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Diogo
Mainardi
Aldo,
o magnífico
"Aldo
Rebelo é tão nacionalista que luta, com
muita coragem, pela abolição do
pão francês.
Ele apresentou um projeto de lei que obriga a
adição de farinha de raspa de mandioca à de
trigo.
Com a modernidade de Rebelo, o futuro do governo
Lula está garantido"
Aldo
Rebelo é um dos políticos mais admiráveis que
o Brasil já teve. Sua nomeação para o ministério
do governo Lula consagra uma carreira marcada pela defesa intransigente
das cores nacionais. Ele ficou conhecido em todo o país pelo
projeto de lei que proíbe o uso de estrangeirismos na língua
portuguesa. Mas não é sua única iniciativa
meritória em prol da pátria. Aldo Rebelo é
tão visceralmente nacionalista que também luta, com
muita coragem, pela abolição do pão francês.
Estamos no Brasil, não na França. Então não
há motivo para comer pão francês. O pão
francês é o instrumento através do qual as forças
espúrias do imperialismo se insinuam na consciência
nacional. O pão genuinamente brasileiro não é
o de trigo, mas o de mandioca. De fato, Aldo Rebelo apresentou um
projeto de lei que obriga a adição de farinha de raspa
de mandioca à farinha de trigo. No Brasil, as autoridades
têm o costume de adicionar certa porcentagem de um produto
a outro: álcool é adicionado à gasolina, coliformes
fecais são adicionados à água do mar, doações
de campanhas eleitorais são adicionadas aos salários
dos servidores públicos. A tal propósito, a reforma
ministerial criou quase 3.000 novos cargos.
Uma porcentagem dos proventos dos novos contratados será
desviada para abastecer o caixa do PT, sob a forma de contribuição
voluntária ao partido.
O
primeiro ano do governo Lula foi muito ruim. O segundo certamente
será melhor. Basta aproveitar direito o talento renovador
de Aldo Rebelo. Pouco tempo atrás, ele lançou a idéia
de proibir a adoção, pelos órgãos públicos,
de qualquer tipo de inovação tecnológica poupadora
de mão-de-obra. O princípio responde aos mais rígidos
critérios de gerenciamento administrativo. De acordo com
o projeto de Aldo Rebelo, quanto mais funcionários forem
usados para executar um trabalho, melhor. Se uma repartição
inteira puder ser substituída por um simples computador,
deve-se abolir o computador. Aldo Rebelo considera justamente que
a administração pública é rápida
demais, barata demais, eficiente demais. Precisamos inchá-la
ao infinito. Foi o mesmo raciocínio que o levou a condenar
a adoção de catracas eletrônicas em veículos
de transporte coletivo. Por que adotar uma máquina alienígena
se por meio do salário mínimo podemos empregar um
legítimo cobrador nordestino?
Outros
importantes projetos legislativos de Aldo Rebelo foram o exame obrigatório
de DNA antes da cremação de cadáveres, a construção
de um campo de futebol para cada 1 000 unidades habitacionais e
a proibição de pagamento de royalties (o estrangeirismo
foi usado pelo próprio Aldo Rebelo, não por mim) entre
multinacional e subsidiária. A indústria farmacêutica
nacional gostou tanto do último ponto que se tornou a maior
financiadora das campanhas eleitorais do novo ministro. Na última
legislatura, Aldo Rebelo também tentou garantir um salário-desemprego
de oito meses a todos os trabalhadores desocupados com mais de 50
anos. Vamos ver se, na condição de principal articulador
político do governo, ele levará adiante a proposta.
Com
o cosmopolitismo e o espírito de modernidade de Aldo Rebelo,
o futuro do governo Lula está garantido. Azar das catracas
eletrônicas. Azar do pão francês.
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