Edição 1839 . 4 de fevereiro de 2004

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Especial
Zé Pequeno em Hollywood

Depois de perder a vaga no Oscar de
2003, Cidade de Deus ressurge com
força total e obtém quatro indicações
para o grande
prêmio do cinema


Isabela Boscov

 
Fotos Oscar Cabral/divulgação
Meirelles: nem nos sonhos "mais megalomaníacos" ele imaginava o recorde de indicações

Missão quase impossível
E não é que ele tem chance?
O padrão virado ao avesso
Um curta que foi longe
O português é a barreira
NA INTERNET
Reportagens, fotos e trailer do filme
Arquivo VEJA: reportagens de capa sobre cinema

Em 29 de fevereiro, o paulistano Fernando Meirelles vai ouvir o nome de seu filme ecoar em quatro diferentes ocasiões na cerimônia do Oscar: quando César Charlone for anunciado como um dos concorrentes ao prêmio de fotografia, quando chegar a hora de Bráulio Mantovani disputar a estatueta de roteiro adaptado, quando Daniel Rezende ficar sabendo se será mesmo o vitorioso na categoria de montagem e quando ele próprio, Fernando Meirelles, for focalizado na platéia do Kodak Theatre de Los Angeles na qualidade de rival do neozelandês Peter Jackson, do australiano Peter Weir e dos americanos Clint Eastwood e Sofia Coppola pelo prêmio de direção. Quatro indicações ao Oscar, todas em categorias nobres: Cidade de Deus acaba de alcançar um feito tremendo não apenas para o Brasil, mas para qualquer filme que não seja falado em inglês. Quem precisa de legendas para ser entendido pelos votantes da Academia costuma ficar confinado ao gueto do "melhor filme estrangeiro", e são raros os salvos-condutos para fora dele. Descontadas as seis indicações que o argentino naturalizado brasileiro Hector Babenco obteve, nos anos 80, com O Beijo da Mulher-Aranha e Ironweed (ambas produções com capital americano), a história do Brasil no Oscar era caracteristicamente tímida. Até a terça-feira passada, quando foram anunciados os participantes da corrida de 2004, ela consistia de quatro indicações na categoria de filme estrangeiro – por O Pagador de Promessas, O Quatrilho, O que É Isso, Companheiro? e Central do Brasil – e só um furo no bloqueio aos prêmios principais, representado pela indicação de Fernanda Montenegro como melhor atriz por Central do Brasil, em 1999. Vitórias não houve nenhuma, já que Central do Brasil, o candidato mais bem cotado de todos esses, pegou pela frente o rolo compressor de A Vida É Bela, do performático Roberto Benigni, e da ascensão então irresistível de Gwyneth Paltrow, que levou a estatueta no lugar de Fernanda.

A goleada com que Cidade de Deus derrotou esse tipo de preconceito se torna ainda mais surpreendente em face da rejeição que o filme de Meirelles enfrentou ao ser apresentado, no ano passado, ao comitê que avalia as produções estrangeiras. Esse grupo, de cerca de 700 pessoas, é o encarregado de avaliar os aspirantes de cada país a uma indicação para o Oscar, e tem de assistir a algo como seis dezenas de títulos diferentes num prazo exíguo. É uma tarefa cansativa e que demanda muitas horas livres no dia – razão pela qual o corpo principal de votantes da Academia, que tem algo como 6.000 membros, costuma ironizar o comitê como o "dos aposentados". Maldades à parte, é certo que a média de idade e o conservadorismo são elevados ali, e a violência e o realismo de Cidade de Deus provocaram sustos intensos, a ponto de anular suas chances. Na ocasião, ao ser informado de que seu filme não ficara entre os cinco indicados, Meirelles disse que sentia especialmente pelo seu elenco, que ficara privado desse reconhecimento. Por si mesmo, já não tinha expectativas, uma vez que Harvey Weinstein, o dono da Miramax, produtora que distribui Cidade de Deus no exterior, lhe avisara que o filme quase certamente seria recusado.

 
Paula Prandini
Salles: com Central do Brasil, o desbravador da "retomada"

Harvey Weinstein é uma figura folclórica na indústria americana de cinema. Grandalhão, brusco e sem papas na língua, tem também a reputação de atuar como um general que não mede esforços – e às vezes ultrapassa os limites do ético – nas batalhas por seus filmes. Mas colhe resultados: desde que se especializou em combinar uma certa aura artística com apelo popular e estourou com O Paciente Inglês, em 1996, a Miramax se tornou a recordista em indicações para o Oscar. Todos os anos, coleciona-as às pencas, em boa parte graças às manobras do obstinado Harvey, que de tão bombásticas já levaram à produção de novos códigos de conduta dentro da Academia – como o veto à distribuição de mimos e afagos aos votantes, algo que a Miramax adorava fazer. E é Harvey o arquiteto do sucesso alcançado por Cidade de Deus na terça-feira passada.

Desde o primeiro instante, o produtor apaixonou-se por Cidade de Deus. Apelidado no meio cinematográfico de Harvey Mãos-de-Tesoura, por causa da mania de picotar os filmes dos diretores que contrata, ele transgrediu seus próprios princípios por Fernando Meirelles: implorou que o brasileiro não cortasse quatro minutos e meio de seu filme, como cogitava fazer. "Está perfeito assim", justificou. Quando Cidade de Deus não emplacou uma indicação para produção estrangeira no Oscar 2003, Harvey decidiu que voltaria à carga neste ano. Como a estréia comercial de Cidade nos Estados Unidos só se deu em janeiro de 2003, o filme se tornou automaticamente elegível para as categorias principais na festa de 2004. Um ano antes, essa estratégia servira bem ao mexicano E Sua Mãe Também, que ficou sem vaga no gueto estrangeiro mas ganhou um padrinho, o ator Dustin Hoffman, que organizou diversas sessões da fita para amigos ilustres. Resultado: uma indicação para o prêmio de roteiro no Oscar 2003.

Harvey Weinstein, porém, é mais que um padrinho. É uma força-tarefa deles. Meirelles pediu dispensa da campanha, por considerar que essa já era uma página virada em sua vida. Harvey concedeu-a, mas arregaçou suas próprias mangas. Conseguiu manter Cidade de Deus em cartaz nos Estados Unidos durante todo o ano passado, trouxe o filme à baila em quase todas as entrevistas que deu, aborreceu sem parar jornalistas de veículos como o Los Angeles Times e o New York Times para que fizessem matérias, publicou anúncios elencando os prêmios internacionais de Cidade e lembrando aos votantes da Academia que ele ainda era elegível, e resistiu à pressão de seus próprios funcionários. Toda a Miramax queria aproveitar o impulso das excelentes críticas ao filme de Meirelles para lançá-lo em DVD e negociar seus direitos para a televisão, mas o patrão bateu o pé, por entender que essas táticas poderiam banalizá-lo como candidato ao Oscar. "Eu amo esse filme mais do que à minha vida, e agora fui recompensado", disse Harvey, que vai relançar o filme com 500 cópias nas próximas semanas (no Brasil, ele volta ao cartaz em 6 de fevereiro), numa entrevista concedida logo após o anúncio das indicações. Meirelles não tem dúvidas de que o empenho do produtor foi decisivo. Segundo ele, a Miramax gastou muito menos dinheiro com a campanha de Cidade de Deus em 2003 do que em 2002. Em vez disso, investiu nela toda a sua transpiração.

Ainda assim, Meirelles não calculou que o saldo das investidas de Harvey pudesse ser tão formidável. "Nem nos meus sonhos mais megalomaníacos", diz. No dia em que as indicações seriam anunciadas, ele tinha reuniões marcadas em Londres com o escritor John Le Carré, cujo livro O Jardineiro Fiel servirá de base a um filme que Meirelles começa a rodar em março, e com o ator Ralph Fiennes, que vai estrelar a produção. Tinha também uma projeção de um filme inédito com Kate Winslet, cujo nome faz parte da lista – em que já figurou Nicole Kidman – de possíveis candidatas ao principal papel feminino de O Jardineiro Fiel. O diretor cumpriu seus compromissos, mas de dentro de uma saia justíssima, com constantes interrupções de jornalistas, amigos, produtores e assessores de imprensa. "Ralph e John foram muito gentis e compreensivos, mas eu nunca teria marcado essas reuniões e os submetido a tanta chateação se imaginasse que Cidade de Deus ficaria entre os indicados", diz Meirelles.

Se o diretor de fotografia Charlone, o montador Rezende e o roteirista Mantovani agora entram de fato em evidência no mercado internacional – onde o piso para um roteiro filmado, por exemplo, costuma ser de 100.000 dólares, contra os 60.000 reais pagos (com muita sorte) no mercado doméstico –, Fernando Meirelles já é o que, no meio cinematográfico americano, se chama de uma hot property. Vale muito porque pode render muito e porque tem o potencial de fazer com que também outros brilhem. É o tipo de talento que deixa todo mundo assanhado, especialmente os grandes astros, que estão sempre à cata de diretores que tirem deles o melhor. Exemplo disso é o mexicano Alejandro González Iñárritu, que estourou com Amores Brutos e em seu segundo filme, 21 Gramas, dirigiu Sean Penn, Benicio Del Toro e Naomi Watts, garantindo a presença dos dois últimos no Oscar deste ano. Meirelles também passou o ano de 2003 sob um bombardeio de propostas, vindas de todos os grandes estúdios americanos e envolvendo nomes do calibre de Robert De Niro e Tom Hanks. Esquivou-se delas porque sua intenção era renovar a parceria com o roteirista Bráulio Mantovani numa co-produção internacional provisoriavemente chamada Intolerância II, uma história sobre a globalização que percorreria do Brasil à China e à África. No fim de 2003, porém, ficou claro que o roteiro não estaria pronto a tempo de se iniciarem as filmagens neste primeiro semestre.

A idéia de passar vários meses à toa não agradou a Meirelles. Um encontro casual com um amigo, celebrado com um cafezinho, o colocou na trilha de O Jardineiro Fiel: o amigo contou que o inglês Mike Newell, de Quatro Casamentos e um Funeral, deixara o projeto, e a produtora Focus gostaria muito de colocar ao timão um cineasta familiarizado com o Terceiro Mundo, já que o enredo se passa em boa parte na África. Não que Meirelles tenha se divorciado de seus colaboradores habituais. Mantovani submeteu o roteiro de O Jardineiro Fiel a uma revisão crítica, César Charlone novamente será o diretor de fotografia e Daniel Rezende só não montará o filme porque está ocupado com o próximo projeto de Walter Salles, o terror psicológico Dark Water – também este uma produção americana. As honras, desta vez, serão feitas por Stephen Mirrione, o montador de Traffic e 21 Gramas. Com a lembrança da distância forçada da família por causa de Cidade de Deus ainda fresca em sua memória, Meirelles também decidiu colocar seus familiares à frente das considerações sobre a carreira. Só aceitou em definitivo O Jardineiro Fiel quando os produtores puseram à disposição de sua mulher e de seus dois filhos – que estão com ele agora em Londres – um número adequado de passagens aéreas, para que as separações possam ser abreviadas com visitas freqüentes.

O salto no número de ofertas e de cifrões é, claro, o benefício mais imediato a ser colhido por Meirelles, Rezende, Mantovani e Charlone – "Se bem que não estamos exatamente sem trabalho", brinca o diretor. Também a carreira de Walter Salles ganhou esse ímpeto com as dezenas de prêmios internacionais conferidos a Central do Brasil e a exposição no Oscar. E, assim como fez o amigo Salles, Meirelles planeja estender esses benefícios para bem além de sua esfera pessoal. A Videofilmes de Walter e João Salles tornou-se um pólo de produção e de divulgação dessa produção no mercado internacional – a começar por Cidade de Deus, que leva a sua grife. A O2 Filmes, da qual Meirelles é sócio, começa a mostrar a mesma vocação. No ano passado, recebeu três propostas de produções internacionais, já começou a fazer comerciais para o mercado externo e está empenhada em vender para outros países dois filmes nos quais Meirelles aposta alto: Contra Todos, de Roberto Moreira, já selecionado para o Festival de Berlim, e Não Por Acaso, de Philippe Barcinski. "Estou fazendo o que aprendi com o Walter", diz Meirelles.

 
Radiobras/divulgação
Darlan (à esq.) e Douglas com Lula: um elenco que não deve repetir a história de Pixote

As semelhanças entre Meirelles e Salles vão além. Central do Brasil e Cidade de Deus estão, para o cinema nacional, como sexo, mentiras e videotape e Pulp Fiction estiveram para o americano: correspondem aos momentos de desbravamento de um território e, depois, de germinação do que se havia plantado nele. Central do Brasil revelou a cinematografia nacional para o mundo e para os próprios brasileiros, depois de um longo inverno de inatividade e falta de credibilidade. Cidade de Deus mostrou que daqui pode sair uma produção arrojada e transformadora, que tem a ensinar até a quem se considera especialista na matéria. Como iniciativa é um atributo que não falta a Meirelles, ele fez esse sucesso ramificar de outra forma ainda: na minissérie Cidade dos Homens, exibida pela Rede Globo. Protagonizada por Douglas Silva e Darlan Cunha (que faziam Dadinho e Filé-com-Fritas em Cidade de Deus), ela chegou à sua segunda temporada em outubro passado com altos índices de audiência. A série – que há pouco foi premiada no Festival de Biarritz – chamou tanta atenção que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu espaço na agenda para receber Douglas e Darlan. Melhor: até o momento, a porta que Cidade abriu para seu ótimo elenco amador não bateu na cara deste. Fernando Ramos da Silva, o protagonista de Pixote, foi um sucesso internacional em 1981. Mas não conseguiu dar continuidade à carreira, voltou à miséria na qual se criara e acabou morto a tiros pela polícia, aos 19 anos, dentro de sua própria casa. Seguindo um exemplo iniciado – novamente – em Central do Brasil, os responsáveis por Cidade de Deus têm feito o possível para que a rapaziada que eles descobriram siga um rumo bastante diverso. Douglas e Darlan estão muito bem encaminhados. Jonathan Haagensen, o Cabeleira, agora é funcionário da Globo e tem um papel em Da Cor do Pecado, a novela das 7. Leandro Firmino da Hora, o fabuloso Zé Pequeno de Cidade, fez trabalhos no teatro e concluiu as filmagens de Cafundó, no qual foi dirigido por Paulo Betti. Seu Jorge, que interpretou Mané Galinha, já era uma figura carismática dos morros cariocas, e agora fará ninguém menos que Pelé em The Life Aquatic, o próximo filme do diretor Wes Anderson, de Os Excêntricos Tenenbaums. Isso para ficar em apenas alguns exemplos.

Só duas coisas deixam Fernando Meirelles infeliz quando o assunto é Cidade de Deus. A primeira é o abandono silencioso e gradual em que foram caindo os vários projetos governamentais anunciados para a favela que dá nome ao filme – todos pegando carona no sucesso deste –, e que o diretor considerava seu mais valioso efeito colateral. A outra é pensar na cerimônia do Oscar propriamente dita. Meirelles não gosta de festas de premiação: fica tenso, acha o clima de competição um sofrimento, constrange-se quando gente que não conhece pára para lhe dar tapinhas nas costas e fazer elogios, acha desagradável a sensação de ter caído no meio da edição internacional de uma revista de fofocas e, no geral, fica tímido com a coisa toda. No ano passado, quando compareceu à entrega do Globo de Ouro, não teve nem com quem conversar: dividiu uma mesa com o chinês Zhang Yimou, que não fala ou finge não falar inglês e até tirou uma soneca durante a cerimônia, e o espanhol Pedro Almodóvar, que o esnobou. Ainda assim, quando Almodóvar ganhou com Fale com Ela o prêmio que poderia ter sido de Cidade de Deus, Meirelles o cuprimentou efusivamente – "Porque gosto do filme e também pelo alívio de não ser eu a ter de subir ao palco e dizer alguma coisa". Ganhar é chato na hora e perder é chato depois, diz o diretor, que sonha com um serviço de entrega de prêmios em domicílio, como se fossem pizzas.

 
Divulgação

Meirelles durante as filmagens de Cidade: agora vai ser em inglês

Não é coincidência que Salles, Meirelles e o mexicano Iñárritu, os nomes mais prestigiados da buena onda latino-americana, tenham vindo do sempre tão demonizado cinema publicitário. Em países onde a indústria cinematográfica está desmantelada, e o ensino de cinema é no mínimo precário no que toca à realização – situação que só agora o Brasil começa a transformar –, esses profissionais são virtualmente os únicos que têm condições de exercer o ofício e avançar nele. Para quem já dirigiu alguns milhares de comerciais, como Meirelles, questões técnicas ou de linguagem já não guardam mais nenhum mistério. A distância entre o que o diretor visualiza e o que ele de fato filma é muito pequena, ou nula. Não à toa, esses diretores provocam um considerável ranger de dentes entre críticos e realizadores de outras escolas, por assim dizer: não pedem licença e já chegam com a bola toda, embasbacando com seus filmes quando outros têm dificuldade mesmo em captar o mínimo de verba para fazer os seus. Quando Cidade de Deus foi lançado no Brasil, em 2002, Meirelles se viu no centro de um debate bizantino sobre a "cosmética da fome" – a suposta glamorização da miséria nacional –, que se agravou quando, heresia das heresias, ele deixou claro que não rezava no altar de Glauber Rocha e do cinema novo, e que achava que os incentivos do Estado para a cultura são indispensáveis, mas para incentivar, e não para sustentar. O fato é que Cidade de Deus deu uma nova vida ao cinema nacional e, com seus 3,3 milhões de espectadores, abriu as comportas da bilheteria. Se a participação dos filmes brasileiros bateu em 21% dos ingressos vendidos no país em 2003, é em grande parte porque Meirelles pôs abaixo uma barreira em 2002. Por isso, agora, ele e todos os envolvidos na realização de Cidade de Deus podem se dar ao direito de comemorar com toda a paz e tranqüilidade. "Se estou feliz?", diz o diretor. "Claro! Só se eu fosse doente não estaria."

 

Quando o Brasil foi ao Oscar

Cinedistri
Frederic Jean
O Pagador de Promessas, de 1962: premiado em Cannes, mas não pela Academia Babenco: seis indicações nos anos 80, por O Beijo da Mulher-Aranha e Ironweed
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Vantoev Pereira Junior
O Quatrilho, de Fábio Barreto: em 1996, ele quebrou um jejum de 33 anos sem indicações O que É Isso, Companheiro?: em 1998, outro Barreto – dessa vez Bruno – volta à disputa
Divulgação
Central do Brasil: o rolo compressor de A Vida É Bela atropelou o filme de Walter Salles em 1999

 

 
 
 
 
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