, Anábase – feito que lhe rendeu um Prêmio Jabuti nos anos 80 e uma comenda artística do governo francês.

 

O'Brian: aventuras em alto-mar

 

Mestre dos Mares, de Patrick O'Brian (tradução de Domingos Demasi; Record; 430 páginas; 45 reais) – O inglês Richard Patrick Russ – mais conhecido por seu pseudônimo, Patrick O'Brian – publicou, a partir de 1969, vinte livros de aventuras navais que se tornaram um dos grandes fenômenos editoriais da Inglaterra nas últimas décadas. As peripécias do capitão Jack Aubrey, oficial da Marinha britânica durante as guerras napoleônicas, deram origem ao filme Mestre dos Mares, que traz o ator Russell Crowe no papel principal e recebeu dez indicações ao Oscar. Aproveitando a deixa, a obra de O'Brian – que morreu em 2000, aos 85 anos – começa a ser publicada no país. Nesse primeiro livro, Aubrey conhece seu fiel companheiro de viagens, o cirurgião Stephen Maturin. Em alto-mar, eles enfrentam batalhas descritas de maneira espetacular pelo autor. Leia trecho do livro.

 

DVD

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Piratas do Caribe: bobagem, mas das mais adoráveis


Piratas do Caribe
(Pirates of the Caribbean, Estados Unidos, 2003. Buena Vista) – Um filme baseado numa atração dos parques Disney só pode ser uma bobagem. No caso de Piratas do Caribe, no entanto, uma bobagem das mais adoráveis e divertidas, que recupera o charme dos velhos filmes de pirataria estrelados por Errol Flynn, acrescentando à equação efeitos especiais dos mais avançados. Sucesso de bilheteria, a fita tem entre seus trunfos um vilão sobrenatural interpretado por Geoffrey Rush (alvo de uma maldição, ele é humano sob a luz do sol e um esqueleto sob o luar) e um herói impagável, cheio de tiques e afetação, vivido por Johnny Depp. Sua interpretação lhe rendeu uma indicação ao Oscar de melhor ator. Entre os extras do DVD, destaca-se um documentário que mostra como a computação gráfica permitiu criar uma armada de piratas fantasmagóricos.

 

DISCOS

Talkie Walkie, Air (EMI) – Desde os anos 90, o pop francês vem passando por uma fase de renascimento, graças à florescente cena de música eletrônica no país. Formado pelos DJs Jean-Benoît Dunckel e Nicolas Godin, o Air está na linha de frente desse processo. Flertando com a chanson francesa e influências dos anos 70 como o Pink Floyd, a dupla produz canções que nada têm a ver com o bate-estaca. Muito pelo contrário: etéreas e refinadas, suas músicas são para ouvir em momentos intimistas. Talkie Walkie, o novo trabalho do grupo, não foge à regra. O melhor cartão-postal do disco é a faixa Cherry Blossom Girl,com seus vocais femininos pungentes. A delicada Alone in Kyoto integra a trilha sonora do filme Encontros e Desencontros, de Sofia Coppola.

 
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Missy Elliott: a Madonna do hip hop  

This is Not a Test!, Missy Elliott (Warner) – A cantora americana Missy Elliott é considerada a Madonna do hip hop. Assim como a popstar, ela é uma campeã de vendas – foram mais de 7 milhões de discos desde que começou a cantar, na segunda metade dos anos 90. Missy é uma artista que desencadeia novas tendências no gênero a cada trabalho que lança. Possui ainda outra habilidade: trata-se de uma produtora de mão-cheia. Antes mesmo de virar cantora, ela já gozava de reputação na área. Além de produzir os próprios CDs, Missy deu seu toque de Midas a músicas de artistas como Justin Timberlake e Beyoncé. Nas dezesseis faixas de This Is Not a Test!, ela passa longe do padrão verborrágico e repetitivo do rap em geral. Investe em melodias marcantes e batidas que fogem ao lugar-comum, como as de Wake Up.

 

 

Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Fnac, Nobel, Siciliano; Rio: Saraiva, Nobel, Laselva, Sodiler, Siciliano, Argumento, Travessa; Porto Alegre: Saraiva, Nobel, Livraria Ed. Porto Alegre, Siciliano, Livrarias Porto; Brasília: Sodiler, Nobel, Siciliano, Saraiva, Livraria Leitura; Recife: Sodiler, Nobel, Saraiva, Siciliano; Natal: Nobel, Sodiler; Florianópolis: Siciliano, Livrarias Catarinense; Goiânia: Siciliano, Nobel, Saraiva; Fortaleza: Siciliano, Laselva, Nobel; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva, Livrarias Curitiba; Belo Horizonte: Siciliano, Nobel, Leitura; Maceió: Sodiler, Nobel; Belém: Nobel, Laselva.
 
 
 
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